Movimento Armorial e seus 50 anos de história no CCBB SP

Colaborando com a RAIZ

O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo realiza, de 20 de julho a 26 de setembro de 2022, a mostra “MOVIMENTO ARMORIAL 50 ANOS” criado e liderado pelo dramaturgo, professor, pintor e consagrado escritor Ariano Suassuna (1927-2014). A exposição reúne arte, encontros musicais e conversas sobre a arte Armorial, celebrando a sua meia década de existência em homenagem aos 95 anos de Ariano Suassuna. O projeto tem o patrocínio da BB Seguros, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

A mostra “MOVIMENTO ARMORIAL 50 ANOS” surgiu com um compromisso ousado: reapresentar ao público, sobretudo às novas gerações, a proposta singular e desafiadora de Ariano de criar, há pouco mais de cinco décadas, uma arte erudita a partir das mais autênticas e tradicionais manifestações artístico culturais populares do Nordeste e de outras regiões do país.

Concebida para marcar o cinquentenário do Movimento Armorial, comemorado em outubro de 2020, o projeto chega em São Paulo após ter passado pelo CCBB Belo Horizonte e Rio de Janeiro com enorme sucesso. Após São Paulo, a mostra MOVIMENTO ARMORIAL 50 ANOS segue para o CCBB Brasília.

Gilvan Samico Pe. Cícero Romão (Tríptico), 1974 - Óleo sobre aglomerado - Coleção UFPE
Gilvan Samico Pe. Cícero Romão (Tríptico), 1974 – Óleo sobre aglomerado – Coleção UFPE – Divulgação

Com curadoria de Denise Mattar e a coordenação geral de Regina Rosa de Godoy, a exposição denominada ARMORIAL 50 ANOS apresenta cerca de 140 obras de arte (a grande maioria nunca havia saído do Recife) em diversos formatos contando com artistas importantes para o Movimento Armorial, dentre eles o próprio Ariano Suassuna, Francisco Brennand, Gilvan Samico, Aluísio Braga, entre muitos outros artistas que fizeram parte deste importante movimento artístico lançado no Recife, em 18 de outubro de 1970. “A exposição é fiel à proposta de Ariano Suassuna, apresentando às novas gerações o trabalho pioneiro e engajado do autor, mostrando como ele propunha uma volta às raízes brasileiras, com profundo respeito à diversidade, às tradições de negros, índios e brancos, mas apresentando tudo de forma mágica, lúdica, e plena de humor — um humor que faz pensar. Uma lição de vida e de resultados positivos que devem ser mostrados para a sociedade polarizada na qual vivemos hoje”, afirma Denise Mattar.

Destaque na programação é a série Espetáculos de Música Armorial reúne músicos de altíssima qualidade e que atuam em variados estados brasileiros, que apresentam no palco novos, e os já consagrados, compositores de música Armorial. Da Paraíba, de Curitiba, do Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco.

“Eu comecei a ficar preocupado com a descaracterização da cultura brasileira. Pensei em reunir um grupo de artistas que atuassem em todas as áreas e que tivessem preocupações semelhantes às minhas para que nós, juntos, procurássemos uma arte brasileira erudita fundamentada nas raízes populares da nossa cultura. E, através dessa arte, a gente lutar contra esse tal processo de descaracterização da cultura brasileira”.
(Ariano Suassuna – em entrevista veiculada na Rede Globo Recife, em novembro de 2013).

CONHEÇA A EXPOSIÇÃO ANDAR POR ANDAR DO CCBB

A EXPOSIÇÃO
Ao entrar no CCBB São Paulo o público é recebido pela Onça Caetana, elemento cenográfico inspirado nos desenhos de Suassuna, e que é a anfitriã da exposição.

Organizada em núcleos, a mostra toma conta de todo o CCBB São Paulo. Em cada um deles foi definido um tratamento expográfico exclusivo que traz à tona a diversidade, as tradições e as mais representativas raízes da cultura popular nordestina, tal qual idealizado por Ariano Suassuna. E, conforme explicitado pela produtora Regina Rosa de Godoy, de forma mágica, lúdica e plena de humor.

A imersão do visitante no fascinante universo da arte Armorial começa no Quarto Andar, com o núcleo Ariano Suassuna, Vida e Obra, que traz uma completa cronologia ilustrada, livros e manuscritos do autor e vídeos de suas famosas aulas-espetáculos. Um mergulho cultural no fértil imaginário criativo do mestre. Nesta etapa, também ganha destaque o alfabeto sertanejo, criado com base na pesquisa Ferros do Cariri, uma Heráldica Sertaneja.

