20ª CineBH reúne 12 longas de sete países latino-americanos
Edição comemorativa cria a Mostra Horizonte, dedicada a primeiros longas, e reformula a Mostra Território para ampliar a presença de diferentes cinematografias do continente.
A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte amplia, em sua edição comemorativa, o espaço dedicado ao cinema latino-americano. Entre 22 e 27 de setembro, as mostras competitivas Horizonte e Território apresentam 12 longas-metragens de realizadores do Brasil, México, Argentina, Chile, Cuba, Colômbia e Venezuela, reunindo filmes que abordam temas como migração, exílio, repressão política, crise climática, colonialismo, ancestralidade indígena, controle dos corpos e apagamentos históricos.
A seleção reúne produções que circularam por festivais internacionais e também trabalhos de cineastas em início de trajetória no longa-metragem. Entre os destaques estão “Si Vas Para Chile”, vencedor do prêmio de Melhor Primeiro Longa no Hot Docs, no Canadá; o brasileiro “Sabes de Mim, Agora Esqueça”, premiado no FIDMarseille depois de estrear na Mostra de Cinema de Tiradentes; “Nuestro Cuerpo Es una Estrella que se Expande”, exibido no IDFA; “Jankee”, selecionado para o Visions du Réel; e “Los Nadadores”, que passou pelos festivais de Málaga, Bafici, Cartagena e Munique.
A principal novidade desta edição é a criação da Mostra Horizonte, dedicada exclusivamente a primeiros longas-metragens. A nova competição reúne seis filmes de ficção, documentário e formatos híbridos, funcionando como espaço para a apresentação de novos realizadores e diferentes modos de produção cinematográfica no continente.
Já a Mostra Território, que chega ao quarto ano competitivo, passa por uma reformulação. Se anteriormente reunia cineastas com até três longas realizados, agora recebe autores a partir do segundo filme, sem estabelecer limite para o número de obras anteriores.
As duas mostras têm seis filmes cada e ampliam a presença do cinema latino-americano em competição. Até 2025, a Mostra Território reunia oito títulos competitivos. Em 2026, serão 12 longas avaliados por dois júris independentes.
“A gente deixa de ter uma mostra não competitiva extensa, que, de certa forma, ficava em um lugar secundário, e passa a ter a maior parte dos filmes latino-americanos em competição”, explica o coordenador curatorial da CineBH, Cléber Eduardo.
A mudança dialoga diretamente com o tema desta edição, “Cinema latino-americano: o que será?”, que orienta a programação e propõe observar os caminhos atuais e possíveis do cinema produzido no continente.

Primeiros longas em Horizonte
A Mostra Horizonte reúne filmes marcados por diferentes procedimentos narrativos, com uso de arquivos, colagens, animação e formas híbridas de construção cinematográfica. As produções também refletem as condições de financiamento e circulação do cinema latino-americano e trajetórias atravessadas por migração, exílio e experiências transnacionais.
Integram a competição:
“Si Vas Para Chile” (Chile, 2025), de Amilcar Infante e Sebastián González Méndez;
“Cuba y la Noche” (Cuba/Espanha/Colômbia, 2026), de Sergio Fernandez Borrás;
“El Sonido Es el Cuerpo” (Venezuela/Estados Unidos, 2026), de Diego Andrés Murillo;
“Jankee” (México/Argentina, 2025), de Yamel Thompson;
“Sabes de Mim, Agora Esqueça” (Brasil, 2026), de Denise Vieira;
“Los Nadadores” (Argentina/Estados Unidos/México, 2026), de Sol Iglesias SK.
Os filmes partem de situações distintas para tratar de migração, repressão política, controle dos corpos femininos, esvaziamento urbano, crise climática, desejo, intimidade e relações de poder.
O deslocamento geográfico também aparece na trajetória dos realizadores. Três dos seis filmes da mostra são dirigidos por cineastas que atualmente vivem fora de seus países de origem, refletindo uma produção cada vez mais atravessada por exílio, migração, coproduções e experiências entre diferentes territórios.

Território amplia sua abrangência
Na Mostra Território, a noção de território é compreendida não apenas como espaço geográfico, mas também como lugar atravessado por relações históricas, políticas, culturais, afetivas e subjetivas.
Paisagens, corpos e arquivos tornam-se elementos de investigação em filmes que passam por desertos, áreas rurais, uma rua de Havana, um grupo de teatro em São Paulo e registros amadores da história política chilena.
A seleção reúne:
“Pukem Swa” (Colômbia), de Samuel Moreno Alvarez;
“Nuestro Cuerpo Es una Estrella que se Expande” (México, 2025), de Semillites Hernández Velasco e Tania Hernández Velasco;
“La Vida que Vendrá” (Chile/Colômbia, 2025), de Karin Cuyul;
“Telúrica, a Íntima Utopia” (Brasil, 2026), de Mariana Lacerda;
“Deserto Vértigo” (Argentina/Chile, 2025), de Rocío Barbenza;
“Calle Cuba” (Chile/Cuba/México, 2026), de Vanessa Batista.
Os trabalhos aproximam memórias individuais e processos coletivos e abordam questões como ancestralidade, colonialismo, crises políticas, sofrimento psíquico, identidades de gênero e formas de resistência. Documentário, ensaio, performance e ficção aparecem combinados em diferentes estratégias de construção narrativa.

Um mapa mais amplo da América Latina
A seleção das duas competições também buscou ampliar a diversidade geográfica da mostra. A curadoria dividiu a América Latina em seis regiões e procurou garantir uma representação mais equilibrada entre elas, evitando a concentração em países tradicionalmente mais presentes no circuito internacional de festivais.
Outro critério estabelecido foi o limite de um filme por país como produção principal em cada competição. O resultado reúne obras de sete países latino-americanos, além de coproduções que atravessam fronteiras nacionais.
“Foi um teste que este ano deu certo, para que a gente pense a América Latina de uma maneira mais ampla, sem se concentrar tanto em algumas regiões”, afirma Cléber Eduardo.
A coordenação curatorial é de Cléber Eduardo. A Mostra Horizonte tem curadoria de Mariana Queen Nwabasili e Gustavo Maan, enquanto a Mostra Território é assinada por Leonardo Amaral e Ester Marçal Fér.
As duas competições terão júris independentes, responsáveis pelos prêmios de Melhor Filme e Destaque do Júri. Na Mostra Horizonte, o vencedor de Melhor Filme recebe o Troféu Horizonte e prêmio de R$ 5 mil.
A 20ª CineBH será realizada de 22 a 27 de setembro, com programação gratuita em diferentes espaços de Belo Horizonte. A mostra integra o Cinema sem Fronteiras 2026, programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção, que reúne ainda a Mostra de Cinema de Tiradentes, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto e o Brasil CineMundi.

Serviço
20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte
17º Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução
Data: 22 a 27 de setembro de 2026
Programação: gratuita
Locais: Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias e Teatro João Ceschiatti); Cine Theatro Brasil; Cine Belas Artes; Sala de Cinema Minas Tênis Clube; Cine Santa Tereza; Teatro Sesiminas; Casa da Mostra e Praça da Liberdade.


