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Quadrinhos brasileiros premiados são destaque nas bibliotecas municipais de São Paulo

Colaborando com a RAIZ

Todos os títulos podem ser lidos ou pegos por empréstimo livremente nas gibitecas Henfil, do Centro Cultural São Paulo, e Monteiro Lobato.

São Paulo, janeiro de 2026 – A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e da Coordenação do Sistema Municipal de Bibliotecas, comemora o Dia do Quadrinho Nacional nesta sexta-feira (30) indicando histórias em quadrinhos brasileiras que se passam em São Paulo e obras nacionais reconhecidas internacionalmente que valem a pena a leitura. Todos os títulos podem ser encontrados nas gibitecas Henfil (dentro do Centro Cultural São Paulo) e Monteiro Lobato (dentro da biblioteca de mesmo nome), ambas no centro da cidade.

O Brasil é motivo de orgulho na indústria de quadrinhos mundial. Estando aqui há mais de 150 anos, sua popularização veio nas décadas de 40 a 60, com nomes como Maurício de Sousa (criando a saga Turma da Mônica), Ziraldo (com histórias do Menino Maluquinho) e Laerte (cartunista pioneira responsável, por exemplo, nas aventuras dos “Piratas do Tietê”), devido aos primeiros lançamentos de revistas dedicadas ao formato, tendo tiragens semanais e apresentando histórias completas – no que antes eram somente contadas por capítulos. Os anos 2000 e 2010 não desapontaram, ganhando mais força com o movimento multicultural da cultura geek e principalmente com a atuação de uma nova geração de quadrinistas, importantes para a inserção de HQs brasileiras que levassem temas mais complexos e voltados ao jovem-adulto. Nomes, como de Marcelo D’Salete, Mike Deodato Jr., Fido Nesti, Marcello Quintanilha e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá ressignificam as produções quadrinísticas e conquistaram espaço mundo afora.

Veja algumas histórias em quadrinhos brasileiras que faturaram prêmios internacionalmente – e que podem ser lidas livremente nas gibitecas Henfil e Monteiro Lobato:

Daytripper (2010) – Fábio Moon e Gabriel Bá
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor minissérie’, conta sobre Brás de Oliva Domingos, filho de um renomado escritor brasileiro, vive entre obituários e sonhos de sucesso literário. A narrativa explora os dias cruciais de sua vida: aos 21, encontra o amor; aos 11, seu primeiro beijo; com o nascimento do filho, descobre sua voz.

Dois Irmãos (2015) – Fábio Moon e Gabriel Bá
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor adaptação”. Dois Irmãos narra a turbulenta trajetória dos gêmeos Yakub e Omar, nascidos em Manaus. Descendentes de uma família libanesa, os irmãos sempre tiveram temperamentos contrastantes e suas diferenças cresceram ao longo dos anos, apesar do esforço dos pais, Halim e Zana, para que os dois se reconciliassem.

Vampiro Americano (2010 – ) – Rafael Albuquerque
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor série nova’. Pearl Jones, uma aspirante à atriz na década de 1920, que foi emboscada por um grupo de vampiros liderado por um diretor vampiro chamado BD Bloch, durante uma de suas festas. Ela foi deixada para morrer em um poço no deserto, mas é salva por Sweet. Pearl se torna a segunda ‘vampira americana’.

Cumbe (2014) – Marcelo D’Salete
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor edição americana de material estrangeiro’. Em Cumbe, Marcelo D’Salete retrata de forma inovadora a luta dos negros no Brasil colonial contra a escravidão. O livro traz histórias em quadrinhos emocionantes, protagonizadas por escravizados, mostrando a resistência contra a violência das senzalas brasileiras.

Cumbe (2014) - Marcelo D'Salete
Cumbe (2014) – Marcelo D’Salete

Tungstênio (2014) – Marcello Quintanilha
Vencedor do Prêmio Angoulême na ‘Fauve d’Or’ de Melhor HQ do ano, logo na primeira graphic novel de Marcello Quintanilha. Tungstênio conta a história de quatro personagens em paralelo: um sargento reformado do exército, um jovem traficante, além de um policial e sua esposa que vivem momentos difíceis em seu casamento. O que envolve esses personagens é um crime ambiental na orla de Salvador.

Nem Todo Robô (2022) – Mike Deodato Jr
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor quadrinho de humor’. O graphic novel conta sobre o ano de 2056, em que os robôs substituíram os seres humanos como mão de obra. A coexistência entre robôs, com a inteligência recém conquistada, e os dez bilhões de humanos da Terra é tensa. A cada família humana é designado um robô, do qual elas se tornam dependentes.

Angola Janga (2017) – Marcelo D’Salete
Vencedor do Rudolph Dirks Award, da Alemanha, em 2019, e do Prêmio Jabuti. Conta a história do Quilombo de Palmares, conhecido entre seus moradores como Angola Janga, ou “Pequena Angola”, fruto de um trabalho de mais de 10 anos de pesquisa conduzida pelo autor Marcelo D’Salete.