Iluminogravura assinada por Ariano Suassuna - Foto DIEGO ROCHA - Divulgação
Iluminogravura assinada por Ariano Suassuna – Foto Diego Rocha – Divulgação

O Terceiro Andar é dedicado aos figurinos criados pelo artista plástico pernambucano Francisco Brennand (1927-2019) para o filme A Compadecida (1969), primeiro longa-metragem dirigido por George Jonas baseado na consagrada peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Além de 12 desenhos realizados em nanquim aquarelado, são apresentados também figurinos dos cinco principais personagens da história. A indumentária da Compadecida é original do filme, já os figurinos do Palhaço, Diabo, João Grilo, e Emanoel – o Cristo Negro, foram recriados especialmente para a exposição pela figurinista Flávia Rossette. O público também poderá assistir cenas do filme A Compadecida, que reunia um elenco famoso na época, incluindo Antonio Fagundes, Armando Bógus e Regina Duarte, e fotos da filmagem realizada em Brejo da Madre de Deus, Pernambuco.

F. Brennand - figurino Auto da Compadecida
F. Brennand – figurino Auto da Compadecida

No Segundo Andar são apresentados os dois momentos do Movimento Armorial, a chamada Fase Experimental (1970-1974) e a Segunda Fase (1975 – 2000). “Fase Experimental” apresenta o início do movimento que foi lançado no dia 18 de outubro de 1970 com uma exposição de artes plásticas e uma apresentação da Orquestra Armorial. Entre os artistas plásticos desse período estão representados: Aluísio Braga, Fernando Lopes da Paz, Miguel dos Santos, Fernando Barbosa e Lourdes Magalhães.

Há, também, a Sala Especial Samico, um destaque dado pela curadoria da mostra, acentuando a coerência e permanência do trabalho de Gilvan Samico (1928-2013), alinhado desde os anos 1970 até 2013, aos princípios do Armorial. Muito conhecido por suas xilogravuras o artista também é representado na exposição por pinturas.

Neste módulo é também resgatado o trabalho da Orquestra e do Quinteto Armorial, grupos que atuaram com grande sucesso, criando uma música erudita com influência popular.

O premiado Quinteto Armorial teve como integrantes figuras consagradas da música, como o maestro, violonista e compositor Antônio José Madureira e o multiartista Antônio Carlos Nóbrega. O grupo gravou quatro LPs, discografia que a exposição revisita com capas de discos, além de fotos e instrumentos musicais.

Orquestra Armorial capa - 1975
Orquestra Armorial capa – 1975

A “Segunda Fase” do Movimento Armorial, também apresentada no Segundo Andar do CCBB SP, reúne as iluminogravuras de Ariano Suassuna, as litogravuras, cerâmicas e tapeçarias de sua esposa Zélia Suassuna, pinturas de Romero de Andrade Lima, de Manuel Dantas Suassuna, e espetáculos do Grupo de Dança Grial.

A palavra iluminogravura é um neologismo criado por Ariano Suassuna mesclando as palavras iluminura e gravura. Nesses trabalhos é possível ver uma faceta pouco conhecida de Ariano, o artista plástico, interagindo com o escritor. O autor produziu dois álbuns, cada um contendo dez pranchas: Sonetos com Mote Alheio (1980-84) e Sonetos de Albano Cervonegro (1985-87) que juntos formam uma autobiografia poética.

As Ilumiaras (outro neologismo criado por Suassuna) são locais de arte e cultura que foram implementados por Ariano quando Secretário da Cultura de Pernambuco. As Ilumiaras Acauhan, Jaúna, Zumbi, Coroada e Pedra do Reino são apresentadas através de painéis fotográficos.

A dança é retratada em fotos, figurinos e projeções, através do Balé Grial, criado por Ariano e pela bailarina e coreógrafa Maria Paula Costa Rêgo em 1997.

Ariano Suassuna s.t., 1985 - Óleo sobre madeira - Coleção Instituto e-Brasil
Ariano Suassuna s.t., 1985 – Óleo sobre madeira – Coleção Instituto e-Brasil – Divulgação

No Primeiro Andar está o módulo Armorial – Hoje e Sempre, reunindo produções de Cinema e TV, realizadas a partir das peças teatrais de Suassuna, como Farsa da Boa Preguiça, A Pedra do Reino, O Auto da Compadecida, e o espetáculo Lunário Perpétuo de Antônio Nóbrega.

No Subsolo o público se encantará com o módulo Armorial – Referências, contemplando a beleza das xilogravuras, assinadas, entre outros, por J.Borges, Mestre Noza e Mestre Dila, entre outros, e também a Cidade de Cordel, criada especialmente para a exposição por Pablo Borges, filho de J.Borges. Trata-se de um espaço instagramável que permite uma lúdica viagem pela cultura popular, com seus causos e singularidades.

