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Lendo o Mundo revisita experiência de Paulo Freire na Cinemateca Brasileira

Documentário de Catherine Murphy e Iris de Oliveira recupera a experiência de alfabetização em Angicos e debate memória, cinema e educação em sessão no dia 15 de setembro.

As experiências de alfabetização de adultos conduzidas por Paulo Freire no início dos anos 1960 são o ponto de partida de Lendo o Mundo (2025), documentário dirigido por Catherine Murphy e Iris de Oliveira que terá pré-estreia na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, no dia 15 de setembro, às 15h30.

A sessão será seguida, às 16h45, pelo debate “Memória, Cinema e Educação”, reunindo a diretora Catherine Murphy, a produtora cultural e pesquisadora Liciane Mamede, a pesquisadora e educadora Sonia Couto Souza Feitosa e Gabriela Sousa de Queiroz, diretora técnica da Cinemateca Brasileira. A mediação será de Marcelo Fonseca, coordenador de Educação a Distância do Instituto Paulo Freire.

O filme revisita principalmente o trabalho desenvolvido por Freire em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde centenas de trabalhadores rurais participaram dos Círculos de Cultura e aprenderam a ler e escrever em um processo que se tornou uma das experiências mais conhecidas da trajetória do educador.

A partir das memórias de participantes, imagens de arquivo e registros produzidos naquele período, Lendo o Mundo recupera uma concepção de alfabetização que não se limitava ao aprendizado da leitura e da escrita. A educação aparecia relacionada à compreensão da realidade, à participação política, aos direitos civis e à possibilidade de os trabalhadores se reconhecerem como sujeitos de sua própria história.

O documentário também procura situar a experiência no contexto do Nordeste brasileiro no início dos anos 1960, marcado por desigualdades sociais e educacionais, movimentos sociais e reivindicações por reformas. O processo seria interrompido pelo golpe de 1964, que levou Paulo Freire à prisão e posteriormente ao exílio.

Mais do que revisitar uma experiência de alfabetização, queríamos compreender o que estava por trás dela e o momento histórico em que aconteceu. Em Angicos, alfabetizar também significava ampliar as possibilidades de participação e de transformação de uma população que, até então, tinha pouco acesso à educação e sequer podia exercer plenamente seus direitos políticos”, afirma Catherine Murphy.

foto divulgação_Sr. Manoel e esposa, Maria
foto divulgação_Sr. Manoel e esposa, Maria

Memória como documento

Ao recuperar depoimentos de pessoas que participaram dos Círculos de Cultura e confrontá-los com imagens e registros de arquivo, Lendo o Mundo trabalha também com a memória como fonte para compreender uma experiência educacional situada em um período de profundas disputas políticas no país.

Desde sua estreia no Festival de Gramado, em 2025, onde recebeu o Kikito de Melhor Longa-Metragem Documentário, o filme passou por mais de 15 festivais nacionais e internacionais. Entre os reconhecimentos estão o Prêmio Corazón Feliz, no Festival Internacional de Nuevo Cine Latinoamericano de Havana; os prêmios de Melhor Filme e Direção na Mostra Humanidades do Santos Film Fest 2026; Menção Honrosa no 6º Citronela Doc; e o primeiro lugar na categoria longa-metragem do Defense of Democracy Film Festival 2026.

A sessão na Cinemateca Brasileira integra uma série de exibições previstas para setembro. No dia 17, o documentário será apresentado no Firehouse Cinema, em Nova York, seguido de sessão de perguntas e respostas. No dia 18, participa da programação da Freire Conference, no Teachers College da Columbia University.

Em São Paulo, Lendo o Mundo volta a ser exibido no dia 19, no Cine Belas Artes, em sessão especial relacionada ao aniversário de Paulo Freire. No dia 24, chega a Angicos (RN) para o III Seminário Paulo Freire, promovido pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Em 25 de setembro, haverá nova exibição na Ação Educativa, em São Paulo.

O documentário é uma produção da Maestra Productions, produtora colaborativa sem fins lucrativos dedicada à realização de documentários relacionados às artes, à educação e aos movimentos de justiça social.

Serviço

Lendo o Mundo – pré-estreia

Data: 15 de setembro de 2026
Horário: 15h30
Local: Cinemateca Brasileira – São Paulo (SP)

Debate “Memória, Cinema e Educação”
Horário: 16h45, após a sessão

Participantes: Catherine Murphy, Liciane Mamede, Sonia Couto Souza Feitosa e Gabriela Sousa de Queiroz
Mediação: Marcelo Fonseca

Ficha Técnica:
Duração: 70’
Ano de Produção: 2025
Direção: Catherine Murphy & Iris de Oliveira
Produção Executiva: Petra Costa, Kit Miller, T.M. Scruggs
Trailer: https://vimeo.com/1029446026/8c0a98840d?share=copy
Site: https://www.lendoomundo.net/