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Novela gráfica apresenta às novas gerações a trajetória do abolicionista Luiz Gama

Escrita por autores do Brasil e de Angola, publicação infantojuvenil combina narrativa gráfica, pesquisa histórica e recursos de acessibilidade para aproximar o legado de Luiz Gama de estudantes, educadores e novos leitores.

A vida e a atuação de Luiz Gama (1830–1882), um dos mais importantes intelectuais negros e abolicionistas brasileiros do século XIX, ganham uma nova interpretação na novela gráfica Luiz Gama, Artífice da Liberdade, que será lançada entre julho e agosto em São Paulo, Salvador e Luanda, capital de Angola. Voltada ao público infantojuvenil, a publicação utiliza a linguagem dos quadrinhos para apresentar a trajetória de um personagem fundamental da história brasileira, cuja atuação política, jurídica e literária permanece atual nos debates sobre cidadania, racismo e direitos humanos.

Produzida pela Talismã Arte e Cultura, a obra reúne roteiro original de Tenille Bezerra e textos assinados pela própria autora, pelo escritor angolano Ondjaki e pelo pesquisador Bruno Rodrigues de Lima, autor de Luiz Gama contra o Império, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico de 2024. As ilustrações são do artista baiano Athos Sampaio, que traduz visualmente episódios marcantes da vida de Gama em uma narrativa acessível para jovens leitores.

Com 60 páginas, a publicação terá tiragem inicial de 700 exemplares, distribuídos gratuitamente para escolas, bibliotecas, centros culturais e projetos de arte e educação. Paralelamente, será disponibilizado um audiobook e uma plataforma digital com materiais pedagógicos, entrevistas, conteúdos de pesquisa e recursos voltados à acessibilidade, ampliando o alcance do projeto junto a professores, estudantes e pessoas com deficiência visual.

História em quadrinhos como ferramenta de educação

Mais do que adaptar uma biografia, Luiz Gama, Artífice da Liberdade busca aproximar o público jovem de um personagem cuja atuação foi decisiva para o movimento abolicionista brasileiro. A narrativa acompanha a trajetória de Gama desde a infância, quando foi vendido ilegalmente como escravizado pelo próprio pai, até sua formação autodidata e sua atuação como advogado, jornalista, poeta e intelectual.

Sem diploma universitário, Luiz Gama conquistou judicialmente a própria liberdade e utilizou o conhecimento jurídico para defender pessoas escravizadas nos tribunais, obtendo a libertação de aproximadamente 750 delas. Sua produção literária e jornalística também contribuiu para denunciar a escravidão e ampliar o debate público sobre liberdade e igualdade no Brasil imperial.

Ao transformar essa trajetória em novela gráfica, o projeto aposta na potência da narrativa visual para estimular o interesse pela história brasileira e pela leitura, aproximando pesquisa histórica e linguagem contemporânea.

Luiz Gama - foto Museu Nacional
Luiz Gama – foto Museu Nacional

Um diálogo entre Brasil e Angola

A publicação também estabelece uma ponte simbólica entre Brasil e Angola ao reunir autores dos dois países. Depois dos lançamentos em São Paulo e Salvador, a obra será apresentada em Luanda, reforçando as conexões históricas e culturais entre os dois lados do Atlântico, marcadas pela diáspora africana e pelas permanências culturais construídas ao longo dos séculos.

Para a escritora e pesquisadora Tenille Bezerra, idealizadora do projeto, apresentar Luiz Gama às novas gerações significa manter vivo um legado que ultrapassa a dimensão biográfica.

“A história de Luiz Gama é uma dessas trajetórias que iluminam a verdadeira história do Brasil. Conectar a existência dele aos jovens e crianças de hoje é afirmar seu legado e reconhecer que somos herdeiros da luta contra o racismo, pela justiça social e pela redução das desigualdades.”

O pesquisador Bruno Rodrigues de Lima destaca o papel central que a educação ocupou na vida de Gama.

“Gama compreendeu profundamente o valor da educação. Aprendeu a ler já na juventude, fundou escola, criou biblioteca e construiu uma obra humanitária que permanece inspirando novas gerações.”

Ondjaki observa que o projeto amplia o diálogo entre diferentes territórios da diáspora africana.

“Luiz Gama nos ajuda a pensar a liberdade como uma travessia coletiva. Existe uma ponte simbólica entre Bahia e Angola, e este livro nasce justamente desse encontro entre memórias, afetos e futuros possíveis.”

Plataforma digital amplia o acesso

O projeto será acompanhado pelo lançamento de um portal dedicado à obra e à trajetória de Luiz Gama. Em uma primeira etapa, escolas brasileiras poderão se cadastrar para receber gratuitamente exemplares da publicação. Em seguida, o ambiente digital passará a reunir conteúdos complementares, sugestões pedagógicas, entrevistas, materiais de pesquisa e trechos do audiobook.

A iniciativa amplia as possibilidades de utilização da novela gráfica em contextos educativos e reforça o papel das narrativas ilustradas como recurso para aproximar jovens leitores de temas históricos, da literatura e da formação cidadã.

Ao recuperar a trajetória de Luiz Gama por meio da linguagem dos quadrinhos, Artífice da Liberdade contribui para inserir um dos principais intelectuais negros do país no universo de leitura das novas gerações, propondo uma reflexão sobre memória, justiça e os processos históricos que continuam a marcar a sociedade brasileira.

Serviço

Luiz Gama, Artífice da Liberdade
Novela gráfica infantojuvenil

Autores: Tenille Bezerra, Ondjaki e Bruno Rodrigues de Lima
Ilustrações: Athos Sampaio
Editora: Talismã Arte e Cultura
Formato: Novela gráfica – 60 páginas

13 a 30 de julho
www.talisman.art.br/luizgama

Lançamentos

São Paulo

  • 28 de julho, às 17h – Sala 261, Faculdade de Letras da USP
  • 29 de julho, às 19h – Livraria Megafauna (Edifício Copan)

Salvador

  • 1º de agosto, às 16h – Biblioteca Pública dos Barris
  • 8 de agosto, às 18h – Flipelô

Luanda (Angola)

  • 16 de agosto