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Literatura brasileira ganha espaço internacional na Feira do Livro de Frankfurt

Delegação reúne 25 empresas na 78ª edição da feira alemã, com expectativa de US$ 8,1 milhões em negócios e programação dedicada a Luiz Gama, Guimarães Rosa e à literatura para crianças e jovens.

A literatura brasileira chega à 78ª Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, com uma delegação de 25 empresas e a expectativa de movimentar US$ 8,1 milhões em negócios. Realizada de 7 a 11 de outubro de 2026, a feira é um dos principais encontros internacionais do mercado editorial e reúne profissionais de diferentes países envolvidos na publicação, tradução, distribuição e comercialização de livros.

A participação brasileira é organizada pelo Brazilian Publishers, projeto de internacionalização do conteúdo editorial brasileiro realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Mais do que levar livros para uma feira internacional, a presença brasileira tem como objetivo ampliar a circulação da produção editorial do país. O estande reúne editoras de diferentes perfis e segmentos e cria espaço para negociação de direitos autorais, encontros com agentes e profissionais estrangeiros e apresentação de autores e obras brasileiras a novos mercados.

Entre as empresas participantes estão Companhia das Letras, Globo Livros, Fósforo, Pallas, Callis, Ciranda Cultural, EDUSP, UNESP, Clube de Autores e Faro Editorial.

Luiz Gama e os caminhos da literatura brasileira

A programação cultural procura apresentar diferentes aspectos da produção literária brasileira. Um dos destaques é a roda de conversa e lançamento de livros Por que repensar a literatura no Brasil a partir de Luiz Gama?, marcada para 9 de outubro, às 14h, no estande F123, no Pavilhão 3.1.

Com participação de Bruno Rodrigues de Lima e Silvana Carvalho, o encontro parte da obra e do legado de Luiz Gama para discutir outras possibilidades de leitura da literatura brasileira e de sua história.

A programação também inclui referências a autores e tradutores brasileiros e busca apresentar ao público internacional uma produção que não se limita aos nomes mais conhecidos no exterior.

Literatura para crianças e jovens

A produção infantojuvenil ocupa outro espaço importante na programação. Nos dias 9, 10 e 11 de outubro, o Salão Literário Infantojuvenil Brasil-Alemanha (i-Lit) promove encontros com escritoras, atividades criativas e sessões de contação de histórias.

No dia 9, das 15h às 16h, o estande do Brazilian Publishers recebe uma atividade para famílias e uma conversa com as escritoras Regina Drummond, Yana Marull e Ana Beltrame.

A presença da literatura para crianças e jovens também aponta para um segmento do mercado editorial brasileiro que busca ampliar sua circulação internacional, seja por meio da publicação de obras, seja pela negociação de direitos para traduções e novas edições.

O livro brasileiro como mercado e patrimônio cultural

Parte significativa da presença brasileira em Frankfurt acontece nos bastidores da feira. O estande do país recebe sessões de matchmaking, aproximando editoras e empresas brasileiras de profissionais do mercado internacional interessados em novos autores, obras e possibilidades de publicação.

A programação inclui ainda o Caipirinha Hour, encontro voltado ao networking e ao intercâmbio entre representantes de diferentes mercados editoriais.

Criado em 2008, o Brazilian Publishers atua justamente nessa área de internacionalização. Segundo o projeto, mais de 100 empresas brasileiras já receberam apoio em seus primeiros passos no mercado externo. Entre as ações desenvolvidas estão o Catálogo de Livros e Direitos Autorais e uma categoria do Prêmio Jabuti voltada ao reconhecimento de editoras internacionais que publicam livros brasileiros.

A participação em Frankfurt evidencia uma dimensão da literatura que vai além da circulação de leitores: a internacionalização depende também de tradutores, agentes, editores, distribuidores e negociações de direitos. É nesse circuito que um livro brasileiro pode deixar de ser apenas uma publicação nacional e passar a integrar catálogos e sistemas editoriais de outros países.

A Feira do Livro de Frankfurt funciona, nesse sentido, como uma espécie de mercado internacional de ideias e direitos. Para o Brasil, estar nesse espaço significa apresentar sua produção editorial, mas também disputar a atenção de um mercado no qual a tradução e a circulação internacional são fundamentais para ampliar o alcance de autores e obras.

A delegação brasileira chega à edição de 2026 combinando essa dimensão comercial com uma programação que procura apresentar a diversidade da literatura produzida no país — da reflexão sobre personagens históricos como Luiz Gama à literatura destinada às novas gerações.