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É Tudo Nosso! leva arte periférica ao Festival ArteRua em São Paulo

Segunda edição do projeto reúne música, dança, poesia, artes visuais, literatura, moda e performance no Espaço Cultural CITA, com programação construída pelos próprios participantes.

A produção cultural das periferias não se limita à criação artística. Também envolve permanência, formação, identidade, trabalho e a construção de espaços próprios de expressão. É a partir dessa perspectiva que a coletiva É Tudo Nosso! realiza, em 3 de outubro, a 2ª Mostra É Tudo Nosso!: Festival ArteRua, no Espaço Cultural CITA, em São Paulo. Gratuito e com classificação livre, o evento reúne música, dança, poesia, artes visuais, grafite, literatura, moda e performance.

O festival encerra a segunda edição do projeto de formação É Tudo Nosso: Base, Coletividade e Compromisso, idealizado pela produtora cultural Nicoly Soares. Diferentemente da primeira edição, mais concentrada na formação teórica, o novo percurso aproximou os participantes da prática, envolvendo-os na produção de eventos e no desenvolvimento de ferramentas para suas trajetórias profissionais.

A formação foi organizada em três etapas. Em Base, os participantes participaram de dez encontros online sobre produção executiva e comercial, mídias sociais, produção de eventos e elaboração de projetos para editais. Em Coletividade, os conhecimentos foram colocados em prática na realização de três eventos nos territórios, acompanhados por processos de avaliação. Agora, em Compromisso, a própria turma assume a produção e condução do Festival ArteRua.

O processo também passou pela realização de três eventos que ajudaram a construir a programação da mostra. Rebrotaê reuniu poesia, literatura, dança e discotecagem. Vozes em Travessia teve o corpo como eixo, com dança e performance. Já Traços da Periferia concentrou-se nas artes visuais. No ArteRua, essas experiências se encontram em uma programação que reúne diferentes linguagens e trajetórias.

Para Jahmaico, artista e participante do projeto, o festival nasce justamente dessa experiência coletiva e das dificuldades enfrentadas por artistas e produtores independentes das periferias.

A programação começa às 15h, com abertura e música ambiente, seguida de sarau com microfone aberto. Ao longo da tarde e da noite, estão previstos pocket shows de Coka e Monna Brutal, performance Vogue da House of Dengo, DJ set de DJ Lensly e apresentação de Dancehall com Jahmaico, A Pretaa e Mya Akoma. Coka também será responsável pelo encerramento da programação artística.

As artes visuais estarão presentes durante todo o evento, com trabalhos de SKUJ, Enilis Romã, SBA e participantes da oficina Traços da Periferia. A mostra terá ainda um espaço dedicado à economia criativa, com livros de Nicoly Soares, além de produtos do Brechó Subversivo e da Papoulas Joias e Bijus.

Para as crianças, o coletivo Culture Roots Hifi realiza atividades de recreação relacionadas à permacultura. O evento contará também com tradução simultânea em Libras durante toda a programação.

Sba Da Silva - divulgação
Sba Da Silva – divulgação

Formação que desemboca na prática

A curadoria do festival é assinada por Coka, Érika, Michael e Yasmin, considerando a diversidade e a qualidade dos trabalhos selecionados e sua relação com o percurso desenvolvido pelo grupo. Participantes das curadorias dos eventos anteriores — entre eles Enilis, Mayara, Alexia, Renata Guará, Armr’ore, Tatiane, Amanda Paiva (Entidade Ruiva), Gabi Marques, Misti e Tamiris Ciríaco — também integram essa trajetória.

Entre os participantes da formação estão Armr’Ore Erormray, Clara Okada (Coka), Enilis Romã, Entidade Ruiva, Érica Nascimento, Gabi Marques, Jahmaico, Misti, May Leonel, Mirta Lisboa, Niky Ars, SBA, Tamiris Ciríaco, Tatiane Alves e Yasmin Prado.

Para Tatiane Alves, a realização do festival representa o resultado de um processo que passa pelo reconhecimento de experiências compartilhadas entre os participantes e pela criação de instrumentos para permanecer trabalhando com arte.

A proposta da É Tudo Nosso! parte justamente dessa aproximação entre formação e prática. Ao compartilhar conhecimentos sobre produção cultural e elaboração de projetos, o programa busca contribuir para que artistas e trabalhadores da cultura possam desenvolver suas próprias iniciativas nos territórios onde vivem e atuam.

Ale Barreto, integrante do projeto, resume essa perspectiva ao defender uma produção cultural de quebrada baseada no compromisso com quem faz arte e cultura nesses territórios.

No Festival ArteRua, esse processo deixa o ambiente de formação e chega ao público. Os participantes assumem diferentes funções na produção, na curadoria e na programação artística, transformando os conhecimentos adquiridos ao longo do projeto em uma experiência cultural aberta à comunidade.

Pietra de ofá - divulgação
Pietra de ofá – divulgação

Serviço

2ª Mostra É Tudo Nosso!: Festival ArteRua
Data: 3 de outubro
Horário: das 15h às 21h
Local: Espaço Cultural CITA
Endereço: Rua Aroldo de Azevedo, 20, Jardim Bom Refúgio, São Paulo (SP)
Entrada: gratuita
Classificação: livre
Acessibilidade: espaço kids e tradução simultânea em Libras

Programação

15h – Abertura | Música ambiente
15h25 – Sarau + microfone aberto
16h05 – Pocket show | Coka
16h30 – Performance Vogue | House of Dengo
18h20 – Pocket show | Monna Brutal
18h55 – DJ Set | DJ Lensly
19h50 – Dancehall | Jahmaico + A Pretaa + Mya Akoma
20h50 – Encerramento | Coka

Hattauana Tobias - foto @jhony.tavares
Hattauana Tobias – foto @jhony.tavares