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Semana de Artes de Cataguases dialoga com a memória, identidade e patrimônio cultural

A histórica cidade de Cataguases, em Minas Gerais, volta a afirmar sua vocação como um dos mais importantes polos culturais do país com a realização da segunda edição da Semana de Artes de Cataguases.

Entre os dias de programação gratuita, exposições, performances, espetáculos, oficinas, mostras audiovisuais e intervenções artísticas ocupam museus, praças, escolas e espaços públicos da cidade que revelou nomes fundamentais da cultura brasileira, como o cineasta Humberto Mauro.

Com o tema “Por uma perspectiva decolonial: Ancestralidade como ponte para novos futuros”, a edição de 2026 propõe um encontro entre memória, identidade, patrimônio cultural e criação contemporânea. Ao reunir artistas visuais, cineastas, músicos, performers, pesquisadores e representantes de povos originários, o evento convida o público a refletir sobre os vínculos entre tradição e inovação, valorizando saberes ancestrais como ferramentas para imaginar novos horizontes culturais.

A presença indígena constitui um dos eixos centrais da programação. Artistas e representantes dos povos Puri e Pataxó conduzem performances, oficinas, apresentações musicais e experiências de caráter ritualístico que ampliam o diálogo sobre pertencimento, espiritualidade, território e resistência cultural. Mais do que homenagear tradições, a Semana busca evidenciar a vitalidade desses conhecimentos no contexto artístico contemporâneo.

Em sintonia com o Dia do Cinema Brasileiro, celebrado neste período, o audiovisual ocupa lugar de destaque. A programação reúne lançamentos de curtas-metragens produzidos na Zona da Mata mineira pela Fábrica do Futuro e pelo curso de Cinema de Animação da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), reafirmando a potência da produção regional e sua contribuição para a preservação da memória cultural brasileira.

Entre os destaques estão três animações inéditas inspiradas em personagens fundamentais da cultura nacional: o compositor Ary Barroso, o cineasta Humberto Mauro e a cantora Maria Alcina. Desenvolvidos pelo projeto Fábrica do Futuro – Laboratório.2C, os filmes utilizam diferentes técnicas de animação para traduzir visualmente a singularidade de cada trajetória. A história de Humberto Mauro ganha vida por meio do stop motion; Ary Barroso é retratado em uma narrativa construída com colagens e animação digital; enquanto Maria Alcina surge em uma combinação de animação 2D e rotoscopia. Juntas, as obras estabelecem uma ponte entre patrimônio cultural, inovação tecnológica e novas formas de narrar a história brasileira.

@ryaladryanapetara e @giselefsilver - Semana de Arte de Cataguazes - reprodução
@ryaladryanapetara e @giselefsilver – Semana de Arte de Cataguazes – reprodução

Os filmes são resultado do trabalho realizado no Estúdio-Escola Animaparque, núcleo criativo que reúne estudantes, artistas e profissionais do audiovisual em processos colaborativos de formação e produção. O espaço se consolidou como uma importante plataforma de desenvolvimento cultural na Zona da Mata mineira, fortalecendo talentos locais e ampliando o acesso à linguagem da animação.

A programação também reforça o papel histórico de Cataguases como território de experimentação artística. A cidade, reconhecida nacionalmente por sua contribuição ao modernismo brasileiro e ao cinema nacional, transforma-se novamente em palco para experiências que articulam arte, patrimônio e participação comunitária.

A abertura da Semana de Artes acontece com três exposições na Galeria de Experimentação do Museu Energisa. A mostra Mitologia Estendida, assinada por Ângelo Pixel, Auá Mendes e Cláudio Santos, utiliza recursos de realidade aumentada e realidade mista para criar uma experiência transmidiática inspirada em memórias ancestrais e nas relações entre natureza, identidade e território. O espaço recebe ainda uma exposição coletiva de artistas cataguasenses — Alcione Martins, Luiz Leitão e Guto Mattos — e uma individual do artista português radicado no Brasil David Arranhado, que realizará uma ação de live painting durante a abertura.

No anfiteatro Ivan Müller Botelho, a programação segue com o espetáculo Solo Pulso Ancestral, da bailarina Tatiane Dias, e com a performance-ritual Txori Peo, Mata Clama, do artista indígena Hiram Apon Puri. A obra propõe uma imersão poética nas memórias da Mata Atlântica a partir da visão de mundo do povo Puri, ampliando as reflexões sobre ancestralidade e preservação dos territórios.

Mais do que uma agenda de apresentações, a Semana de Artes de Cataguases reafirma a cultura como espaço de encontro entre passado e futuro. Ao valorizar artistas locais, patrimônios simbólicos, narrativas indígenas e novas linguagens criativas, o evento fortalece a conexão entre memória coletiva e inovação, consolidando Cataguases como um território onde a arte continua a reinventar a identidade brasileira.

reprodução

Serviço

II Semana de Artes de Cataguases – Ancestralidade como Ponte para Novos Futuros
Local: Cataguases (MG)
Entrada gratuita
Programação: exposições, performances, cinema, oficinas, espetáculos e atividades formativas em diversos espaços culturais da cidade.