Museu das Culturas Indígenas com programação intensa no mês de agosto
Museu das Culturas Indígenas amplia protagonismo dos povos originários com programação dedicada à memória, clima e gestão compartilhada.
Agosto reúne debates sobre emergência climática, lançamento de documentário indígena, cantos tradicionais, formação audiovisual e apresentação do novo Plano Museológico construído de forma colaborativa.
O mês de agosto, marcado pelo Dia Internacional dos Povos Indígenas (9 de agosto), transforma o Museu das Culturas Indígenas (MCI), em São Paulo, em um espaço de encontro entre saberes ancestrais e questões contemporâneas. A programação reúne debates sobre mudanças climáticas, exibições audiovisuais, atividades formativas, narrativas tradicionais, celebrações culturais e discussões sobre patrimônio, reafirmando o protagonismo indígena na produção de conhecimento, na gestão cultural e na formulação de políticas públicas.
Mais do que uma agenda comemorativa, o conjunto de atividades evidencia uma transformação em curso na museologia brasileira. Criado a partir de um modelo de gestão compartilhada entre instituições culturais e representantes indígenas, o MCI vem consolidando uma experiência que desloca os povos originários da condição de objeto de exposição para o lugar de sujeitos da curadoria, da pesquisa e da definição dos rumos institucionais.
Gerido pela ACAM Portinari, em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim, o museu integra a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e tornou-se uma das principais referências nacionais na construção de museus orientados por perspectivas interculturais.
Povos indígenas e emergência climática
Entre 4 e 7 de agosto, o MCI participa da São Paulo Climate Week 2026 com o ciclo “Florestas e Sociobioeconomia: conservação, financiamento e negócios regenerativos”.
A programação reúne lideranças indígenas, pesquisadores, gestores públicos, investidores e organizações da sociedade civil para discutir modelos de conservação baseados na proteção dos territórios tradicionais, restauração florestal, financiamento da sociobioeconomia e cadeias produtivas sustentáveis.
A participação do museu amplia uma discussão cada vez mais presente nos fóruns internacionais: o reconhecimento de que os conhecimentos indígenas desempenham papel estratégico na conservação da biodiversidade. Diversos estudos internacionais demonstram que terras indígenas apresentam alguns dos menores índices de desmatamento e preservam parte significativa da diversidade biológica do planeta, colocando os povos originários no centro dos debates sobre enfrentamento da crise climática.
A cidade vista pelos Pankararu
A programação segue em 8 de agosto com o pré-lançamento do documentário “Pankararu: Entre Serras e Arranha-Céus”, apresentado durante o Encontro Anual Pankararu, no Projeto Casulo, no Real Parque, Zona Sul de São Paulo.
Realizado a partir de pesquisa conduzida por jovens indígenas, o filme registra a trajetória da comunidade Pankararu que migrou do sertão pernambucano para São Paulo a partir da década de 1940, acompanhando a formação de um dos principais territórios indígenas urbanos do país.
O documentário recupera histórias orais de diferentes gerações e destaca especialmente o protagonismo das mulheres na preservação dos conhecimentos tradicionais, das práticas espirituais e das redes de cuidado comunitário. Ao mesmo tempo, evidencia a luta da comunidade pela garantia de direitos, especialmente nas áreas de saúde, educação e reconhecimento territorial.
A programação do encontro inclui apresentações do toré, cantos tradicionais, feira de artesanato e culinária indígena, reunindo também representantes dos povos Pankará, Pankararé, Fulni-ô, Jeripancó e Guarani.
Audiovisual como instrumento de autonomia
Também no dia 8 de agosto, o museu promove uma oficina introdutória de produção audiovisual voltada aos participantes do encontro.
Conduzida por Thiago Carvalho, editor do documentário, a atividade apresenta técnicas básicas de produção de vídeo e discute o audiovisual como ferramenta de documentação, preservação da memória e fortalecimento das narrativas produzidas pelos próprios povos indígenas.
Nos últimos anos, o cinema indígena consolidou-se como um dos movimentos mais relevantes do audiovisual brasileiro contemporâneo, permitindo que comunidades registrassem suas próprias histórias, idiomas e formas de viver sem a mediação de olhares externos.
Cantos que atravessam gerações
No Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, o museu recebe a “Comitiva Pey Kawa”, do povo Huni Kuin, do Acre.
A atividade “O Canto da Floresta no Coração da Metrópole” reúne cantos Huni Meka, danças e narrativas transmitidas entre gerações, aproximando visitantes dos conhecimentos espirituais, musicais e cosmológicos desse povo amazônico.
Mais do que uma apresentação artística, trata-se de uma vivência que evidencia como música, espiritualidade e território permanecem profundamente conectados nas culturas indígenas.
