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FGV Arte reúne amplo panorama da produção artística dos povos originários

Exposição inédita, com curadoria de Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff, reúne artistas indígenas e não indígenas em um percurso que articula arte contemporânea, memória, território e diferentes cosmologias latino-americanas.

A FGV Arte apresenta, entre 6 de maio e 20 de setembro de 2026, a exposição Eu chorei rios: arte dos povos originários da América, projeto que reúne obras de artistas indígenas e não indígenas em um amplo diálogo sobre modos de criação, memória, território e sistemas de conhecimento construídos pelos povos originários da América Latina. Com curadoria de Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff, a mostra ocupa os espaços internos e externos da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro, ampliando o debate sobre as relações entre arte, história e cosmologias indígenas.

Entre os artistas participantes estão Ailton Krenak, Claudia Andujar, Daiara Tukano, Denilson Baniwa, Djanira, Gustavo Caboco, Jaider Esbell, Lastenia Canayo, Keyla Sobral, Lygia Pape, Mestre Valentim, Rita Pinheiro Sales Kaxinawá, Yaka Edilene Sales Huni Kuin e Xadalu Tupã Jekupé, reunindo diferentes gerações, linguagens e experiências que atravessam territórios indígenas do Brasil e de outros países latino-americanos.

Cortesia Daiara Tukano e Almeida & Dale - Foto AnaPigosso
Cortesia Daiara Tukano e Almeida & Dale – Foto AnaPigosso

Arte como território de memória e conhecimento

O percurso expositivo reúne pinturas, esculturas, fotografias, mantos, instalações, objetos rituais, vídeos e artefatos históricos, compondo um conjunto que evidencia a diversidade de repertórios estéticos e culturais presentes entre os povos originários. Em vez de organizar essas produções sob uma perspectiva etnográfica, a exposição as insere no debate da arte contemporânea, destacando seus modos próprios de elaboração estética e intelectual.

Ao aproximar obras históricas e produções recentes, a mostra evidencia permanências, transformações e disputas em torno das representações indígenas ao longo do tempo, propondo novas leituras sobre a produção artística latino-americana.

O projeto também estabelece um diálogo com a exposição Adiar o fim do mundo, realizada pela FGV Arte em 2025, aprofundando questões relacionadas às formas indígenas de compreender natureza, território, memória e existência.

Cortesia Denilson Baniwa e A Gentil Carioca - Foto Rafael Salim
Cortesia Denilson Baniwa e A Gentil Carioca – Foto Rafael Salim

Curadoria compartilhada amplia perspectivas

A participação da artista, pesquisadora e liderança Glicéria Tupinambá imprime uma dimensão singular ao projeto curatorial. Sua atuação aproxima práticas artísticas, pesquisa, tradição oral e experiências comunitárias, deslocando o olhar para formas de conhecimento construídas a partir das próprias comunidades indígenas.

Segundo a curadora, a produção artística indígena sempre existiu, mas durante muito tempo permaneceu submetida a interpretações externas. A exposição busca ampliar esse campo de escuta, permitindo que diferentes artistas apresentem seus próprios modos de compreender o mundo e seus processos criativos.

Nesse contexto, ganha destaque a presença de mulheres artistas como Daiara Tukano, Lastenia Canayo, Rita Pinheiro Sales Kaxinawá e Yaka Edilene Sales Huni Kuin, cujas obras articulam grafismos, narrativas, cantos, memória e saberes ancestrais, evidenciando o papel feminino na transmissão dos conhecimentos tradicionais.

O manto como experiência viva

Entre os núcleos centrais da exposição está o trabalho desenvolvido por Glicéria Tupinambá em torno do Manto Tupinambá, apresentado não apenas como objeto artístico, mas como elemento vivo de uma tradição cultural.

Além da presença do manto na mostra, sua ativação durante a abertura propõe uma experiência coletiva que ultrapassa a contemplação museológica. Cantos, movimentos e gestos aproximam o público das dimensões simbólicas e espirituais presentes nessa tradição, reafirmando a relação entre corpo, memória e território.

Moara Tupinamba - Crédito da artista
Moara Tupinamba – Crédito da artista

A exposição ocupa também os espaços externos

A proposta expositiva estende-se para além das galerias da FGV Arte. A fachada e a esplanada da instituição recebem intervenções especialmente concebidas para o projeto, entre elas uma pintura monumental de Xadalu Tupã Jekupé, um jardim circular e instalações que ampliam a experiência sensorial do visitante.

A obra de Jaider Esbell funciona como um dos elementos de acolhimento do percurso, introduzindo o público em um ambiente que aproxima arte, espiritualidade e diferentes cosmologias indígenas.

Programa acadêmico amplia o debate

Além da exposição, a FGV Arte desenvolve um programa acadêmico composto por encontros, debates e atividades formativas que aprofundam as discussões propostas pela mostra. A programação reúne pesquisadores, artistas e especialistas em torno de temas relacionados à arte indígena, territorialidade, patrimônio, políticas culturais e produção de conhecimento.

Mais do que apresentar um conjunto expressivo de obras, Eu chorei rios: arte dos povos originários da América propõe uma reflexão sobre diferentes formas de compreender o mundo, evidenciando a potência das produções indígenas como campos de criação estética, elaboração política e transmissão de memória.

Xadalu Tupã Jekupé - Seres sensíveis
Xadalu Tupã Jekupé – Seres sensíveis

Serviço

Exposição: Eu chorei rios: arte dos povos originários da América
Curadoria: Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff

Período: 6 de maio a 20 de setembro de 2026

Local: FGV Arte – Fundação Getulio Vargas
Praia de Botafogo, 186 – Botafogo – Rio de Janeiro (RJ)

Visitação:
Terça a sexta, das 10h às 20h
Sábados e domingos, das 10h às 18h

Entrada gratuita | Classificação livre