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Iphan reconhece novos bens como Patrimônio Cultural do Brasil

Conselho Consultivo aprovou o registro do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, em Guaratinguetá, e o tombamento da Capela do Cristo Operário, em São Paulo. Quilombo Ferreira Diniz e duas manifestações culturais também foram contemplados na reunião.

O patrimônio cultural brasileiro ganhou novos reconhecimentos em 22 de setembro, durante a 114ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Entre as decisões estão o registro do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, em Guaratinguetá (SP), e o tombamento da Capela do Cristo Operário, na capital paulista.

Na mesma reunião, o Conselho declarou o tombamento do Quilombo Ferreira Diniz, localizado no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, e revalidou os registros do Fandango Caiçara e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, realizada em Barbalha (CE). As deliberações abrangem diferentes dimensões da memória brasileira, das tradições religiosas e populares aos espaços ligados à história social e às comunidades quilombolas.

Quilombo Ferreira Diniz: memória e resistência

Localizado no bairro da Glória, na cidade do Rio de Janeiro, o Quilombo Ferreira Diniz é o primeiro quilombo do estado tombado pelo Iphan, conforme a Portaria nº 135/2023. O reconhecimento formaliza sua inscrição no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, destinado a reunir bens relacionados à presença e à trajetória das comunidades quilombolas.

O quilombo é mais do que um espaço de moradia. Constitui um lugar de memória, convivência e transmissão de saberes, marcado pela resistência e pela afirmação da identidade afro-brasileira. Seu tombamento reconhece a importância histórica e cultural desse território e de sua relação com a trajetória da população negra no país.

Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito: fé e tradição tropeira

Em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba paulista, o Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito será inscrito no Livro de Registro das Celebrações. Realizada anualmente no Domingo de Páscoa, a manifestação reúne cerca de dois mil cavaleiros que percorrem as ruas da cidade.

A celebração articula duas tradições profundamente presentes na formação cultural da região: o tropeirismo, atividade de transporte de mercadorias em tropas que marcou a vida rural do Vale do Paraíba, e a devoção afro-católica. O cortejo mantém viva essa combinação de práticas, religiosidade e memória coletiva, transmitida ao longo das gerações.

Cavalaria de S. Gonçalo e S. Benedito - foto Alberto Lefèvre - Iphan
Cavalaria de S. Gonçalo e S. Benedito – foto Alberto Lefèvre – Iphan

Capela do Cristo Operário: patrimônio da história do trabalho

O Conselho também aprovou o tombamento da Capela do Cristo Operário, em São Paulo. Remanescente da antiga Fábrica Unilabor, a edificação é considerada um importante lugar de memória da história social e industrial da cidade, assim como do movimento operário paulistano entre as décadas de 1930 e 1950.

A capela será inscrita no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes, reconhecendo tanto sua relevância para a compreensão da história da cidade quanto seu valor artístico e arquitetônico.

Revalidação de registros culturais

A reunião incluiu ainda a revalidação dos registros do Fandango Caiçara e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha, no Ceará. A medida integra o acompanhamento dos bens culturais registrados pelo Iphan e reafirma a continuidade dos processos de reconhecimento e salvaguarda dessas manifestações.

Mais informações: www.iphan.gov.br