A pintura de Maria Auxiliadora em 82 obras

Maria Auxiliadora contempla várias leituras, sendo verdadeiro paradigma da classificação, muitas vezes depreciativa, da pintura ingênua (sic), popular ou naif. Pode ser vista como representante da Pop Art por Lélia Coelho Frota ou da arte bruta segundo Emanuel von Lauenstein Massarani, na prática Maria Auxiliadora era uma pintora de grande vocação e criatividade. A força de sua pintura breve – sete anos, entre 1967 e 1974 – está presente em museus e coleções por todo mundo; com exposições na Itália, França e Alemanha, além do MASP em São Paulo e do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

A exposição “Maria Auxiliadora: vida cotidiana, pintura e resistência” apresenta 82 obras de Maria Auxiliadora (Campo Belo, Minas Gerias, 1935 – São Paulo, 1974). A exposição pretende renovar o interesse na original produção da artista, ampliando as leituras sobre sua vida e obra para além dos rótulos, que comumente a associaram à arte chamada “popular”, “primitiva”, “naif” ou “afro-brasileira”.

A exposição ocupa a galeria e o mezanino do primeiro subsolo do Museu e está organizada em seis núcleos temáticos, que agrupam as obras em “Autorretratos”, “Casais”, “Interiores”, “Manifestações populares”, “Candomblé, umbanda e orixás” e “Rural”, com base nos temas mais recorrentes de sua produção.

Auxiliadora é uma cronista do seu tempo pelos pincéis, a variedade temática é um dos seus pontos mais provocantes. Utilizava tinta acrílica, cores fortes – como vermelho e amarelo – e salientava partes do corpo humano e das paisagens, utilizando objetos, como cabelo de verdade pintado, ou uma massa de espessura variável, numa pintura cheia de relevos que se tornou marca registrada da sua produção.

 

 

Além da exposição que reúne, depois de mais de três décadas, parte da produção de Auxiliadora, o MASP lança um catálogo com 12 ensaios inéditos, de Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro, Fernando Oliva, Isabel Gasparri, Karen Quinn, Lilia Schwarcz, Lucienne Peiry, Marta Mestre, Mirella Santos Maria, Renata Bittencourt, Renata Felinto e Roberto Conduru; 3 republicações de textos históricos, de Mário Schenberg (1970), Lélia Coelho Frota (1975) e Pietro Maria Bardi (1977); e 1 nota biográfica, de Artur Santoro.

Além das 82 obras selecionadas para a mostra no Museu, a publicação traz ainda reproduções de outras 82 pinturas localizadas durante o processo de pesquisa, compondo o mais completo livro sobre a artista já lançado. A organização editorial é de Adriano Pedrosa e Fernando Oliva.

 

Maria Auxiliadora

Maria Auxiliadora começa suas atividades artísticas ainda jovem, do bordado com a mãe aos nove anos, desenhando com carvão aos 14, somente aos 32 anos, em 1967, decide dedicar-se integralmente à pintura, sempre como autodidata.

Em 1968, juntou-se (com outros integrantes de sua família) ao grupo que girava em torno do músico, teatrólogo e poeta negro Solano Trindade, no Embu das Artes, em São Paulo, voltado principalmente para a arte e cultura afro-brasileira.  No inicio dos anos 1970, descontente com a situação no Embu, Maria Auxiliadora retorna a capital paulista, passando a expor seus trabalhos na Praça da República.

Lá, conhece o marchand alemão Werner Arnhold e crítico de arte Mário Schemberg, que a apresentou para o cônsul dos Estados Unidos, Alan Fisher. Arnhold contribuiu muito para seu renome na Europa, levando seus trabalhos a feiras de arte e exposições na Basiléia, Dusseldorf e Paris. Em 1971, o diretor do Musée d’art Naïf de Laval, na França, Pierre Bouvet adquire para o museu obras da artista.

Três anos depois de sua morte, a editora italiana Giulio Bolaffi publicou o livro Maria Auxiliadora da Silva, com textos de Max Fourny, diretor do Museu de Arte Naïf de l’Ile, França; Emanuel von Lauenstein Massarani, adido cultural do Brasil na Suíça; e Pietro Maria Bardi, diretor do Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Foram montadas exposições individuais em homenagem póstuma na Itália, França e Alemanha, além de no MASP e no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

 

Serviço:

Maria Auxiliadora: vida cotidiana, pintura e resistência
10 de março a 10 de junho de 2018
TER-DOM: 10H ÀS 18H (BILHETERIA ABERTA ATÉ 17H30)
QUI: 10H-20H (BILHETERIA ABERTA ATÉ 19H30)
SEG: FECHADO
AV PAULISTA, 1578
01310-200
(11) 3149 5959
SÃO PAULO/SP/BRASIL

 

Ingressos:

ADULTOS R$ 35
ESTUDANTES/PROFESSORES R$ 17
MAIORES DE 60 ANOS R$ 17
CRIANÇAS ATÉ 10 ANOS NÃO PAGAM
TERÇAS-FEIRAS ENTRADA LIVRE