A Sereia da Floresta (2023) – Hiro Kawahara
Fazendo história ao ser o primeiro brasileiro a receber ouro na premiação do Japan International Manga Award, a HQ aborda uma sereia que faz um pacto para sobreviver em um outro mundo e em outro corpo, ressurgindo em uma floresta européia durante a Idade Média, onde encontra uma médica e alquimista persa. Juntas, elas tentam se adaptar a essa nova realidade, ao mesmo tempo em que a Grande Peste e a Inquisição assolam o mundo ao redor delas.

Castanha do Pará (2016) – Gidalti Jr.
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2017. Castanha é um menino-urubu que vive suas aventuras pelos cenários do tradicional mercado público Ver-o-Peso, em Belém. Mora sob o céu aberto e sobrevive dos furtos e das migalhas de atenção que sobram do mundo ao seu redor.

Castanha do Pará (2016) - Gidalti Jr.
Castanha do Pará (2016) – Gidalti Jr.

Quadrinhos dos Anos 10 (2016) – André Dahmer
Vice-campeã do Jabuti de Melhor HQ no mesmo ano. Na esteira das revoluções tecnológicas da virada do século, Quadrinhos dos anos 10 tem uma receita simples: três ou quatro quadros em sequência, contendo a mais dolorosa e mordaz crítica à vida moderna.

META: Depto. de Crimes Metalinguísticos (2021) – Marcelo Saravá e André Freitas
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2021. A HQ parte do assassinato de um desenhista, cujos principais suspeitos são os personagens criados por ele para uma HQ.

Escuta, Formosa Márcia (2021) – Marcello Quintanilha
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2022 e do Prêmio Angoulême na ‘Fauve d’Or’ de Melhor HQ do ano e Rudolph Dirks. Mãe solteira, nascida e criada em uma comunidade do Estado do Rio, a enfermeira Márcia vem travando uma verdadeira batalha doméstica para disciplinar sua filha, a insubordinada Jaqueline. Porém, quando a jovem se vê envolvida até o pescoço com o crime organizado, Márcia estará disposta a chegar às últimas consequências para livrá-la dessa enrascada.

Mukanda Tiodora (2022) – Marcelo D’Salete
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2023. O livro conta a história real de Tiodora Dias da Cunha, uma mulher negra nascida no Congo e trazida para o Brasil como escravizada no século XIX.

Como pedra (2023) – Luckas Iohanathan
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2024. No árido Sertão nordestino, uma família luta contra a cruel dança da seca e da fome. Contudo, o verdadeiro desafio transcende as agruras da natureza. A filha do casal, aprisionada em uma cadeira de rodas, enfrenta uma doença silenciosa, que a priva do movimento e da voz. Em meio à escassez e à desesperança, a fé é testada e o fanatismo religioso emerge como uma sombra ameaçadora.

Mais uma história para o velho Smith (2024) – Orlandeli
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2025. Sempre que voltava do mar, Smith trazia uma nova história. Todos paravam pra ouvir, ele é um ótimo contador de histórias. Porém, um dia, as histórias começaram a ir embora. Smith até tentou lembrar… mas elas não estavam mais lá. Smith decidiu. Quer mais uma. Mais uma vez vai entrar no mar. Ele sabe muito bem… É lá que elas estão.

Mais uma história para o velho Smith (2024) - Orlandeli
Mais uma história para o velho Smith (2024) – Orlandeli

Gibitecas Públicas abrem todos os dias da semana com dezenas de milhares de acervo

Para conferir os 15 quadrinhos indicados e outras dezenas de milhares de acervos de quadrinhos, a Prefeitura de São Paulo detém duas gibitecas dedicadas à gibis, quadrinhos, graphic novels, periódicos, mangás e livros estudiosos sobre a nona arte, todas no Centro da cidade. Ambas ficam dentro do Centro Cultural São Paulo e da Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, respectivamente.

No Centro Cultural São Paulo (CCSP), a Gibiteca Henfil possui um catálogo com mais de 10 mil títulos, com um espaço totalmente dedicado a zines – impresso artístico de formato livre e independente, sucesso nos anos 60 e 70. Entre as raridades, um fac-símile da primeira revista do Super-Homem, a primeira revista da Mônica e até alguns exemplares da ‘Tico Tico’, a primeira revista a publicar quadrinhos no país. A gibiteca funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados de fim de semana, das 10h às 18h. Os leitores podem emprestar até 10 HQs, dentre os exemplares circulantes.

Já a gibiteca da Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, espaço de leitura da Coordenação do Sistema Municipal de Bibliotecas, localizado na Vila Buarque, possui mais de 4.400 exemplares de quadrinhos e mais de 2.300 coleções de gibis e mangás, além de boardgames e espaços de leitura imersivos para os frequentadores. O espaço fica em frente à área de convivência da biblioteca e ao lado da sala juvenil para crianças. Seu horário de funcionamento segue a mesma da biblioteca infantojuvenil Monteiro-Lobato: de segunda a sexta-feira das 8h às 17h, e sábados das 10h às 14h.

