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Festival Ubuntu abre inscrições para artistas da cultura periférica em São Paulo

Sexta edição acontece de 23 a 29 de novembro, na Ocupação 9 de Julho, e selecionará 21 artistas e projetos de diferentes linguagens, com remuneração de R$ 5 mil por selecionado. Inscrições vão até 14 de outubro.

A produção cultural das periferias, suas memórias e formas de expressão estão no centro da sexta edição do Festival Ubuntu, que abre inscrições para artistas, grupos e agentes culturais do estado de São Paulo. Com o tema “Ancestralidade e Território”, o evento será realizado de 23 a 29 de novembro, na Ocupação 9 de Julho, no centro da capital, espaço de moradia popular e organização coletiva.

O edital selecionará 21 artistas e projetos para integrar a programação, com remuneração de R$ 5 mil por selecionado. As inscrições ficam abertas de 30 de setembro a 14 de outubro de 2026. A iniciativa reúne diferentes linguagens artísticas e busca ampliar a circulação de trabalhos produzidos nas periferias, criando oportunidades de encontro entre artistas, coletivos e produtores culturais.

A escolha da Ocupação 9 de Julho também situa o festival em um território marcado pela luta por moradia e pelo uso coletivo do espaço urbano. Nesse contexto, ancestralidade e território são tratados como referências para pensar a criação artística, a memória e o pertencimento, além das relações entre cultura e vida cotidiana.

Sete eixos de criação

O edital contempla sete eixos: Audiovisual e Novas Tecnologias, Literatura, Ritmos – Corpo, Ritmos – Som e Voz, Artes Plásticas, Visuais e Manuais, Teatro e Hip Hop.

A seleção abrange desde produções audiovisuais e literatura até dança, música, teatro, artes visuais e práticas ligadas à cultura Hip Hop. Nesse último campo, estão incluídos o trabalho de MCs e DJs, o breakdance e o grafite, expressões que articulam criação artística, identidade e experiência urbana.

Os projetos serão avaliados por curadores negros com atuação reconhecida em suas áreas. A proposta é aproximar a seleção das experiências e dos repertórios das próprias comunidades artísticas, além de fortalecer redes de colaboração e circulação cultural.

Curadoria ligada às cenas periféricas

No eixo Audiovisual e Novas Tecnologias, a avaliação ficará a cargo de Well Amorim, diretor de fotografia, pesquisador e educador popular, sócio-fundador da Maloka Filmes e do Perifericu – Festival Internacional de Cinema e Cultura de Quebrada. Seus trabalhos já foram exibidos em festivais internacionais, entre eles os de Berlim e Guadalajara.

A curadoria de Literatura será realizada por Matriarcak, poeta, escritora, comunicadora e profissional do audiovisual. Sua trajetória passa pela poesia falada e pela cultura periférica. Bicampeã do Slam SP e vice-campeã nacional do Slam BR, também atua em oficinas de escrita, produções audiovisuais e projetos autorais.

No eixo Ritmos – Corpo, a responsável será Jô Pereira, profissional da dança, educadora, gestora e produtora cultural. Seu trabalho articula corpo, mobilidade, gênero, raça e territórios periféricos. Ela é fundadora do Pedal na Quebrada, co-diretora da Ouvindo Passos Cia de Dança e diretora-geral da Ciclocidade no biênio 2026–2028.

A curadoria de Ritmos – Som e Voz será assinada por Ana Flor de Carvalho, poeta, compositora, intérprete e educadora cuja produção transita entre música, literatura, teatro, cinema e cultura popular brasileira. A artista colaborou com nomes como Zeca Baleiro e Lia de Itamaracá e lançou, em 2025, o álbum autoral Pranto Terra.

Em Artes Plásticas, Visuais e Manuais, os projetos serão avaliados por Rafael Calixto, artista visual, marceneiro e pesquisador independente. Sua prática combina pintura, assemblage — técnica que reúne diferentes objetos e materiais em uma composição —, mobiliário e experimentações artísticas, com atenção às relações entre arte, trabalho, memória e cotidiano.

O eixo Teatro terá curadoria de Rodrigo Odé, dramaturgo, ator, diretor, professor e pesquisador. Idealizador da Malta Teatro de Nação, ele desenvolve trabalhos que aproximam teatro negro contemporâneo, filosofia africana e capoeira angola, com experiência também no audiovisual.

Já o eixo Hip Hop ficará sob responsabilidade de Samuel Porfírio, rapper, compositor e arte-educador que integra o movimento desde 2000. Nascido e criado na Cohab 2, em Itaquera, ele é diretor executivo do selo Pelaartemusic, vocalista da banda Engrenagem Urbana e atua na formação cultural de jovens, inclusive em contextos socioeducativos.

Da esquerda para a direita, de cima para baixo - Matriarcak, Samuel Porfírio, Ana Flor de Carvalho, Jô Pereira, Well Amorim, Rafael Calixto e Rodrigo de Odé
Da esquerda para a direita, de cima para baixo – Matriarcak, Samuel Porfírio, Ana Flor de Carvalho, Jô Pereira, Well Amorim, Rafael Calixto e Rodrigo de Odé

Formação e articulação cultural

Além da programação artística, o Festival Ubuntu promove oficinas com convidados indicados pela curadoria e pela direção artística. As atividades acontecem em espaços públicos e instituições parceiras de São Paulo e de municípios da região metropolitana, como Osasco, Carapicuíba, Embu das Artes, Diadema e Itapecerica da Serra.

A formação amplia o alcance do festival para além dos dias de apresentações, criando oportunidades de troca entre artistas e produtores e aproximando diferentes territórios da produção cultural.

Para Amanda Leones, idealizadora e diretora-geral do evento, chegar à sexta edição significa dar continuidade ao trabalho de valorização da cultura negra e periférica e fortalecer redes criativas capazes de gerar oportunidades e visibilidade. A diretora artística Mônica Augusto também destaca a importância de envolver profissionais ligados às próprias cenas culturais na avaliação dos projetos.

Nathália Oliveira, cofundadora da Iniciativa Negra e diretora de mobilização, articulação e parcerias do Festival, ressalta a dimensão econômica da iniciativa, especialmente na geração de renda e na ampliação de oportunidades para artistas, grupos e produtores culturais.

Ao reunir seleção artística, formação e encontros entre diferentes linguagens, o Festival Ubuntu busca fortalecer a presença da produção periférica nos espaços de circulação cultural. A proposta parte do reconhecimento de que essas comunidades não são apenas público ou tema da cultura: são também produtoras de conhecimento, estética, memória e criação contemporânea.

Inscrições

Artistas, grupos e agentes culturais do estado de São Paulo podem consultar o regulamento e preencher o formulário de inscrição no site oficial do Festival Ubuntu. O edital, as orientações para participação e as respostas às dúvidas mais frequentes estão disponíveis nos canais do evento.

Serviço

Festival Ubuntu – 6ª edição
Tema: Ancestralidade e Território
Data: 23 a 29 de novembro de 2026
Local: Ocupação 9 de Julho, São Paulo (SP)
Inscrições: de 30 de setembro a 14 de outubro de 2026
Resultado da seleção: 3 de novembro de 2026
Seleção: 21 artistas e projetos, com remuneração de R$ 5 mil por selecionado.

A sexta edição é apresentada com apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e do ProAC Editais. A realização é da Lua Produções, com produção artística da Versa Cultural.