A arte visionária de Ranchinho

 

Por Roberto Rugiero

Com textos de Antonio Fernando de Franceschi, Oscar D’Ambrosio e Roberto Rugiero, foi lançado aguardado livro sobre a obra do artista Sebastião Theodoro Paulino da Silva, o Ranchinho. Nascido em 1923 no Município de Oscar Bressane e falecido em Assis, também no Estado de São Paulo, em 2003, Ranchinho criou cerca de 3.000 obras, uma parte delas de excepcional qualidade. Equiparado a José Antonio da Silva, pelo nível de sua criação, Ranchinho teve três obras recentemente adquiridas pelo Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera, na capital São Paulo.

Deficiente físico e mental, o artista teve uma existência muito difícil, à margem da sociedade, até ser recolhido por seu irmão Antonio e reintegrado à família. Acometido de exibicionismo, sofreu inúmeras agressões: foi preso algumas vezes, perdeu todos os dentes, viveu só e abandonado em ranchinhos da periferia, daí seu apelido. Analfabeto e com deficiência de fala, Ranchinho criou algumas das mais originais imagens da arte brasileira. Nenhum artista dedicou tanta atenção aos animais domésticos como ele: galinhas, cães, cavalos, gatos aparecem com frequência em seu trabalho. Outro de seus temas favoritos, ao qual voltava constantemente, são os circos, onde também deixou uma obra incomparável. Ranchinho foi descoberto no final da década de 1960 pelo corretor de seguros e poeta José Nazareno Mimessi.

Perambulando pelas ruas da cidade, o artista costumava distribuir aos conhecidos desenhos que fazia à noite, em seu mísero refúgio. Um dia, o corretor, que passou a frequentar a Praça da República – onde travou contato com vários artistas populares -, comprou um jogo de guache e pincéis e incentivou Ranchinho a fazer um trabalho mais elaborado. Em pouco tempo Ranchinho
produzia obras de surpreendente beleza e simplicidade que o projetaram como um dos mais interessantes casos de expressão artística espontânea ocorrido entre nós. Grande colorista, observador sensibilíssimo da realidade, mas trilha um caminho próprio, onde o movimento e a cor definem o momento emocional.

Numa edição conjunta entre a RAIZ. e a Galeria Brasiliana, de São Paulo, com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura (MinC), a obra pode ser adquirida em museus, ou pelo Portal da Revista RAIZ ( www.revistaraiz.com.br).

Serviço:
Livro “A arte visionária de Ranchinho” – textos de Antonio Fernando de Franceschi, Oscar D’Ambrosio e Roberto Rugiero – Editora RAIZ.
Quanto: R$ 60,00