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Rubem Valentim: a ordem do sensível no MAM Rio

Rubem Valentim é um dos nomes mais relevantes da arte brasileira no século 20. Ao longo de mais de quatro décadas, desenvolveu uma linguagem plástico-visual-signográfica de vocação universal, construída a partir de composições geométricas em diálogo com matrizes culturais brasileiras, sobretudo africanas e indígenas.

O que eu queria e continuo querendo é estabelecer um ‘design’ (que chamo Riscadura Brasileira), uma estrutura apta a revelar a nossa realidade — a minha pelo menos — em termos de ordem sensível”. Foi a partir desse trecho escrito pelo artista plástico Rubem Valentim (1922-1991) em seu “Manifesto ainda que tardio” (1976) que os curadores Raquel Barreto e Phelipe Rezende batizaram a exposição que abre sábado no Museu de Arte Moderna (MAM).

Com cerca de 180 obras organizadas a partir de cinco cidades em que o artista viveu, “Rubem Valentim: a ordem do sensível” apresenta a evolução da linguagem visual do escultor, baseada em signos das religiões afro-brasileiras, que o posicionou entre os grandes nomes da arte nacional e mundial do século XX.

Em 1976, Valentim relata a busca por uma ordem sensível em seu Manifesto ainda que tardio. “A geometria é um meio. Procuro a claridade, a luz da luz”, diz. Ao refletir sobre seu trabalho, identifica uma organização da experiência: “[…] sou um indivíduo tremendamente inquieto e substancialmente emotivo. Talvez precisamente por isso busco, ávido, na linguagem plástica visual que uso, uma ordem sensível, contida, estruturada”.

A exposição é organizada em seis núcleos que correspondem às cidades que marcaram sua trajetória. O percurso tem início em Salvador, onde desenvolve suas primeiras experiências a partir da observação do cotidiano, da cultura material, dos objetos rituais das religiões de matriz africana e da arte moderna europeia. No Rio de Janeiro, para onde se muda em 1957, sua pesquisa ganha rigor construtivo e densidade simbólica, adotando signos como princípios organizadores.

Em Roma, Valentim aprofunda a articulação vertical dos elementos, apontando para uma dimensão totêmica. De volta ao Brasil, fixa-se em Brasília, onde expande sua prática para o campo tridimensional e formula o Alfabeto Kitônico, sistema que sintetiza sua investigação sobre linguagem, cultura e construção. Nos anos finais de sua vida, entre Brasília e São Paulo, amplia seu repertório, desenvolvendo estudos com outros sistemas de crenças, como o I Ching e a ordem esotérica Rosa-Cruz.

A mostra culmina com a apresentação do Templo de Oxalá, instalação criada em 1977. Composto por estruturas totêmicas dispostas no espaço, o trabalho traduz, em escala ambiental, a linguagem desenvolvida por Valentim ao longo de sua trajetória.

A curadoria é de Raquel Barreto e Phelipe Rezende.

Patrocínio Petrobras e participação dos museus de Arte Moderna da Bahia e Afro Brasil Emanoel Araújo.

A exposição Rubem Valentim: a ordem do sensível é patrocinada pela Petrobras por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e conta com a colaboração do Museu de Arte Moderna da Bahia e do Museu Afro Brasil Emanoel Araújo.

A realização da exposição dedicada a Rubem Valentim no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro reafirma a relevância de iniciativas que promovem o acesso à arte e o reconhecimento de trajetórias fundamentais para a cultura brasileira. Como patrocinadora do MAM Rio, a Petrobras contribui para a continuidade de uma programação que valoriza a diversidade de linguagens e perspectivas artísticas.

A obra de Rubem Valentim estabelece um diálogo singular entre a tradição construtiva e as matrizes simbólicas afro-brasileiras, elaborando um vocabulário próprio que amplia as possibilidades de leitura da arte no país. Sua produção permanece atual ao tensionar fronteiras estéticas e culturais, convidando o público a novas formas de interpretação.

Ao patrocinar o MAM Rio, a Petrobras reforça seu compromisso com a cultura como dimensão essencial do desenvolvimento social, incentivando o acesso, a reflexão crítica e a preservação da memória artística brasileira.

Rubem Valentim - MAM Rio - divulgação
Rubem Valentim – MAM Rio – divulgação

Sobre o MAM Rio

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro é uma instituição referência para a arte e para a cultura do país. Fundado em 1948, possui uma das mais relevantes coleções de arte moderna e contemporânea da América Latina, com mais de 16 mil obras. Sua atuação se dá sobre o tripé arte-educação-cultura.

SERVIÇO

Rubem Valentim: a ordem do sensível
De 18 de abril a 2 de agosto de 2026
Visitação: quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h.
Aos domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual

MAM Rio | Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Av. Infante Dom Henrique, 85 – Aterro do Flamengo

A entrada é gratuita.