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Amazônicas: poéticas femininas promovem a ancestralidade e o protagonismo das mulheres

Encontro com a curadora Sissa Aneleh e a artista paraense Cristiane Martins acontece em 31 de outubro, no CCBB Rio de Janeiro, e propõe uma reflexão sobre a cultura material arqueológica amazônica e suas conexões com o presente.

Encontro com a curadora Sissa Aneleh e a artista paraense Cristiane Martins acontece em 31 de outubro, no CCBB Rio de Janeiro, e propõe uma reflexão sobre a cultura material arqueológica amazônica e suas conexões com o presente.

A exposição Amazônicas: poéticas femininas, em cartaz até 16 de novembro no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), recebe no dia 31 de outubro uma programação dedicada às relações entre ancestralidade, memória e criação artística contemporânea. Às 15h, a curadora Sissa Aneleh e a artista paraense Cristiane Martins participam da palestra “Arqueologia do Feminino: Escultura Arqueológica Contemporânea”. Em seguida, às 16h30, Cristiane apresenta a performance Cirandas Matriarcais. As duas atividades são gratuitas.

O ponto de partida do encontro é a instalação As Revoltosas, de Cristiane Martins, uma das 21 artistas participantes da mostra. Em seu trabalho, a artista investiga referências das culturas arqueológicas amazônicas e as transforma em esculturas, máscaras e objetos corporais, aproximando repertórios ancestrais de questões contemporâneas.

Na palestra, Cristiane e Sissa Aneleh abordarão o processo criativo da instalação e as relações entre memória, tradição, inovação e experimentação artística. A cultura material pré-colonial amazônica aparece como referência para uma pesquisa que articula ancestralidade, design decolonial e protagonismo feminino. A conversa também propõe pensar como objetos e formas do passado podem ganhar novos sentidos na arte contemporânea.

foto Ana Paula Amorim - divulgação
foto Ana Paula Amorim – divulgação

Corpos, objetos e linhagens matriarcais

Na performance Cirandas Matriarcais, Cristiane Martins e uma convidada estarão caracterizadas como duas personagens da série As Revoltosas, com vestimentas e cabeças ou máscaras escultóricas. A ação estabelece um diálogo entre essas figuras ancestrais e objetos biográficos de mulheres da atualidade, pertencentes a famílias e linhagens matriarcais.

“Há dois recortes de tempo na performance: As Revoltosas, que são mulheres ancestrais, e esses objetos contemporâneos, das famílias atuais e suas linhagens matriarcais”, explica Cristiane.

A aproximação entre personagens escultóricas e objetos biográficos desloca a ancestralidade do campo da memória distante para o cotidiano, relacionando experiências de diferentes gerações de mulheres. A performance amplia, assim, a investigação presente na instalação e reforça o corpo como território de memória, ritual e pertencimento.

Nina Matos_Postais D’Além Mar_óleo sobre tela_2018 - foto Nailana Thiely
Nina Matos_Postais D’Além Mar_óleo sobre tela_2018 – foto Nailana Thiely

Um panorama da arte feita por mulheres amazônicas

Idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), Amazônicas: poéticas femininas reúne 80 obras de 21 artistas contemporâneas da região Norte do Brasil. Com curadoria e direção artística de Sissa Aneleh, a exposição ocupa as salas do segundo andar do CCBB RJ, depois de passar por Belém, Fortaleza e Brasília.

O conjunto apresenta um panorama da produção artística de mulheres amazônicas desde a década de 1970 até os dias atuais, reunindo pintura, escultura, fotografia, gravura, objetos, arte digital e videoarte. Os trabalhos estão organizados em quatro núcleos: Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas.

Questões de gênero, identidade, regionalismo e diversidade atravessam a mostra, que também aborda o artivismo, as culturas indígenas e afro-brasileiras, as tecnologias amazônicas e as diferentes formas de representar corpos, afetos e ancestralidades femininas.

A exposição inclui recursos de acessibilidade, como obra tátil, audiodescrição e interpretação em Libras. O público também pode visitar o Espaço Petrobras Amazônicas, ambiente imersivo que utiliza realidade aumentada e óculos 3D, com exibição de filme em realidade virtual do acervo do Museu das Mulheres. Outra iniciativa coletiva é o vídeo Mensagem para a Amazônia, construído ao longo da itinerância com contribuições dos visitantes sobre a importância da preservação ambiental.

A programação de palestras e encontros com artistas amplia o debate proposto pela exposição, colocando em circulação diferentes perspectivas sobre a produção cultural da região e o papel das mulheres na construção de suas narrativas artísticas.

Cristiane Martins_Série As Revoltosas_2024 - fotos Micaela_Mesant
Cristiane Martins_Série As Revoltosas_2024 – fotos Micaela_Mesant

Serviço

Palestra — Arqueologia do Feminino: Escultura Arqueológica Contemporânea
Participantes: Sissa Aneleh e Cristiane Martins
Data: 31 de outubro de 2026, das 15h às 16h
Local: Auditório do 3º andar, CCBB Rio de Janeiro
Capacidade: 100 lugares
Inscrições: formulário disponível na bio do Instagram do Museu das Mulheres (@museudasmulheres) e no site bb.com.br/cultura

Performance — Cirandas Matriarcais
Artista: Cristiane Martins
Data: 31 de outubro de 2026, às 16h30
Local: térreo, Rotunda do CCBB RJ
Vagas: conforme a lotação do espaço
Entrada: gratuita

Exposição — Amazônicas: poéticas femininas
Em cartaz até: 16 de novembro de 2026
Curadoria: Sissa Aneleh
Local: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro (RJ)
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 20h; fechado às terças-feiras
Ingressos: gratuitos, disponíveis em bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB
Classificação indicativa: livre
Acessibilidade: recursos para pessoas com deficiência
Informações: (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br

Cristiane Martins_Série As Revoltosas_2024 - fotos Micaela_Mesant
Cristiane Martins_Série As Revoltosas_2024 – fotos Micaela_Mesant

Sobre as participantes

Cristiane Martins é artista paraense e desenvolve pesquisas a partir de formas, símbolos e imaginários das culturas arqueológicas amazônicas. Seu trabalho articula arte contemporânea e ancestralidade por meio de esculturas, máscaras e objetos corporais, com materiais como madeira, porcelana fria, urucum, folhas de ouro e fibras naturais.

Sissa Aneleh é historiadora da arte, curadora, diretora artística e fundadora e diretora do Museu das Mulheres. Mestra e doutora em Artes, atua há mais de 15 anos no setor artístico e realizou a curadoria de mais de 17 exposições, incluindo projetos internacionais com artistas brasileiras. Sua pesquisa contempla história da arte, mulheres artistas, arte brasileira e decolonial, cinema autoral feminino e poéticas curatoriais.