CanaisLançamentosVisuais

Museu Bispo do Rosario abre nova exposição de longa duração e amplia acessibilidade

O Museu Bispo do Rosario, na Taquara, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, abre ao público “Atos da Apresentação”, sua nova exposição de longa duração.

A mostra toma a vida e a obra de Arthur Bispo do Rosário como ponto de partida para contar uma história maior — a do território da antiga Colônia Juliano Moreira, que durante décadas carregou o estigma de hospício e hoje se afirma como bairro vivo, produtor de cultura e memória.

A exposição está organizada em seis eixos: a trajetória de Bispo; a figura de Juliano Moreira além da Colônia que leva seu nome; a transformação do território; a coletividade feminina que o marcou; a luta antimanicomial; e um núcleo chamado “Sonhos que vencem”. Juntos, eles propõem um olhar que não apaga o que aconteceu ali — mas que se recusa a reduzir o lugar ao seu passado mais doloroso.


Uma decisão curatorial que vale nota

Uma das mudanças mais significativas desta nova fase é a retirada dos aparelhos de eletroconvulsoterapia, tiras de contenção e utensílios de lobotomia que antes ficavam expostos ao lado das obras de arte. Esses objetos passam agora para o acervo de pesquisa, disponíveis a estudiosos, mas fora do circuito expositivo.

A retirada é um ato que simboliza a nova direção curatorial“, explica Carolina Rodrigues, curadora-geral do museu. Para ela, a exposição não se debruça apenas sobre Bispo, mas sobre “um dos mundos que tiveram a Colônia Juliano Moreira como ponto de convergência. Compreender suas histórias é fundamental para que imagens de flagelo e subalternidade não permaneçam atreladas a um bairro efervescente, que conta com vários agentes na manutenção de sua memória e na produção ativa das histórias que ainda estão por vir.

Museu Bispo do Rosario - Divulgação
Museu Bispo do Rosario – Divulgação

Quem está na mostra

Ao lado das obras de Bispo — cujo acervo foi tombado pelo IPHAN em 2018 —, a exposição dá espaço a Antônio Bragança, Stella do Patrocínio e ao Ateliê Gaia. Documentos históricos assinados pelo próprio Juliano Moreira — figura central na ruptura com as teorias de degeneração racial que dominavam a psiquiatria da época — conectam o passado manicomial às conquistas da Reforma Psiquiátrica brasileira, iniciada nos anos 1980 e consolidada nos anos 2000.

Por ser de longa duração, a mostra prevê a substituição periódica de obras de Bispo, para preservar o acervo. A cada ciclo, o museu reorganiza sua forma de documentar o território — sempre a partir da arte, do cuidado e da saúde coletiva.

Museu Bispo do Rosario - Divulgação
Museu Bispo do Rosario – Divulgação

Acessibilidade no concreto

Junto com a exposição, o museu coloca em prática um projeto de acessibilidade para pessoas com deficiência visual que vai além da boa intenção: piso tátil em todas as dependências, mapa tátil dos três pavimentos, reproduções táteis do Grande Veleiro, do Estandarte da Colônia e do Manto da Apresentação para uso educativo, além de formação para mediadores e equipes.

O projeto inclui parcerias com escolas públicas, transporte para visitas técnicas e colaboração com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).


SERVIÇO

Atos da Apresentação — Exposição de Longa Duração Abertura: 29 de maio de 2026, às 14h Entrada gratuita | Visitas mediadas com agendamento prévio

Museu Bispo do Rosario Estrada Rodrigues Caldas, 3400 — Taquara, Rio de Janeiro

Realização: Ministério da Cultura, Prefeitura do Rio e Secretaria Municipal de Cultura Patrocínio: Itaú

Museu Bispo do Rosario - Divulgação
Museu Bispo do Rosario – Divulgação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *