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Atlântico Sertão destaca a força da produção artística nordestina no CCBB São Paulo

Exposição reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe novas leituras sobre memória, ancestralidade, território e identidade a partir dos conceitos de Atlântico e Sertão.

A diversidade da produção artística nordestina ocupa lugar central na exposição Atlântico Sertão, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP) até 3 de agosto. Reunindo mais de 70 artistas de diferentes regiões do país, a mostra apresenta um amplo panorama da arte contemporânea brasileira, com significativa presença de criadores da Bahia, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba, Piauí e Sergipe.

Distribuída pelos quatro andares do edifício histórico do CCBB, a exposição articula pinturas, esculturas, fotografias, vídeos, instalações e obras produzidas em diferentes linguagens para refletir sobre memória, identidade, espiritualidade, território, ancestralidade e direitos humanos. A partir dos conceitos simbólicos de Atlântico e Sertão, a curadoria propõe deslocar leituras tradicionais desses espaços, compreendendo-os como territórios de circulação de saberes, encontros culturais e permanentes processos de criação.

O Atlântico aparece como espaço marcado pelas travessias da diáspora africana e pelos impactos do colonialismo, enquanto o sertão deixa de ser compreendido apenas como sinônimo de isolamento para assumir a condição de território de invenção cultural, resistência e construção de identidades múltiplas.

Obra de Moara Tupinambá - divulgação CCBB SP
Obra de Moara Tupinambá – divulgação CCBB SP

Um panorama da arte produzida no Nordeste

Entre os destaques da mostra está a expressiva participação de artistas baianos de diferentes gerações. Nomes como Ayrson Heráclito, cuja pesquisa investiga as relações entre memória, religiosidade afro-brasileira e diáspora africana; Juraci Dórea, pioneiro da Land Art no Brasil; e Nádia Taquary, conhecida por esculturas inspiradas nas cosmologias africanas, dialogam com produções de artistas como Ventura Profana, Márvila Araújo, Adenor Gondim, Lita Cerqueira, George Teles, Yacunã Tuxá, Zé di Cabeça e os coletivos Zumví Arquivo Afro Fotográfico e Àwọn arákùnrin oníṣẹ́-ọnà mẹ́ta.

Pernambuco também ocupa espaço significativo na exposição com a presença de Tunga, um dos nomes fundamentais da arte contemporânea brasileira, além da artista multimídia biarritzzz, que apresenta uma instalação inédita criada especialmente para a mostra. Completam esse núcleo artistas como Abiniel João Nascimento, Amanda Melo, Ana Neves, Aura do Nascimento, Fykyá Pankararu, Eliana Amorim, Juniara Albuquerque, José Alves e Mitsy Queiroz, cujas pesquisas abordam ancestralidade, corpo, identidade e relações entre arte e território.

Obra de Rodrigo Braga - Pedra latente - divulgação CCBB SP
Obra de Rodrigo Braga – Pedra latente – divulgação CCBB SP

A potência da arte popular e indígena

A produção artística de Alagoas é representada por nomes como Amilton, Antônio Sandes, Genauro, Gonçalves, Joaci do Pandeiro, Joaci Lima, José Cícero e Mestre Benon, muitos deles oriundos da Ilha do Ferro, comunidade ribeirinha localizada às margens do Rio São Francisco que se consolidou como um dos mais importantes polos de escultura em madeira do país.

Esse conjunto dialoga com a produção do artista indígena Ziel Karapotó, cuja obra articula saberes ancestrais, espiritualidade e questões contemporâneas relacionadas aos povos originários.

Da Paraíba participam José Rufino, cuja trajetória investiga memória, história e arquivos, além de Luiz Barroso, Marlene Almeida, Rafael Chavez e Thiago Costa.

O Ceará comparece com artistas como Maria Macêdo, Jonas Van, Juno B, SouPixo e Trojany, enquanto Mônica Barbosa e Naywá Moura representam o Piauí. Sergipe participa da exposição por meio das esculturas de Véio, artista cuja produção dialoga com o imaginário popular e os elementos da natureza.

Dalton Paula - Sons velados - divulgação CCBB SP
Dalton Paula – Sons velados – divulgação CCBB SP

Diálogo entre diferentes territórios

Embora o Nordeste ocupe posição de destaque, Atlântico Sertão amplia sua reflexão ao reunir artistas de diversas regiões brasileiras cujas pesquisas convergem para questões como memória, ancestralidade, relações raciais, território e processos históricos que atravessam a formação do país.

Entre eles estão Antonio Obá, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Rafa Bqueer, Aline Motta, Jaime Lauriano, Lidia Lisbôa e Rosana Paulino, cujas obras estabelecem diálogos com os diferentes núcleos da exposição.

Com curadoria de Ariana Nuala, Marcelo Campos, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade, a mostra está organizada em seis eixos temáticos que propõem percursos não lineares entre diferentes temporalidades, experiências culturais e linguagens artísticas.

Selecionada pelo Edital CCBB 2026–2027 e realizada por meio da Lei Rouanet, Atlântico Sertão conta ainda com apoio da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), do Instituto Guimarães Rosa (MRE) e do Museu de Arte do Rio (MAR).

Jaime Laureano - E se o apedrejado fosse você - divulgação
Jaime Laureano – E se o apedrejado fosse você – divulgação

Serviço

Atlântico Sertão

Local: CCBB São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – São Paulo

Período: Até 3 de agosto de 2026

Horário: Das 9h às 20h (fechado às terças-feiras)

Entrada gratuita

Informações: (11) 4297-0600

Mais informações: bb.com.br/cultura