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Jogos Indígenas do Xingu chegam ao Recife em fotos de Alexandre Baena

Jogos Indígenas do Xingu chegam ao Recife em exposição que celebra ancestralidade, esporte e identidade cultural.

O Recife recebe, a partir de 16 de junho, a exposição “Jogos Indígenas do Xingu – Rituais pela Vida Ancestral”, do fotógrafo, cineasta e documentarista paraense Alexandre Baena.

Em cartaz no Centro Cultural Cais do Sertão, a mostra reúne imagens que registram a força simbólica, a beleza estética e a dimensão coletiva dos Jogos Indígenas do Xingu, um dos mais importantes encontros culturais e esportivos dos povos originários da Amazônia brasileira.

A exposição apresenta ao público um mergulho visual nos rituais, celebrações e competições que mobilizam diversas etnias da região do Médio Xingu, no Pará. Mais do que eventos esportivos, os jogos constituem momentos de reafirmação identitária, transmissão de saberes ancestrais e fortalecimento dos vínculos entre comunidades indígenas.

Após passagem pela Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, onde integrou a programação da Virada Cultural 2026, a mostra chega agora à capital pernambucana. Instalado no Recife Antigo, o Cais do Sertão — reconhecido como um dos museus mais inovadores do país — torna-se cenário para um diálogo entre diferentes matrizes culturais brasileiras, aproximando o universo indígena amazônico da rica tradição cultural nordestina.

As fotografias foram produzidas durante a edição dos Jogos Indígenas realizada em Altamira, às margens do Rio Xingu, em julho de 2025. Durante quatro dias, mais de 900 atletas indígenas participaram de provas tradicionais e apresentações culturais que reuniram povos Arara, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Xikrin, Kayapó, Parakanã, Araweté, Juruna e outras etnias convidadas.

Jogos Indígenas do Xingu – rituais pela vida ancestral - reprodução
Jogos Indígenas do Xingu – rituais pela vida ancestral – reprodução

As modalidades esportivas incluem arco e flecha, arremesso de lança, corrida de bastão, cabo de força, tiro ao alvo, corridas de velocidade, canoagem, futebol e natação. Cada disputa carrega significados que ultrapassam a competição, funcionando como expressão da memória coletiva e das formas ancestrais de organização social.

Para Alexandre Baena, o desafio foi traduzir visualmente a intensidade dos encontros. Muitas atividades aconteceram durante a noite, exigindo soluções técnicas para registrar o movimento, a energia dos participantes e a atmosfera ritualística dos eventos.

“O contraste entre a escuridão da noite e a força dos movimentos produziu imagens que se aproximam de pinturas. São registros que documentam não apenas uma competição, mas uma experiência coletiva profundamente ligada à identidade dos povos indígenas”, afirma o fotógrafo.

A exposição integra a extensa trajetória de Baena na documentação de manifestações culturais brasileiras. Nos últimos anos, o artista percorreu as cinco regiões do país com projetos dedicados a eventos como o Círio de Nazaré, a Marujada de Bragança, o Sairé de Santarém e o Festribal de Juruti. Em 2025, uma de suas mostras foi apresentada na programação cultural da COP30, em Belém.

Agora, com “Jogos Indígenas do Xingu – Rituais pela Vida Ancestral”, o fotógrafo amplia esse trabalho de preservação da memória visual brasileira, revelando ao público a potência cultural, espiritual e humana dos povos do Xingu.

A exposição permanece aberta para visitação até 24 de julho de 2026, com entrada gratuita.

Serviço

Jogos Indígenas do Xingu – Rituais pela Vida Ancestral
Fotografias de Alexandre Baena

Abertura: 16 de junho de 2026, às 15h
Visitação: até 24 de julho de 2026
Local: Centro Cultural Cais do Sertão
Endereço: Recife Antigo – Recife (PE)
Entrada: gratuita