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Livro revive a história de uma das mais importantes galerias de arte de São Paulo

Colaborando com a RAIZ

Galeria de Arte São Luís: 1959-1966, do pesquisador José Armando Pereira da Silva, é um mergulho fascinante na história e nos bastidores de uma das mais importantes galerias de arte do Brasil com centenas de exposições realizadas que marcaram época.

Instalada no número 130 da Avenida São Luís, na época um eixo privilegiado de moradia e comércio, a Galeria de Arte São Luís teve atuação marcante e reconhecimento pela programação ininterrupta, pelo êxito e importância de algumas exposições e pelo acolhimento que oferecia.

O livro é composto por reproduções das obras, convites e catálogos de cada exposição. Detalhando informações, serão encontradas resenhas de cada exposição com um esboço biográfico dos expositores, sua formação, histórico de suas obras e o desdobramento de suas carreiras.

De setembro de 1959 a dezembro de 1966, a Galeria São Luís promoveu 120 exposições, sendo 114 individuais (se apresentaram noventa artistas, o que significa que alguns se apresentaram mais de uma vez) e seis coletivas, com presença de artistas de quatro gerações: os modernistas, a geração pós-modernista, conhecida a partir dos anos 1930, a geração dos anos 1950 com o abstracionismo dominante, e os novos, estreantes nos anos 1960.

A programação da galeria se destacava também por ter uma participação feminina significativa, que ultrapassava limitações então remanescentes em outros campos profissionais. Às mulheres foram dedicadas 21 das 114 exposições individuais, e mais trinta artistas estão incluídas nas seis exposições coletivas organizadas pela galeria, sendo que na exposição inaugural elas ocuparam praticamente a metade do espaço em relação aos homens.

A Galeria São Luís mostrou sensibilidade às tendências do movimento artístico da época pelas escolhas e abrangência da programação, fazendo da galeria uma instância de reconhecimento respeitada e peça-chave do modernismo brasileiro dos anos 1960. Revelou ao mercado de arte brasileiro diversas exposições e lançamentos de importantes artistas como Di Cavalcanti, Antonio Bandeira e Mira Schendel. Tomie Othake (1913-2015), Tomoshige Kuzuno e Flávio Shiró Tanaka representam os imigrantes japoneses anteriores à Segunda Guerra e cuja formação artística ocorreu no Brasil.

Temos material inédito sobre a galeria e sobre o fundador Ernesto Wolf (1918-2003), que também foi um dos iniciadores da Bienal de Artes de São Paulo. Podemos organizar uma entrevista com Luigi Fiocca, filho da diretora da galeria Anna Maria Fiocca (1913-1994), e, claro, com o pesquisador e autor José Armando Pereira da Silva.

Galeria de Arte São Luís: 1959-1966

Durante sete anos, entre 1959 e 1966, funcionou a Galeria de Arte São Luís, fundada pelo empresário e colecionador Ernesto Wolf (1918-2003), que também foi um dos iniciadores da Bienal de Artes de São Paulo. Com Anna Maria Fiocca (1913-1994) como gerente-geral, abrigou diversas exposições e lançamentos de importantes artistas brasileiros, tornando-se responsável por divulgar artistas como Di Cavalcanti, Antonio Bandeira e Mira Schendel. Tomie Othake (1913-2015), Tomoshige Kuzuno e Flávio Shiró Tanaka representam os imigrantes japoneses anteriores à Segunda Guerra e cuja formação artística ocorreu no Brasil.

Instalada no número 130 da Avenida São Luís, eixo privilegiado de moradia e comércio no centro de São Paulo, a galeria teve atuação marcante e reconhecimento pela programação ininterrupta, pelo êxito e importância de algumas exposições e pelo acolhimento que oferecia, a ponto de fixar memórias, como a do marchand Ralph Camargo, que se recordava anos mais tarde: “Até hoje não existe uma galeria com o charme da São Luís. Ali vi grandes exposições, como a de Sérgio Camargo.”

Com uma pesquisa consolidada, Galeria de Arte São Luís: 1959-1966, do pesquisador José Armando Pereira da Silva, dá continuidade à investigação sobre o mercado de arte em São Paulo, que ele iniciou em Artistas na Metrópole – Galeria Domus, 1947 a 1951.

