Literatura de cordel ganha Cordelteca em Parelheiros em São Paulo
Cordelteca Téo Azevedo será inaugurada em 21 de agosto, na Casa de Cultura de Parelheiros, com acervo de cerca de 100 títulos e programação gratuita.
A literatura de cordel ganha um novo espaço de preservação, acesso e difusão em São Paulo. No dia 21 de agosto, sexta-feira, às 14h, será inaugurada a Cordelteca Téo Azevedo, na Casa de Cultura de Parelheiros, na zona sul da capital. A iniciativa integra o projeto Gira Perifa e reúne cerca de 100 títulos de cordel, entre obras tradicionais e contemporâneas.
Segundo os organizadores, trata-se da primeira cordelteca instalada em um equipamento público da cidade de São Paulo dedicada à literatura de cordel, manifestação da cultura popular reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
A programação de abertura inclui um sarau lítero-musical com os poetas cordelistas Aldy Carvalho, Maria Celma e Moreira de Acopiara, apresentação de repente com Chico Pinheiro e Vicente Reinaldo e show de forró do Luarada Brasileira, com participação especial da cantora Fatel Barbosa. A cerimônia será conduzida por Luiz Wilson, cantor, compositor, locutor, animador e poeta popular.
Acervo e atividades
Sob coordenação de implementação de Lucélia Borges, a Cordelteca Téo Azevedo disponibilizará aproximadamente 100 obras, reunindo diferentes períodos, autores, autoras e temas da literatura de cordel.
Entre os títulos clássicos presentes no acervo estão Proezas de João Grilo, O Pavão Misterioso, A Donzela Teodora e João de Calais. A seleção também inclui produções contemporâneas voltadas à literatura infantil, à cultura popular e ao uso do cordel como ferramenta pedagógica.
O curador Marco Haurélio destaca que a seleção levou em consideração os processos de criação dos folhetos e a autoria das obras.
“Enfatizando nossa missão de valorizar todos os processos de produção dos folhetos, fizemos uma seleção criteriosa, contemplando apenas aqueles que não recorreram, em nenhuma etapa, à ‘inteligência’ artificial, reconhecendo o valor de cada artista, autor e ilustrador ou designer, e a importância do pleno respeito aos direitos autorais e intelectuais.”
Durante o segundo semestre de 2026, a cordelteca também receberá atividades gratuitas, entre elas saraus e oficinas de xilogravura, cordel e fanzine, além de um curso de cordel destinado a educadores. As datas das atividades serão divulgadas posteriormente.
Téo Azevedo
A cordelteca recebe o nome de Téo Azevedo, cordelista e repentista nascido em 1943, em Alto Belo, distrito rural de Bocaiúva, Minas Gerais.
Téo Azevedo mudou-se para São Paulo em 1969, onde desenvolveu sua trajetória ligada às diferentes modalidades da cantoria nordestina. Segundo informações do projeto, possui milhares de músicas gravadas, escreveu cerca de mil histórias de cordel e publicou 12 livros dedicados à cultura popular.
A escolha do nome estabelece uma relação entre a tradição nordestina do cordel e a trajetória de seus artistas e praticantes em São Paulo, marcada pelos processos de migração, circulação cultural e formação de comunidades na cidade.

Gira Perifa
A implantação da Cordelteca Téo Azevedo integra o Gira Perifa, projeto que articula formação, arte, memória e pertencimento ao longo de dez meses de atividades.
A iniciativa foi idealizada pela Associação Construindo Consciência (ACC), em parceria com o Instituto Cordel Sem Fronteiras (ICSF), com apoio da Casa di Fatel e acolhimento da Casa de Cultura de Parelheiros.
O projeto prevê a implantação de duas cordeltecas. A segunda unidade deverá ser inaugurada ainda em 2026.
O Gira Perifa é realizado com recursos do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Governo Federal.
Serviço
Inauguração da Cordelteca Téo Azevedo
Data: 21 de agosto, sexta-feira
Horário: das 14h às 18h30
Local: Casa de Cultura de Parelheiros
Rua Nazle Mauad Lutfi, 169 – Parque Tamari – São Paulo/SP
Programação:
Sarau lítero-musical: Aldy Carvalho, Maria Celma e Moreira de Acopiara
Canto de repente: Chico Pinheiro e Vicente Reinaldo
Show/forró: Luarada Brasileira e Fatel Barbosa
Mestre de cerimônia: Luiz Wilson
Entrada: gratuita
Classificação: livre
Acessibilidade: interpretação em Libras


