Exposição no MIS apresenta o Círio de Nazaré pelo olhar da fotografia documental
Série de Fabricio Augusto reúne 20 imagens sobre fé, pertencimento e práticas comunitárias em uma das maiores manifestações religiosas e populares do Brasil. Mostra integra o projeto Nova Fotografia 2026 e fica em cartaz até 15 de novembro.
A dimensão coletiva do Círio de Nazaré, em Belém do Pará, é o ponto de partida da exposição Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil, do fotógrafo Fabricio Augusto, que o Museu da Imagem e do Som (MIS) inaugura em 6 de outubro, às 19h.
Quinta mostra do projeto Nova Fotografia 2026, a exposição reúne 20 imagens produzidas durante o festejo e propõe um olhar sobre a manifestação para além da devoção religiosa, destacando os vínculos sociais, os gestos de solidariedade e as tradições que mobilizam milhares de pessoas.
A devoção a Nossa Senhora de Nazaré, cuja história em Belém remonta ao século XVIII, atravessa as imagens como expressão de memória e identidade. Mas o ensaio também observa aquilo que sustenta a realização do Círio: a participação dos pagadores de promessas, a organização coletiva, a distribuição de água, o cuidado com os corpos em meio à multidão e as diferentes formas de colaboração que se manifestam durante o percurso.
Entre a corda que conduz a procissão e as ruas por onde passam os devotos, Fabricio registra uma festa em que a experiência religiosa convive com práticas populares e relações comunitárias. A fotografia aproxima o visitante dos participantes e revela uma dimensão cotidiana da manifestação: a rede de pessoas que, por meio de pequenos gestos e ações coletivas, contribui para que o festejo aconteça.

Entre o sagrado e o profano
As 20 fotografias exploram diferentes escalas de observação. Planos fechados, contrastes de luz e sombra, texturas e imagens amplas alternam cenas de devoção e interações entre os corpos. Essa composição visual estabelece um diálogo entre o sagrado e o profano e aproxima a fotografia documental de procedimentos da arte contemporânea.
O projeto nasceu de uma experiência de intercâmbio cultural. Em 2025, Fabricio foi convidado pelo Mídia Ninja e pela Casa Amazônia para acompanhar e fotografar o Círio em Belém. A pesquisa resultou no ensaio que agora chega ao MIS.
Nascido e residente em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, o fotógrafo relaciona a experiência no Pará à própria trajetória e ao território onde construiu sua formação. “Existe uma distância geográfica entre Ferraz de Vasconcelos e Belém, mas ela não muda a existência de uma conexão muito forte na maneira como a cultura, a fé e a vida coletiva atravessam esses territórios. Chegar ao MIS com esse trabalho é também levar comigo o lugar de onde eu vim e tudo o que ele representa na minha formação”, afirma.
A exposição também coloca em perspectiva a relação entre territórios distintos, aproximados pelas manifestações culturais e pelas formas de organização coletiva. O Círio aparece, assim, não apenas como uma celebração religiosa, mas como um espaço de encontro em que memória, pertencimento e identidade são continuamente compartilhados e atualizados.

Sobre o fotógrafo
Fabricio Augusto é fotógrafo, produtor multimídia e documentarista, nascido e residente em Ferraz de Vasconcelos, na periferia da Grande São Paulo. Sua produção aproxima fotografia e cinema e investiga temas como corpo, pertencimento e cultura popular brasileira. É estudante de produção multimídia e antropologia e possui extensão universitária em memória e território pela USP.
Em 2024, completou dez anos de carreira com a exposição Trajetos e trajetórias: uma década de fotografia. Seus trabalhos passaram pelo Museu das Favelas, MIS Araraquara, Centro Cultural Octo Marques e Museu de Arte do Espírito Santo, além de uma mostra em Toronto, no Canadá. Em 2026, foi finalista do Prêmio Transatlântico de Fotografia.

Nova Fotografia
Realizado anualmente pelo MIS, o Nova Fotografia seleciona novos fotógrafos por meio de convocatória aberta ao público. Os trabalhos escolhidos são apresentados em exposições individuais no museu e, após o período de exibição, passam a integrar seu acervo. A seleção é feita pelo Núcleo de Programação, sob supervisão e coordenação da curadoria geral da instituição.
Serviço
Nova Fotografia 2026 – Círio de Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil
Artista: Fabricio Augusto
Abertura: 6 de outubro de 2026, às 19h
Período expositivo: de 6 de outubro a 15 de novembro de 2026
Local: Sala Nova Fotografia – Museu da Imagem e do Som (MIS)
Ingresso: gratuito
Classificação: livre


