Campinas reúne mestres, mestras e grupos da cultura popular em festival
Segunda edição do Festival de Cultura Popular e Tradicional acontece em 17 e 18 de outubro, com mais de 50 participantes, cortejos, samba, jongo, maracatu, feiras indígenas e de mulheres negras e homenagens à memória cultural da cidade.
A cultura popular de Campinas é feita de cantos, tambores, danças, cortejos, festas e conhecimentos transmitidos entre gerações. Nos dias 17 e 18 de outubro, essa diversidade estará reunida na segunda edição do Festival de Cultura Popular e Tradicional de Campinas, que ocupa a Sala dos Toninhos, na Estação Cultura, com 30 atividades gratuitas e a participação de mais de 50 mestres, mestras e grupos.
A programação aproxima manifestações que integram a história cultural da cidade e da região, como a Folia de Reis, o Samba de Bumbo, o jongo e as escolas de samba, além de expressões de outras tradições, como o afoxé e os tambores japoneses. Shows, cortejos, vivências, feiras, gastronomia e exposições audiovisuais compõem os dois dias de atividades.
Mais do que apresentar diferentes atrações, o Festival propõe um encontro com as comunidades que mantêm essas tradições vivas. A iniciativa também chama a atenção para a presença negra e indígena na formação cultural de Campinas, uma história que nem sempre recebe o mesmo espaço nas narrativas sobre a cidade.
Tradições que atravessam gerações
A abertura acontece no sábado, dia 17, às 9h30, com a Chegança da Folia de Reis e a Mesa de Acolhida, com participação da Companhia de Reis Ases do Brasil. Inspirado na tradição das casas que recebem os foliões, o encontro introduz o público em uma manifestação religiosa e musical que percorre comunidades e preserva repertórios transmitidos entre gerações.
Ao longo do dia, apresentam-se as Caixeiras das Nascentes, o grupo de tambores japoneses Mitsuba Wadaiko, o Afoxé Ilê Ogum e o Batuque dos Engraxates, com Mestre Griô Marquinhos Simplício e os Meninos Levados.
Um dos encontros destacados é o de Samba de Bumbo Paulista, que reúne o Samba de Bumbo Campineiro Nestão Estevam, de Campinas, e o Samba de Roda da Dona Aurora, de Vinhedo. A aproximação entre os grupos evidencia a continuidade de uma tradição musical do interior paulista, associada à cultura negra e às formas comunitárias de celebração.
O sábado inclui ainda um cortejo de baterias das escolas de samba e o show da Banda Ori, que combina percussão afro-brasileira, referências dos blocos afro da Bahia, reggae e música popular.

Feiras indígenas e de mulheres negras
A dimensão cultural do Festival também se expressa na produção artística, no artesanato, na alimentação e na economia das comunidades participantes. Durante os dois dias, as feiras reúnem artistas, empreendedoras, produtores culturais e representantes de povos indígenas.
A ỌJÀ OBÌNRIN — Feira de Mulheres Pretas apresenta moda, artesanato, produções autorais e iniciativas de mulheres negras. A feira coloca em evidência o trabalho de criadoras e empreendedoras que movimentam a economia e a produção cultural local.
Já a NHANERAMÕIGUERE — Feira Indígena, organizada em articulação com a Rede EtnoCidade, reúne produções de diferentes povos indígenas, incluindo arte, adornos, grafismos, publicações e culinária.
A gastronomia amplia esse contato com os saberes tradicionais. O público poderá conhecer preparações indígenas Guarani Mbya, pratos afro-brasileiros da Flor de Dendê e alimentos ligados às festas populares, além de outras opções disponíveis na praça de alimentação.
Vivências culturais, brincadeiras e atividades para crianças e famílias completam a programação, favorecendo o contato direto com práticas e conhecimentos que nem sempre estão presentes nos espaços culturais convencionais.

Mestres e mestras na memória da cidade
Ao anoitecer de sábado, a fachada da Sala dos Toninhos receberá a projeção de “Heroínas e Heróis da Campinas Popular”. A exposição em videomapping reúne fotografias, nomes e registros de mestres, mestras e grupos que contribuem para a preservação das manifestações populares e tradicionais do município.
A homenagem dá visibilidade a pessoas e comunidades cujo trabalho muitas vezes acontece longe dos circuitos mais reconhecidos da produção cultural. São artistas, guardiões de tradições e integrantes de grupos que mantêm repertórios, práticas e formas de convivência fundamentais para a memória coletiva.
No domingo, dia 18, a programação continua com a Comunidade Jongo Dito Ribeiro, que apresenta os tambores, os pontos cantados e a dança em roda, e com o Maracatucá, dedicado ao maracatu de baque virado.
O dia também terá a exposição audiovisual “Campinas e Seus Carnavais — A História que o Samba Nunca Deixou Acabar”, voltada à memória das manifestações carnavalescas e das escolas de samba da cidade.
Samba e a retomada dos desfiles
A partir das 15h de domingo, o Concurso do Samba-Enredo reúne as quatro escolas de samba de Campinas. A atividade integra a preparação para o retorno dos desfiles à avenida, previsto para 2027, e destaca o papel das agremiações na continuidade do samba e do carnaval local.
As escolas de samba são espaços de criação musical, formação artística e organização comunitária. Seus enredos, sambas, fantasias e desfiles articulam memória, identidade e participação coletiva. Ao colocar o concurso dentro de um festival dedicado à cultura popular, a programação aproxima o carnaval de outras tradições que também dependem do envolvimento comunitário para permanecerem vivas.
O encerramento musical fica por conta do Grupo Casa Caiada, com repertório de samba.
Para Marcelo das Histórias, coordenador do Festival, aproximar a população dessas expressões é uma forma de ampliar o conhecimento sobre a própria cidade. Ele destaca a contribuição de povos negros, indígenas e outras comunidades para a formação cultural de Campinas, assim como a necessidade de dar maior visibilidade a essa história.
A segunda edição do Festival propõe, assim, um olhar sobre Campinas a partir de seus mestres, mestras e grupos culturais. Ao reunir tradições religiosas, ritmos afro-brasileiros, expressões indígenas, samba e carnaval, a programação evidencia que a cultura popular não é apenas uma herança do passado: é uma prática coletiva que continua sendo criada e transmitida no presente.

Serviço
2º Festival de Cultura Popular e Tradicional de Campinas
Quando: 17 e 18 de outubro de 2026, sábado e domingo
Onde: Sala dos Toninhos — Estação Cultura
Endereço: Rua Francisco Teodoro, 1050, Vila Industrial, Campinas (SP)
Entrada: gratuita
Estacionamento: no local
Programação completa: Consultar programação
Mais informações: Instagram @saladostoninhos e @culturavivacampinas