Finalizando a exposição há referências a folguedos populares, como o Maracatu, o Reisado e o Cavalo-Marinho, reunindo máscaras, trajes, fotos, vídeos, estandartes e adereços. Importante lembrar que a mostra conta com obras de colecionadores particulares, artistas e instituições que disponibilizaram obras à exposição Movimento Armorial 50 Anos, como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), Oficina Brennand, Manuel Dantas Suassuna, Familia de Gilvan Samico, Diogo Cantareli, Maria Paula Costa Rêgo, J. Borges, Lourdinha Vasconcelos, entre outros.

Do preto e branco das xilogravuras, passando pelo multicolorido dos ornamentos e fantasias das festas populares e pelas coreografias das danças. Pelos ritmos dos cantos e da música, de sons de rabeca, pífano e viola. Pela sonoridade dos versos dos cordéis e dos cantadores. Todos os caminhos conduzem a uma experiência única. Uma trilha cultural sem fronteiras, como a ideia plantada, lá atrás, por Ariano e que, agora, chega revigorada, pouco mais de 50 anos depois, à exposição.

Matriz da xilogravura Dança de zabumba, de J. Borges - Foto DIEGO ROCHA - Divulgação
Matriz da xilogravura Dança de zabumba, de J. Borges – Foto Diego Rocha – Divulgação

A exposição oferece ainda outro presente para o público: quem quiser pode fazer o tour pela exposição ouvindo duas horas de musical Armorial acessando o código QR localizado em alguns lugares da mostra. A playlist está no Spotify do Banco do Brasil e oferece o espectador mergulhar ainda mais no eclético, múltiplo e fantástico universo do Movimento criado, em 1970, por Ariano Suassuna. Só conferir no link abaixo:

ACESSIBILIDADE
A exposição Movimento Armorial 50 Anos segue padrões de acessibilidade e inclusão. Contará com audioguia bilíngue e com recursos do aplicativo Musea, plataforma de conteúdo voltado para exposições, que permite uma melhor inserção nos conteúdos, com audiodescrição, visita em libras, além de trazer mais informações, como curiosidades e visitas virtuais.

SOBRE DENISE MATTAR
Denise Mattar é uma das mais premiadas curadoras da atualidade. Exerceu o cargo de diretora técnica de instituições culturais, como o Museu da Casa Brasileira (1985-1987), o Museu de Arte Moderna de São Paulo (1987-1989) e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1990-1997). Desde 1997, atua como curadora independente, tendo recebido ao longo dos anos quatro prêmios da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e dois prêmios ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte). Aceitou o convite de Regina Godoy para este desafio de retratar o Movimento Armorial, com seus animais fantásticos e toda sua pluralidade.

SOBRE REGINA GODOY
Idealizadora da mostra Movimento Armorial 50 Anos Regina Rosa de Godoy marca com esta exposição 30 anos de atuação na gestão e produção cultural e 20 anos da parceria com a curadora Denise Mattar. Especializada na realização de eventos de especial importância para a arte brasileira, viabiliza ações criativas e transformadoras nas mais diversas linguagens, atendendo expressivas Instituições do segmento no país. Em parceria com o CCBB tem realizado ao longo de 15 anos eventos nas áreas de Dança, Música, Teatro, palestras sobre Filosofia e Arte e exposições de arte

Carlos, Denise, Dantas, Regina, Ricardo / Foto: Cris Dias
Os realizadores da exposção: Carlos, Denise, Dantas, Regina, Ricardo / Foto: Cris Dias – Divulgação

SERVIÇO

“MOVIMENTO ARMORIAL 50 ANOS”
Links: vídeo release: https://drive.google.com/drive/folders/1R9uWEkw86r3gl92NRO3HaKya-fxNt_je?usp=sharing
Tour virtual: https://tourvirtual360.com.br/armorial/
Período da Exposição: de 20 de julho a 26 de setembro de 2022
Entrada gratuita – Ingressos disponíveis em: https://www.eventim.com.br/ ou presencialmente na bilheteria do CCBB
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico de São Paulo.
Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças.
Entrada acessível: Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras
pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.

Estacionamento Conveniado e Traslado de Vans: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento. No trajeto de volta, tem parada na estação República do Metrô. As vans funcionam entre 12 e 21h.

Transporte Público: O Centro Cultural Banco do Brasil fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista

Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m)

Mais informações: (11) 4297-0600
bb.com.br/cultura | twitter.com/ccbb_sp | facebook.com/ccbbsp | instagram.com/ccbbsp / ccbbsp@bb.com.br

Colaborando com a RAIZ