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Festival Choro Jazz leva grandes nomes da música brasileira ao Marajó

Em Soure, festival gratuito transforma a Ilha do Marajó em palco da música brasileira e aproxima grandes artistas das tradições da cultura popular amazônica.

Por dois dias, a Ilha do Marajó se transforma em território de encontro entre a música brasileira, a cultura popular e a diversidade amazônica. Nos dias 28 e 29 de agosto, o Festival Choro Jazz ocupa o Parque de Exposições de Soure, no Pará, com uma programação gratuita que reúne artistas consagrados, músicos de diferentes gerações e manifestações profundamente ligadas às tradições culturais brasileiras.

Em um cenário no qual os grandes shows ainda se concentram nas capitais e nos principais centros urbanos, o festival escolhe outro caminho: levar o circuito nacional da música até o interior da Amazônia. Em sua terceira edição em Soure, o Choro Jazz reafirma a Ilha do Marajó como espaço de produção, circulação e fruição cultural.

O grande destaque do encerramento é Lenine, que se apresenta pela primeira vez em Soure, em formato voz e violão. Vencedor de sete Grammys Latinos e com mais de quatro décadas de trajetória, o cantor e compositor revisita sucessos de sua carreira e apresenta também canções de “EITA”, projeto audiovisual lançado no final de 2025.

Mas é no encontro entre a música autoral e as manifestações da cultura popular que a programação ganha uma dimensão especialmente simbólica. Entre as atrações está o Arraial do Pavulagem, uma das mais importantes expressões da cultura popular paraense, reconhecida por seus cortejos, música, dança, figurinos e personagens tradicionais. O grupo se encontra com Lenine em uma apresentação que aproxima diferentes territórios da música brasileira e coloca no mesmo palco a criação contemporânea e a força das tradições amazônicas.

Também integram a programação Vereda – Comemora 100 anos de Moacir Santos, celebrando um dos grandes compositores e arranjadores da música brasileira; Caetano Brasil & Carol Panesi: Assanhados; Quinteto Caxangá; Toca Transamazônica; e Luiz Otávio – Casa de Amigo. O conjunto evidencia a diversidade de linguagens que atravessam o festival, do choro e do jazz às matrizes populares e às sonoridades regionais.

Quinteto Caxangá - foto José Maria Bezerra - reprodução Facebook
Quinteto Caxangá – foto José Maria Bezerra – reprodução Facebook

A cultura popular como ponto de encontro

A presença do Arraial do Pavulagem ganha ainda mais significado no contexto do festival. Com raízes nas tradições populares do Pará, o grupo construiu uma linguagem própria a partir da música, dos cortejos e das festas de rua, incorporando referências da cultura amazônica e transformando-as em uma experiência coletiva de grande força artística.

É essa capacidade de colocar a cultura popular no centro da experiência cultural que aproxima o festival de seu propósito maior: não apenas apresentar grandes artistas, mas criar encontros entre diferentes gerações, linguagens e territórios da música brasileira.

Com 17 anos de história, desde sua criação em Jericoacoara (CE), o Choro Jazz tem na descentralização uma de suas principais características. No Pará, já promoveu encontros em Soure com nomes como Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Renato Borghetti, consolidando uma trajetória de circulação artística fora dos grandes eixos culturais.

Mais do que levar grandes artistas para fora dos centros urbanos, o festival propõe uma inversão do mapa cultural brasileiro. Em vez de deslocar o público do interior para as capitais, desloca os grandes artistas para o interior.

“Estar de volta a Soure fortalece nosso compromisso com o desenvolvimento cultural contínuo na região do Marajó. O Choro Jazz vai além dos palcos: buscamos criar laços duradouros com a comunidade, estimulando a formação de novas plateias, prestigiando a produção dos músicos da terra e promovendo o diálogo entre as diferentes correntes da nossa música”, afirma Aline de Moraes, membro do Núcleo de Direção-Geral do evento.

Música, formação e economia da cultura

A programação de shows é precedida por oficinas gratuitas destinadas a músicos, estudantes e agentes culturais, reforçando uma das dimensões fundamentais do projeto: associar circulação artística à formação.

A iniciativa amplia o acesso à música, estimula a participação de novos públicos e contribui para a formação de artistas e profissionais da região. Ao mesmo tempo, a realização do festival movimenta fornecedores, técnicos, produtores, trabalhadores e outros agentes da cadeia produtiva da cultura, fazendo da programação um importante vetor de economia cultural no Marajó.

Assim, ao reunir Lenine, grandes nomes da música instrumental brasileira e manifestações como o Arraial do Pavulagem, o Festival Choro Jazz faz mais do que promover shows gratuitos. Cria uma ponte entre a produção musical contemporânea e a cultura popular, entre artistas de projeção nacional e comunidades locais, entre o Brasil dos grandes centros e o Brasil profundo da Amazônia.

Em Soure, o mapa da música brasileira ganha novos contornos — e a cultura popular amazônica ocupa, com protagonismo, o lugar que sempre lhe pertenceu: o centro da cena.

Arraial do Pavulagem - divulgação
Arraial do Pavulagem – divulgação

Festival Choro Jazz 17 anos – III Edição Soure

Quando: 28 e 29 de agosto de 2026
Onde: Parque de Exposições de Soure — Ilha do Marajó (PA)
Entrada: Gratuita

Atrações:
Lenine • Arraial do Pavulagem • Vereda – Comemora 100 anos de Moacir Santos • Caetano Brasil & Carol Panesi: Assanhados • Quinteto Caxangá • Toca Transamazônica • Luiz Otávio – Casa de Amigo

Realização: Lei Rouanet e Ministério da Cultura (MinC)
Organização: Iracema Cultural
Idealização: Capucho Produções
Correalização: Prefeitura Municipal de Soure e Secretaria de Cultura

Informações e inscrições nas oficinas: Instagram @chorojazz