Contando com os acervos da Monteiro Lobato, são mais de 83 mil quadrinhos espalhados pelos 84 espaços de leitura do Sistema Municipal de Bibliotecas, entre bibliotecas de bairro e dentro de centros culturais a pontos e bosques de leitura inseridas em instituições culturais, praças e parques municipais. Acesse a lista de endereços e procure os títulos online pela plataforma Biblioteca Circula.

Foto divulgação SMCEC SP
Foto divulgação SMCEC SP

Quadrinhos populares podem ser lidos online pela BiblioSP Digital

Na plataforma BiblioSP, um serviço de streaming online e gratuito oferecido pela Prefeitura de São Paulo, é possível encontrar uma seleção especial de gibis entre os mais de 17 mil títulos disponíveis na plataforma.

Com obras em português, inglês, espanhol, francês e alemão, é possível ler online e consultar quais acervos estão disponíveis em cada biblioteca, solicitando a sua reserva por e-mail.

Entre as histórias em quadrinhos emblemáticas que constam no BiblioSP estão volumes da Marvel Comics – como Guerra Civil (2017), Zumbis Marvel (2014) e Invasão Secreta (2015) – e da DC Comics – como Batman: Piada Mortal (2011), Superman: Entre a Foice e o Martelo (2017), Liga da Justiça: Origem (2017), Batman: Ano Um (2005); além de quadrinhos brasileiros da Graphic MSP, como Jeremias: Pele (2018), Tina: Respeito (2019) e Mônica: Força (2017), e quadrinhos mais independentes, tais quais “Cumbe” (2014), “Angola Janga” (2017), “Todos Bob Cuspe” (2015), “Achados e Perdidos” (2012), “Tungstênio” (2014) e “Daytripper” (2011).

A programação completa das bibliotecas de bairro e dos bosques e pontos de leitura, além de outras novidades e avisos, você encontra no site da CSMB e em nossa redes social. Informações gerais estão disponíveis nas redes sociais e no site da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Consulte online os acervos da biblioteca da cidade aqui

Sobre a Coordenação do Sistema Municipal de Bibliotecas (CSMB)

A Coordenação do Sistema Municipal de Bibliotecas (CSMB) é um núcleo filiado à Secretaria de Cultura e Economia Criativa da cidade de São Paulo, responsável direta pela administração de 84 equipamentos culturais ao redor da cidade, incluindo 51 bibliotecas de bairro – além da Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato e as bibliotecas Jayme Cortez, Paulo Setúbal, Paulo Duarte, Prefeito Prestes Maia e José Paulo Paes dentro dos Centros Culturais da Juventude e Penha, respectivamente – e 29 Serviços de Extensão estabelecidas em praças e parques por meio dos Pontos e Bosques de Leitura. Tendo origem desde a década de 30 como Divisão de Bibliotecas do Departamento de Cultura e reajustada como CSMB desde 2005, tem como objetivo integrar todas as bibliotecas públicas municipais e tornar mais eficiente o desenvolvimento de suas políticas, serviços e estrutura informacional. A fim de promover iniciativas que atendam às necessidades de prover amplo acesso à informação, cultura, leitura e produção de conhecimento, a Coordenação do Sistema Municipal de Bibliotecas promove em seus espaços cursos, oficinas e atrações artísticas mensais e gratuitas para todos os públicos – por meio de programas como “Biblioteca Viva”, “Feira de Trocas de Livros”, “Pegue, Leve e Leia”, “Bibliotecas Temáticas” – e o primeiro serviço de streaming gratuito de leitura – o BiblioSP, que conta com mais de 17 mil livros para leitura online e download.

Sobre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa

A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (SMC) de São Paulo, fundada em 1935 como Departamento de Cultura e Recreação, promove a cultura e impulsiona a economia criativa da cidade. Com mais de 90 anos de atuação, valoriza a diversidade cultural, preserva patrimônios e forma profissionais para a indústria criativa. Com uma rede abrangente, a SMC administra 13 Centros Culturais, 7 Teatros Municipais, 20 Casas de Cultura, além da Casa de Cultura Cidade Ademar, que será inaugurada em 2025, 2 museus (sendo o Museu da Cidade de São Paulo – composto de 13 unidades – e o Museu das Culturas Brasileiras em fase de obras), 54 Bibliotecas de Bairro, 15 Pontos de Leitura e 15 Bosques de Leitura, 6 EMIAs (Escolas Municipais de Iniciação Artística) e 3 unidades da Rede Daora – Estúdios Criativos das Juventudes. A SMC ainda atende 104 equipamentos de cultura e CEUs por meio do PIAPI (Programa de Iniciação Artística para a Primeira Infância), PIÁ (Programa de Iniciação Artística) e Programa Vocacional.

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