RAIZ 09

EU SOU O SAMBA

 

Depois da longa jornada desde a última edição impressa – em novembro de 2009 -, a Revista RAIZ. volta para seu berço de papel original, em versão editorial e gráfica renovadas. Pois não podíamos permanecer estanques, para honra de nossa identidade dinâmica.

Esse diferencial da nossa cultura popular, que mesmo sendo estigmatizada e esquecida desde sempre, permanece presente em nosso cotidiano e em nossa maneira de ser brasileiros. Afinal, como diz Adélia Borges: “a arte popular está sempre se renovando, não se estagnou.” Esse é o nosso trunfo como país que é a “bola da vez”; onde os estrangeiros querem morar e vender; onde a arte não se folclorizou no coreto das praças turísticas e que tão bem representa o seu povo, sua imagem e semelhança.

Essa virtude miscigenada e inquieta se potencializa pelas diversidades e distâncias continentais. E a RAIZ., cumprindo sua missão do fazer ver e consumir o popular de nossa cultura propõe, em sua nova fase, um acento em seu caráter multimeios. Se o Portal (www.revistaraiz.com.br) foi o guardião das pautas populares desde nosso início em 2005, agora a tecnologia dos smartphones, tablets e da própria Internet oferecem cenários cinematográficos.

A Revista RAIZ. assume o desafio de ser uma publicação completa, em meios impressos, eletrônicos e digitais; presente nas Redes Sociais; nas novas tecnologias; em forma de texto, TV e rádio; dentro da sua coerência editorial de revelar o Brasil escondido das grandes mídias.

Pois, embora “o orgulho de ser brasileiro” apareça como um slogan recorrente entre as marcas, não se materializa nos investimentos realizados por estas, nas iniciativas populares.

A RAIZ. quer ver e ouvir esse Brasil, que gera tanto interesse mundial a partir das nossas idiossincrasias locais. A decorrência é o desafio de se pautar uma nova edição frente às possibilidades. E mesmo com temáticas conhecidas como o samba, nos defrontamos com gratas surpresas. Re-encontrar a importância e elegância do samba rural paulista, pouco comentado desde Mario de Andrade, nos anos trinta, e Plínio Marcos, nos setenta. Observar as Velhas Guardas das Escolas de Samba buscar novos espaços para sua manifestação artística, uma vez expulsas das quadras, pela competição dos desfiles e dos novos gêneros musicais mais afeitos à promoção das mídias.

Mais surpresas vão surgindo no diálogo com os nossos atores culturais. Então, não importa, se é do índio ou sobre os índios; se o museu é no Recreio dos Bandeirantes na cidade maravilhosa ou na sala de estar do apartamento em São Paulo; se a festa é pagã em homenagem a um Santo, o Antônio; se a arte é de produção coletiva ou individual na insanidade lúcida do Ranchinho; se a escultura em um bloco de madeira são de animais ou de homens; se o samba é rural ou samba rock; nossas intenções fogem aos limites.

Nesse processo de descobertas vamos pontuando as figuras importantes para apresentar, guardar, documentar, disseminar. Valorizar os protagonistas e os objetos culturais que nos diferem e nos credenciam como uma cultura viva. Dando forma à tradição, múltiplos escultores são seus arquitetos. A RAIZ. quer dar palco e voz para nossa cultura popular.

Reguem essa RAIZ. em todos os meios onde ela, agora, se apresenta.

Boa diversão e interação.
Edgard Steffen Junior