José Armando esteve presente na inauguração da Galeria São Luís naquele 18 de setembro de 1959. Ao “viajar” em suas memórias, o autor reconstrói a história com uma visão ampla e detalhada da importância da galeria no contexto social e artístico de uma São Paulo em franco despertar. Seu escopo não se dava pelo imediatismo comercial restringindo a programação a determinada tendência ou a nomes consagrados. Acolheu novos artistas, outros de menor notabilidade, além de visitantes de outros estados e de outros países que aqui aportaram praticamente desconhecidos. Se notabilizou também por lançamentos de livros e outros eventos culturais.

Galeria de Arte São Luís: 1959-1966 é composto por reproduções das obras, convites e catálogos de cada exposição. Essa apresentação é em sequência cronológica, com exceção para os casos em que o artista se apresentou mais de uma vez na galeria, sendo as exposições resenhadas em conjunto, e para dois casos em que não foram encontrados nenhuma referência posterior à exposição na São Luís. Detalhando informações, serão encontradas resenhas de cada exposição com um esboço biográfico dos expositores, sua formação, histórico de suas obras e o desdobramento de suas carreiras.

De setembro de 1959 a dezembro de 1966, a Galeria São Luís promoveu 120 exposições, sendo 114 individuais (se apresentaram noventa artistas, o que significa que alguns se apresentaram mais de uma vez) e seis coletivas, com presença de artistas de quatro gerações: os modernistas, a geração pós-modernista, conhecida a partir dos anos 1930, a geração dos anos 1950 com o abstracionismo dominante, e os novos, estreantes nos anos 1960, cobrindo um período que se inicia

com a consagração de abstracionismo informal na 5ª Bienal. Dos noventa artistas que se apresentaram individualmente, 79 são locais e onze são visitantes vindos de diversos países: da França, André Bloc, Félix Labisse e Johnny Friedlaender; da Alemanha, Rico Blass; da Áustria, Mella Salm; de Portugal, Antônio Santiago Areal; da Argentina, Angel Cavalieri e Kasuya Sakai; do Japão, Tatsuo Arai; da China, Joo Mo Jong; e da Espanha, José Lopes Bouza. Os visitantes Bloc, Labisse e Friedlaender eram personalidades conhecidas além da França e certamente carreavam prestígio para a galeria. O mesmo se pode dizer de Arai — um dos mestres de Tomie Ohtake — que recebeu, então, a homenagem de uma exposição póstuma. Blass era um caso muito específico de artista itinerante de origem judaica e contava com a recepção da colônia. Para os demais, pouco conhecidos, a galeria ofereceu acesso a um novo público.

A programação da galeria se destacava também por ter uma participação feminina significativa, que ultrapassava limitações então remanescentes em outros campos profissionais. Às mulheres foram dedicadas 21 das 114 exposições individuais, e mais trinta artistas estão incluídas nas seis exposições coletivas organizadas pela galeria, sendo que na exposição inaugural elas ocuparam praticamente a metade do espaço em relação aos homens.

A Galeria São Luís, ainda que não fosse a mais longeva entre as galerias instaladas em São Paulo naquele período, mostrou sensibilidade às tendências do movimento artístico da época pelas escolhas e abrangência da programação, fazendo da galeria uma instância de reconhecimento respeitada e peça-chave do modernismo brasileiro dos anos 1960.

SOBRE O AUTOR

José Armando Pereira da Silva é mestre em teatro pela Universidade do Rio de Janeiro e mestre em história da arte pela Universidade de São Paulo. Colaborou no Correio Popular de Campinas e no Diário do Grande ABC. Participou da organização dos primeiros salões de arte contemporânea em Santo André. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte.

Autor de Província e vanguarda, A cena brasileira em Santo André, Thomaz Perina — pintura e poética (com Days Peixoto Fonseca), João Suzuki — travessia do sonho, Paulo Chaves — andamentos da cor, Artistas na metrópole — Galeria Domus, 1947-1951 e Massao Ohno, Editor. Organizou: Luís Martins: um cronista de arte em São Paulo nos anos 1940 (com Ana Luisa Martins), Raphael Galvez: Autobiografia e Crítica de arte na revista Habitat, uma coletânea de críticas de José Geraldo Vieira.

SERVIÇO

Título: Galeria de Arte São Luís: 1959-1966
Autor: José Armando Pereira da Silva
Formato: 21,5 x 29,5 cm | 288 pág.
ISBN: 978-65-86068-97-9
Preço: R$139,00

Colaborando com a RAIZ