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Festa Literária das Periferias abre programação de 2026 celebrando literatura, memória e a cidade

A literatura que ganha voz nas ruas, ocupa os palcos, atravessa corpos e transforma territórios. É com esse espírito que a Festa Literária das Periferias (Flup) abre sua programação de 2026, no próximo dia 22 de junho, no Teatro Carlos Gomes, no centro do Rio de Janeiro.

A noite reúne lançamentos de livros, intervenções poéticas, apresentações musicais, performances e encontros que antecipam os temas e as experiências que marcarão a 16ª edição do festival.

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, a Flup consolidou-se como uma das mais importantes plataformas dedicadas à literatura, à formação artística e ao pensamento negro, periférico e LGBTQIA+ no Brasil. Ao longo de sua trajetória, o projeto ajudou a revelar novos autores, ampliou o acesso à leitura e criou espaços de circulação para vozes historicamente afastadas dos grandes circuitos culturais.

A edição de 2026 terá como tema “As Filhas das Filhas das Filhas”, uma reflexão sobre as mulheres negras que vêm transformando a sociedade brasileira a partir da educação, da cultura e das conquistas sociais das últimas décadas. A escritora Ana Maria Gonçalves, autora de Um Defeito de Cor e primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras, será a homenageada desta edição.

Entre os dias 23 e 27 de setembro, a Flup ocupará o Teatro Carlos Gomes e diversos espaços da Praça Tiradentes com uma programação gratuita que mistura literatura, música, teatro, rodas de conversa, performances, slam, voguing, experiências comunitárias e processos formativos desenvolvidos ao longo do ano.

A abertura de junho já oferece uma amostra dessa diversidade. O encontro celebra uma literatura que ultrapassa as páginas dos livros e encontra novas formas de existência na oralidade, na música, na performance e na convivência coletiva.

Um dos eixos centrais da programação é a homenagem à intelectual, crítica literária e professora Heloisa Teixeira, uma das fundadoras da Flup e criadora da Universidade das Quebradas, projeto da UFRJ dedicado ao diálogo entre universidade, artistas e produtores culturais das periferias. A celebração marca também os 50 anos da histórica antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloisa em 1976 e considerada um dos marcos da chamada geração mimeógrafo.

Esse legado inspira um dos novos processos formativos da Flup: o Happening Conceição Quebradeira, realizado em parceria com a Universidade das Quebradas. Durante três meses, jovens escritores e artistas participarão de oficinas de poesia falada, escrita criativa, performance e intervenção urbana. O resultado será apresentado durante a abertura oficial do festival, em setembro, em uma grande ação artística coletiva inspirada na obra de Conceição Evaristo.

A herança da geração mimeógrafo foi reinventada nas periferias por meio dos saraus, slams, poemas-cartazes e intervenções urbanas. São formas de fazer a literatura sair do livro e encontrar o corpo, a rua e a cidade“, afirma Julio Ludemir, um dos fundadores da Flup.

A programação de abertura também contará com a participação dos poetas Chacal e Bruna Mitrano, representantes de diferentes gerações da poesia brasileira, conectadas pela trajetória intelectual de Heloisa Teixeira.

Outro destaque da noite será o lançamento de quatro livros surgidos a partir de processos de formação e pesquisa realizados pela Flup ao longo de 2025. Entre eles está A Cara do Meu Pai, obra infantil das autoras Nayla de Oliveira e Letícia Moreno; Um Rio de Resistências, que recupera trajetórias de mulheres negras fundamentais para a história do Rio de Janeiro; a coletânea Mora na Filosofia, inspirada no universo do samba; e Lata d’Água na Cabeça, resultado de oficinas realizadas com estudantes da Educação de Jovens e Adultos da Grande Madureira.

Ao longo de 16 edições, a Flup reuniu mais de 1.300 escritores e intelectuais do Brasil e do exterior, publicou dezenas de livros e impactou milhares de estudantes da rede pública. Mais do que um festival literário, tornou-se um espaço permanente de formação, produção de conhecimento e circulação de novas narrativas.

A abertura da programação de 2026 reafirma essa vocação: transformar a literatura em experiência coletiva e fazer da cidade um território de encontro, memória, criação e celebração.

A 16ª Flup é apresentada pelo Ministério da Cultura, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro/Secretaria Municipal de Cultura e Shell. Tem patrocínio master da Shell, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O apoio é da Fundação Ford, Hawthornden Foundation e British Council. Realização: Suave, Associação Na Nave, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Serviço

Abertura da Programação Flup 2026

Data: 22 de junho de 2026
Local: Teatro Carlos Gomes – Rio de Janeiro
Entrada: Gratuita

Informações: @vempraflup
www.vempraflup.com.br