Museu Afro Brasil apresenta a cultura indígena de um Brasil profundo — RAIZ - Cultura do Brasil

Museu Afro Brasil apresenta a cultura indígena de um Brasil profundo

Colaborando com a RAIZ

“Heranças de um Brasil profundo” apresenta arte e cultura indígenas, na trilha da trilogia em que o museu já apresentou as culturas irmãs, africana e portuguesa, no debate da identidade brasileira

O Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, promove a exposição “Heranças de um Brasil profundo”, com mais de 500 objetos entre obras de arte e utensílios da cultura material indígena de raiz brasileira.

A trilogia teve início com Africa Africans, em 2015, e foi seguida por Portugal, Portugueses – Arte Contemporânea, em 2016.

Juntamente com a exposição será lançado o livro “Viemos de longe, para longe vamos – Povos originários do Brasil. Dos paleoíndios à contemporaneidade – Uma bibliografia” do professor Carlos Eugênio Marcondes de Moura.

Onça de Denilson Baniwa
Onça de Denilson Baniwa

SOBRE A EXPOSIÇÃO

Com curadoria de Emanoel Araujo, a exposição “Heranças de um Brasil profundo” reúne arte plumária, adornos, máscaras, fotografias, esculturas, utensílios e arte contemporânea de povos indígenas como: Karajá, Marubo, Kayapó, Mehinako, Yanomami, Rikbaktsa, Tapirapé, Waurá, Tapayuna e Juruna.

Entre os artistas indígenas contemporâneos presentes na exposição está o jovem Denilson Baniwa, do povo indígena Baniwa e natural do Rio Negro, interior do Amazonas. Vencedor do prêmio PIPA Online 2019, o artista apresentará três trabalhos na exposição, entre eles uma pintura inédita, realizada nas paredes internas do Museu Afro Brasil.

Outro destaque da mostra é a Casa dos Homens, construída por um grupo de quatro indígenas do povo Mehinako (Yuta, Itsaukuma, Kauruma e Wapitsewe Mahinako), um dos muitos habitantes da região conhecida como Alto Xingu (englobada pelo Parque Indígena do Xingu). Eles também estarão na abertura da exposição.

Ainda integram a mostra um destacado grupo de fotógrafos e fotógrafas que dedicaram boa parte de sua produção a documentação de populações indígenas brasileiras, como Claudia Andujar, Rosa Gauditano, Maureen Bisiliat, Nair Benedicto, Manuel Rodrigues Ferreira, Rodrigo Pretella, Jamie Stewart-Granger, entre outros.

“Heranças de um Brasil profundo” exibe também um destacado grupo de peças de valor antropológico. São obras da arte que compõe o rico universo do fazer artístico de diferentes grupos indígenas brasileiros em suas representações zoomorfas de apelo artístico e cultural. Sua cultura artística, especialmente o trabalho com a cerâmica e cestaria, hoje amplamente incorporada nas tradições populares das regiões norte e nordeste.

“Heranças de um Brasil profundo”, exposição que busca romper com a ideia que vê nos indígenas e em sua arte o suprassumo da “inocência” ou o olhar folclórico, somente cheio de deuses, monstros e mitos, dentre tantos outros preconceitos impostos a esta cultura original, fica em exibição no Museu Afro Brasil até 26 de julho de 2020.

Foto de Filipe Frazão - Divulgação
Foto de Filipe Frazão – Divulgação

O livro: “Viemos de longe, para longe vamos – Povos originários do Brasil. Dos paleoíndios à contemporaneidade – Uma bibliografia”

O livro apresenta compilação de mais de nove mil publicações sobre a presença indígena no Brasil

Dos paleoíndios à contemporaneidade – Uma bibliografia”. Com cerca de 400 páginas, a publicação reúne mais de nove mil bibliografias compiladas por meio de uma vasta pesquisa a dicionários, enciclopédias, livros e capítulos de livros, coletâneas, dissertações de mestrado, teses de doutorado, artigos em revistas, anais e simpósios, cinema e vídeo, exposições e catálogos.

“Procurou-se tematizar, na medida do possível, os assuntos abordados, tendo em vista facilitar sua localização. Certos temas se impuseram como, por exemplo, direitos indígenas, territórios e demarcações, arqueologia, cerâmica pré-colonial, artes e artesanato, contos, lendas e mitos escritos ou evocados por autores indígenas e não indígenas, linguística, ritos e rituais, xamanismo, educação e saúde. Entre os autores indígenas destaca-se Daniel Munduruku, que entre 1997 e 2018 teve publicados cinquenta livros de contos, além de participar de antologias e coletâneas”, destaca Carlos Eugênio.

Os registros foram dispostos numa linha de tempo, que se estende dos paleoíndios até o século 21. Aliás, logo na introdução do livro, Carlos Eugênio explica a utilização do termo: “na concisa definição do Dicionário Houaiss da língua portuguesa, paleoíndio é relativo a ou membro do povo ou cultura dos ocupantes mais remotos da América, possivelmente caçadores de origem asiática que se instalaram nesse continente a partir do pleistoceno. E é a partir dos paleoíndios, habitantes dos territórios a que, milênios mais tarde, se deu o nome de Brasil, que se inicia esta tentativa de bibliografia”, conta.

“Viemos de longe, para longe vamos – Povos originários do Brasil. Dos paleoíndios à contemporaneidade – Uma bibliografia”, é a segunda colaboração de Carlos Eugênio com o Museu Afro Brasil. Em 2012, ele já havia lançado “Afronegros. Seus descendentes: Brasil. Uma bibliografia em construção. 1637-2011”, ambos editados pela Associação Museu Afro Brasil.

Museu Afro Brasil – Divulgação

Serviço

Exposição “Heranças de um Brasil profundo” + Lançamento do livro “Viemos de longe, para longe vamos – Povos originários do Brasil dos paleoíndios à contemporaneidade – Uma bibliografia”

Data: 25 de janeiro a 26 de julho de 2020
Local: Museu Afro Brasil
Endereço: Parque Ibirapuera, Portão 10
Entrada: Gratuita

MUSEU AFRO BRASIL
Av. Pedro Álvares Cabral | Parque Ibirapuera | Portão 10
04094 050 | São Paulo/SP | Brasil | Fone 55 11 3320 8900

Colaborando com a RAIZ