Memória indígena também se constrói nas cidades
No dia 15 de agosto, durante a 12ª Jornada do Patrimônio de São Paulo, o MCI realiza o lançamento público do documentário “Pankararu: Entre Serras e Arranha-Céus”, seguido por um debate sobre patrimônio, memória, educação e presença indígena nos contextos urbanos.
A atividade amplia a compreensão de patrimônio para além dos monumentos históricos, destacando experiências de comunidades que continuam produzindo cultura, identidade e formas próprias de ocupação da cidade.

Narrativas ancestrais
O Programa de Contação de Histórias realiza, em 22 de agosto, uma edição especial intitulada “Muito Antes do Era Uma Vez”, reunindo mestres dos povos Baré, Pankararu, Puri e Iny Mahãdu.
As narrativas abordam temas presentes nas cosmologias indígenas, como a origem das águas, das árvores, das cachoeiras e das serpentes, mostrando que tradição oral permanece sendo uma das principais formas de transmissão de conhecimento entre os povos originários.
Um museu construído em diálogo
Encerrando a programação, em 28 de agosto, o Museu das Culturas Indígenas apresenta ao público o processo de elaboração de seu novo Plano Museológico.
Mais do que um documento administrativo, o plano sintetiza um processo desenvolvido ao longo de meses por equipes do museu, Instituto Maracá e Conselho Indígena Aty Mirim, por meio de encontros dedicados à formação em museologia intercultural.
A iniciativa reforça um aspecto singular do MCI: a construção compartilhada das políticas institucionais com representantes indígenas, que participam da definição de diretrizes curatoriais, educativas e de gestão.
O Conselho Aty Mirim reúne representantes dos povos Guarani Mbya, Guarani Ñandeva, Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal, consolidando uma experiência ainda rara no cenário museológico brasileiro.
Exposições e feira permanente
Durante todo o mês, o público também poderá visitar as exposições de longa duração do museu, entre elas “Hendu Porã’rã – Escutar com o Corpo”, “Ayvu Porã – As Belas Palavras”, “Nhe’ẽ ry – Onde os Espíritos se Banham” e “Mymba’i – Pedindo Licença aos Espíritos”, além da ocupação artística “Decoloniza – SP Terra Indígena”, que leva grafismos e murais produzidos por artistas indígenas às áreas externas da instituição.
Na área aberta funciona ainda a Feira de Artes Manuais Indígenas, reunindo artesãs e artesãos de diferentes povos na comercialização de cerâmicas, cestarias, grafismos, objetos rituais, livros e outras produções que articulam geração de renda, circulação de conhecimentos e valorização da economia indígena contemporânea.
Ao reunir debates ambientais, audiovisual, memória, educação e gestão cultural, a programação de agosto reafirma o Museu das Culturas Indígenas como um espaço de produção de conhecimento e diálogo intercultural. Em vez de apresentar as culturas indígenas como herança do passado, o MCI evidencia sua presença ativa na vida contemporânea, mostrando que seus saberes continuam fundamentais para compreender questões como patrimônio, diversidade cultural, sustentabilidade e democracia.
SERVIÇO / PROGRAMAÇÃO
São Paulo Climate Week (SPCW 2026) | “Florestas e Sociobioeconomia: conservação, financiamento e negócios regenerativos”
04 a 07/08/2026, terça a sexta, das 09h às 17h
Pré-lançamento do documentário Pankararu: “Entre Serras e Arranha-céus” | Encontro Anual Pankararu 2026
08/08/2026, sábado, das 10h às 11h30
Oficina de Introdução ao Audiovisual | Encontro Anual Pankararu 2026
08/08/2026, sábado, das 11h30 às 13h30
Dia Internacional dos Povos Indígenas | O Canto da Floresta no Coração da Metrópole, com Comitiva Pey Kawa
09/08/2026, domingo, das 15h às 16h
12ª Jornada do Patrimônio | “Pankararu: Entre Serras e Arranha-céus”
15/08/2026, sábado, das 10h às 12h
Contação de Histórias MCI | Muito Antes do “Era Uma Vez”: águas, árvores e serpentes que sustentam o mundo, com Emerson Baré, Fitsaká, Xipu Puri e Yriwana Teluira Karajá
22/08/2026, sábado, das 11h às 12h
Apresentação do Processo de Elaboração do Plano Museológico do MCI/TAVA, com Conselho Aty Mirim
28/08/2026, sexta, das 14h às 17h
Feira de Artes Manuais
de terça a domingo, das 9h às 18h
Exposições em cartaz no MCI
de terça a domingo, das 9h às 18h; às quintas-feiras até 20h
As atividades são gratuitas com retirada de ingresso no site: https://museudasculturasindigenas.org.br/
Museu das Culturas Indígenas
Endereço: Rua Dona Germaine Burchard, 451, Água Branca – São Paulo/SP
Telefone: (11) 3873-1541
E-mail: contato@museudasculturasindigenas.org.br
Site: www.museudasculturasindigenas.org.br
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