Selo Sesc antecipa lançamento do box Vadico com três gravações inéditas
Singles revelam diferentes facetas do compositor que marcou a história da música brasileira e antecipam coleção dedicada à redescoberta de sua obra.
O legado de Oswaldo Gogliano (1910–1962), o Vadico, ganha um novo capítulo com o lançamento de três singles inéditos pelo Selo Sesc, disponíveis nas plataformas digitais. As gravações antecipam a chegada do aguardado box Vadico, coleção de três CDs que reúne 37 faixas interpretadas por mais de 170 músicos e oferece um amplo panorama da produção de um dos grandes arquitetos da música brasileira do século XX.
Conhecido principalmente pela parceria com Noel Rosa, responsável por clássicos como Feitio de Oração e Conversa de Botequim, Vadico construiu uma trajetória muito mais ampla. Pianista virtuose, arranjador, compositor e diretor musical, transitou com naturalidade entre o choro, o samba, a canção e a música de concerto, deixando uma obra que permaneceu, em parte, dispersa por décadas.
O lançamento do box nasce de uma extensa pesquisa conduzida pelo músico e pesquisador Franco Galvão, que localizou 541 páginas de partituras inéditas de Vadico nos arquivos da Southern Illinois University, nos Estados Unidos. A descoberta permitiu reconstruir uma parcela significativa de sua produção, reunindo manuscritos, fonogramas e documentos preservados em acervos brasileiros e internacionais.

Três obras, três momentos da carreira
Os singles funcionam como uma síntese da diversidade criativa de Vadico.
Prelúdio (1960) revela seu vínculo com a música de concerto e evidencia a sólida formação erudita do compositor. Escrita durante o período em que viveu nos Estados Unidos, entre o final da década de 1940 e o início dos anos 1950, a obra era considerada desaparecida até a localização de sua partitura na pesquisa de Franco Galvão. Nesta nova gravação, recebe interpretação do pianista Tiago Costa, acompanhado pela Orquestra de Câmara da ECA-USP (OCAM), sob regência de André Bachur.
Já Duvidoso, gravada originalmente em 1955 por Vadico e seu Regional, destaca sua atuação como pianista e diretor musical. A nova versão aproxima o universo do choro de uma escrita camerística, reunindo o pianista Hercules Gomes, músicos do regional de choro e instrumentos de sopro em arranjo de Fernando Sagawa.
Fechando a prévia do box, Sempre a Esperar recupera uma parceria entre Vadico e Vinicius de Moraes, lançada originalmente em 1963, após a morte do compositor, na voz de Elizeth Cardoso, com arranjo de Moacir Santos e participação de Baden Powell. A releitura reúne Renato Braz, a OCAM e participação de Fernando Sagawa no saxofone alto.

Redescobrindo um protagonista da música brasileira
Mais do que uma homenagem, o projeto reposiciona Vadico entre os grandes nomes da música brasileira do século XX, revelando um artista cuja produção extrapola o universo do samba e dialoga com diferentes linguagens musicais.
Com lançamento previsto para 31 de julho, o box apresenta três eixos que ajudam a compreender sua trajetória: o compositor de canções, o instrumentista e o diretor musical, oferecendo ao público um retrato abrangente de uma obra que influenciou gerações de músicos e permanece fundamental para compreender a evolução da música popular brasileira.

Sobre o Selo Sesc
Desde 2004, o Selo Sesc desenvolve um dos mais consistentes catálogos dedicados à preservação e difusão da produção musical brasileira. Seu acervo reúne registros históricos, música de concerto, projetos especiais, gravações inéditas e obras voltadas à valorização do patrimônio cultural, disponibilizadas em formatos físico e digital, ampliando o acesso a importantes capítulos da história da música brasileira.



