Centro Cultural Nagô celebra 48 anos de cultura viva e Capoeira Angola
Festa gratuita reúne mestres da Capoeira Angola, manifestações da cultura popular e atividades comunitárias em celebração a quase cinco décadas de atuação cultural em Itaquera.
No próximo 8 de agosto, o Centro Cultural Nagô comemora 48 anos de trajetória com uma programação gratuita que reafirma sua importância como espaço de preservação das tradições afro-brasileiras, formação comunitária e valorização da cultura popular na Zona Leste de São Paulo.
A celebração acontece a partir das 10h, no Jardim José Bonifácio, em Itaquera, reunindo mestres da Capoeira Angola, grupos culturais, moradores e visitantes em um encontro marcado pela ancestralidade, pela convivência e pela transmissão de saberes.
Fundado em 1978 por Mestre Moreno, discípulo de Mestre Ananias, o Centro Cultural Nagô nasceu a partir da prática da Capoeira Angola e, ao longo dos anos, tornou-se um importante ponto de referência para a cultura afro-brasileira na cidade. Mais do que um espaço dedicado à capoeira, o Nagô consolidou-se como território de encontro entre diferentes expressões culturais, promovendo oficinas, rodas de conversa, celebrações tradicionais e atividades voltadas para crianças, jovens, adultos e idosos.
A festa de aniversário integra as ações desenvolvidas pelo projeto realizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), em diálogo com a Política Nacional Cultura Viva, fortalecendo iniciativas permanentes de formação artística e acesso à cultura na região.
Quase cinco décadas de formação e pertencimento
Ao longo de sua história, o Centro Cultural Nagô construiu uma atuação voltada para a valorização das heranças afro-brasileiras e para a democratização do acesso à cultura. Suas atividades articulam prática corporal, memória, educação e convivência comunitária, fortalecendo vínculos entre gerações e mantendo vivos conhecimentos transmitidos por mestres e mestras da cultura popular.
Segundo Mestre Moreno, a trajetória do espaço está diretamente ligada à preservação de saberes ancestrais e ao compromisso com a comunidade.
“O Centro Cultural Nagô nasceu para manter viva uma herança que recebemos dos nossos mestres e que hoje compartilhamos com toda a comunidade. Cada criança que aprende a ginga, cada jovem que conhece a história da Capoeira Angola e cada família que participa das nossas festas ajuda a fortalecer essa corrente de ancestralidade que atravessa gerações.”

Cultura viva durante todo o ano
A celebração dos 48 anos também destaca o conjunto de atividades permanentes oferecidas gratuitamente pelo centro cultural. Atualmente, o Nagô mantém aulas de Capoeira Angola para crianças e adultos, além de oficinas de Dança Afro e Maracatu, fortalecendo o acesso da população às manifestações tradicionais brasileiras.
Nos últimos meses, o espaço promoveu ainda duas celebrações marcantes de seu calendário cultural: a Festa de Ibejis, dedicada às crianças, e a tradicional Festa Mumunha, encontro que reúne música, culinária e práticas comunitárias ligadas às tradições afro-brasileiras.
Mestres e grupos convidados
A programação deste ano contará com a participação de importantes referências da Capoeira Angola e da cultura popular.
Entre os convidados está Mestre Manoel, reconhecido nacionalmente por seu trabalho de preservação da Capoeira Angola e pela atuação junto a comunidades do Rio de Janeiro. Com mais de cinco décadas dedicadas à capoeira, tornou-se uma das principais referências da linhagem de Mestre Pastinha, articulando prática cultural, educação e ação social.
Também participa do encontro o educador e capoeirista Maurício Mendes de Faria (Menor), cuja trajetória está ligada à formação de novos praticantes e à valorização da capoeira como patrimônio cultural brasileiro.
A programação recebe ainda o coletivo Coco do Pajé, criado por Natália Santtos e Nilton Junior, que apresenta repertório inspirado nos cocos tradicionais, torés e expressões musicais vinculadas às culturas populares nordestinas e aos saberes afro-indígenas.
Além das apresentações e rodas culturais, haverá atividades voltadas ao público infantil, reforçando o compromisso do Nagô com a formação das novas gerações.
Um espaço de memória e transformação social
Ao completar 48 anos, o Centro Cultural Nagô reafirma sua vocação como espaço de cultura viva, onde arte, educação e ancestralidade caminham juntas. Em um território marcado pela diversidade cultural da periferia paulistana, o centro segue fortalecendo redes comunitárias e criando oportunidades para que tradições populares continuem sendo transmitidas e reinventadas.
Mais do que celebrar uma data, o encontro convida o público a reconhecer a importância dos mestres da cultura popular, da Capoeira Angola e das experiências coletivas que mantêm vivas as memórias e os saberes afro-brasileiros na cidade de São Paulo.

Serviço
48º Aniversário do Centro Cultural Nagô
Data: 8 de agosto de 2026 (sábado)
Horário: A partir das 10h
Local: Centro Cultural Nagô – Jardim José Bonifácio, Itaquera – São Paulo (SP)
Entrada gratuita

