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Expedição cultural leva cinema e formação audiovisual a comunidades ribeirinhas da Amazônia

Projeto percorre comunidades ribeirinhas do Amazonas levando sessões de cinema, oficinas de produção com celulares e incentivo à valorização das narrativas locais.

Na Amazônia, os rios sempre foram caminhos de circulação de pessoas, mercadorias e saberes. Em julho, eles também se tornam rotas para o audiovisual com o Projetando o Madeira: Circuito Audiovisual, iniciativa que leva cinema e formação cultural a comunidades ribeirinhas dos municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, no interior do Amazonas.

Realizado pelo Coletivo Vozes da Periferia, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), o projeto promove uma programação gratuita que combina sessões de cinema ao ar livre e oficinas de criação audiovisual, aproximando moradores de diferentes gerações da linguagem cinematográfica e estimulando a produção de narrativas sobre seus próprios territórios.

Mais do que exibir filmes, a proposta busca fortalecer o audiovisual como ferramenta de memória, educação, identidade e participação comunitária, ampliando o acesso à cultura em localidades onde a oferta de atividades artísticas ainda enfrenta grandes desafios logísticos.

Cinema e protagonismo das comunidades

A programação reúne títulos voltados a públicos diversos, entre eles a animação Rio 2, o premiado WALL-E e o longa Amazônia – O Despertar da Florestania, que dialoga diretamente com as questões ambientais e culturais da região amazônica.

Paralelamente às exibições, acontece a oficina Olhar Ribeirinho, dedicada à produção audiovisual com dispositivos móveis. A atividade apresenta técnicas de captação de imagem, gravação de áudio, narrativa e edição utilizando smartphones, demonstrando como equipamentos acessíveis podem se transformar em instrumentos de documentação cultural e expressão artística.

A proposta incentiva moradores a registrar o cotidiano das comunidades, suas manifestações culturais, tradições, paisagens e histórias, ampliando a presença de olhares amazônicos na produção audiovisual brasileira.

Formação para além das exibições

Segundo o idealizador do projeto, Ernan Passos, a iniciativa pretende ampliar o acesso ao cinema sem perder de vista a formação de novos realizadores.

A ideia é que as oficinas despertem nos participantes a percepção de que o audiovisual pode ser utilizado para preservar memórias, fortalecer identidades e construir novas formas de comunicação entre as comunidades ribeirinhas.

Ao transformar o celular em ferramenta de criação, o projeto busca democratizar a produção audiovisual e estimular que novas histórias da Amazônia sejam contadas por quem vive diariamente seus territórios.

Cultura acessível

Além das atividades presenciais, o circuito incorpora recursos de acessibilidade comunicacional, incluindo legendagem descritiva e tradução em Libras, ampliando a participação de diferentes públicos.

A equipe reúne Ernan Passos, na coordenação geral; Daniel Ramos, responsável pela produção e coordenação financeira; Victor Cabral, que conduz as oficinas e as ações de acessibilidade; e Neide Barbosa, à frente da logística e da mobilização comunitária.

Audiovisual como ferramenta de transformação

Criado em 2023, o Coletivo Vozes da Periferia tornou-se um dos novos agentes culturais da Zona Leste de Manaus. Reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, desenvolve projetos nas áreas de cultura, educação, justiça social, justiça climática e formação cidadã.

Entre suas iniciativas estão o Circuito Vozes da Periferia, o Festival Vozes da Periferia e o Programa de Capacitação Empreendedora Afro-Queer, ações voltadas à democratização do acesso à cultura, ao fortalecimento das comunidades e à valorização das juventudes negras, periféricas e LGBTQIAPN+.

Ao percorrer o Rio Madeira levando cinema, formação e estímulo à criação audiovisual, o Projetando o Madeira reafirma o papel da cultura como instrumento de conexão entre territórios, preservação da memória coletiva e fortalecimento das narrativas produzidas pelas próprias comunidades amazônicas.

Ernan Passos, idealizador do "Projetando o Madeira: Circuito Audiovisual" - Acervo Coletivo Vozes
Ernan Passos, idealizador do “Projetando o Madeira: Circuito Audiovisual” – Acervo Coletivo Vozes