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72ª Feira do Livro de Porto Alegre destaca escritoras e amplia diálogo com autores

De 30 de outubro a 15 de novembro, Praça da Alfândega recebe Aline Bei, Monja Coen, Márcia Tiburi, Rita Von Hunty, Elisa Lucinda, Cidinha da Silva, Marcelino Freire e convidados de outros países.

A literatura contemporânea, as experiências de mulheres e a diversidade de perspectivas sobre o mundo estão entre os eixos da programação principal da 72ª Feira do Livro de Porto Alegre, que acontece de 30 de outubro a 15 de novembro, na Praça da Alfândega. Entre os nomes confirmados estão Aline Bei, Monja Coen, Márcia Tiburi e Rita Von Hunty, além da patrona Heloisa Pires Lima, escritora, antropóloga e educadora que é a primeira mulher negra a ocupar a função na história da Feira.

A programação reúne autores e artistas de diferentes gerações e países, aproximando literatura, memória, identidade, questões sociais, comportamento e cultura contemporânea. Entre os convidados internacionais estão Filipa Fonseca da Silva, Laura Ortiz Gomez, Hanan Kattan, Moshtari Hilal, Neige Sinno, José Eduardo Agualusa, Ernesto Picco e Afonso Cruz.

Com o conceito “Essência que faz histórias”, a edição de 2026 retoma a relação construída entre a Feira e Porto Alegre ao longo de mais de sete décadas. Também fazem parte da programação nomes como Elisa Lucinda, Jessé Souza, Cidinha da Silva, Noemi Jaffé, Nei Lopes, Marcelino Freire, Milly Lacombe, Clóvis de Barros Filho e Jefferson Tenório, patrono da 66ª edição, realizada em 2020.

Alguns dos convidados participarão ainda de encontros com estudantes. A programação contempla também o público infantil e juvenil, incluindo uma agenda dedicada ao universo dos animes.

Literatura, experiência feminina e resistência

Um dos primeiros destaques da programação principal é o encontro “A Literatura Poética como forma de resistência”, marcado para 31 de outubro, com Aline Bei e mediação da escritora Julia Dantas.

Autora de O peso do pássaro morto, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, e Pequena coreografia do adeus, finalista do Prêmio Jabuti, Aline Bei desenvolveu uma escrita em que prosa, poesia e ritmo se misturam. Infância, perda, relações familiares e experiência feminina aparecem em uma linguagem fragmentada, marcada também pela exploração das possibilidades formais da narrativa.

A conversa propõe discutir a literatura como instrumento de elaboração de experiências e de criação de novas formas de expressão. Julia Dantas, autora de A mulher de dois esqueletos, conduz o encontro.

Outro momento da programação é “Palavras para acalmar o mundo”, com Monja Coen e mediação da jornalista Tânia Carvalho. Jornalista de formação e monja zen-budista ordenada no Japão, Coen aproxima em sua trajetória espiritualidade e questões da vida cotidiana.

O encontro parte de temas como tempo, afetos, convivência e recomeço, além de discutir consciência, compaixão e presença a partir da experiência da prática budista.

Narrativas negras e experiências de território

As experiências negras também estarão em discussão no painel “Vamos falar sobre empoderamento racial?”, com Stefano Volp e Eliseu Banori, sob mediação de Eduardo Peixoto.

A conversa parte dos livros Santo de casa, de Volp, e Numa manhã de junho, de Banori, para abordar vulnerabilidade, afetividade e os estereótipos relacionados ao homem negro. No caso de Banori, a discussão também incorpora as marcas de uma infância atravessada pela guerra civil na Guiné-Bissau.

A literatura aparece, nesse contexto, como espaço para ampliar narrativas sobre experiências que muitas vezes são reduzidas a representações estereotipadas, incorporando diferentes territórios, histórias e dimensões da vida social.

Memória e território palestino

A programação internacional inclui ainda o painel “Palestina Revelada”, com Hanan Kattan, autora da obra homônima, Mariana Dawas e mediação de Nanni Rios. O encontro está marcado para 2 de novembro e será seguido de sessão de autógrafos.

Publicado no Brasil pela Carta Editora, Palestina Revelada é uma obra de não ficção que aborda, a partir da perspectiva da autora, acontecimentos históricos e mecanismos políticos relacionados ao deslocamento e à perda de território dos palestinos.

A discussão deverá tratar de memória, território e narrativa histórica, além da maneira como acontecimentos relacionados à Palestina foram registrados e apresentados ao longo das últimas décadas. Produtora cinematográfica, comunicadora e uma das criadoras do The Enlightenment Podcast, Hanan Kattan estará no Brasil para o lançamento da edição em português, apresentada como a primeira tradução da obra para outro idioma.

Mais do que concentrar a programação em nomes conhecidos, a Feira articula diferentes campos da produção literária e do pensamento contemporâneo. A presença de escritoras, autores negros, convidados internacionais e atividades voltadas a estudantes e jovens leitores amplia o espaço de circulação de diferentes experiências dentro de um evento que faz parte da paisagem cultural de Porto Alegre há mais de 70 anos.

Serviço

72ª Feira do Livro de Porto Alegre
Data: 30 de outubro a 15 de novembro de 2026
Local: Praça da Alfândega – Porto Alegre (RS)
Conceito: “Essência que faz histórias”
Entrada: gratuita

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