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Mateus Aleluia lança “Afrobarroco”, livro que propõe um novo olhar sobre a identidade brasileira

Nova obra do músico, compositor e pensador baiano reúne memórias, reflexões e experiências culturais para discutir educação, pertencimento e diversidade no Brasil contemporâneo.

Existem lugares que permanecem vivos mesmo quando o tempo passa. Eles sobrevivem na memória, nos sons, nas histórias compartilhadas e nos modos de viver que atravessam gerações. É desse território simbólico, onde convivem ancestralidade, cultura e experiência cotidiana, que nasce “Afrobarroco”, novo livro de Mateus Aleluia.

Mais do que uma publicação autobiográfica ou um ensaio sobre cultura brasileira, a obra propõe uma reflexão sobre identidade, educação e convivência entre diferentes matrizes que formam o país. O lançamento acontece no dia 8 de julho, na Biblioteca Central dos Barris, em Salvador, acompanhado de uma edição especial da palestra musical Afrobarroco, formato desenvolvido pelo artista ao longo de duas décadas e que combina música, narrativa histórica e diálogo com o público.

Após a estreia na capital baiana, o projeto seguirá em circulação pelo Recôncavo Baiano, com encontros programados em Jaguaripe, São Francisco do Conde e Cachoeira.

Afrobarroco, como conceito, foi criado por Mateus para provocar a reflexão em torno da riqueza e da complexidade cultural da sociedade brasileira a partir da valorização das suas distintas matrizes. Fruto de um desejo profundo de transformar, de modo coletivo, a nossa realidade social através da educação o Afrobarroco ganhou vida no ano de 2004 através de um espetáculo pedagógico-musical que segue circulando pelo país.

O Brasil visto a partir do Recôncavo

As páginas de Afrobarroco nascem de uma experiência profundamente ligada ao Recôncavo Baiano, região que ocupa lugar central na trajetória artística e intelectual de Mateus Aleluia.

São memórias de Cachoeira, dos sons dos atabaques atravessando o Vale do Paraguaçu, dos sinos das igrejas coloniais e das formas de convivência construídas ao longo dos séculos entre diferentes heranças culturais. O livro parte dessas experiências para pensar questões mais amplas sobre a formação da sociedade brasileira.

Integrante histórico do grupo Os Tincoãs e uma das vozes mais singulares da música brasileira, Mateus construiu ao longo de décadas uma obra dedicada à valorização das matrizes africanas presentes na cultura nacional. Em Afrobarroco, essa reflexão ganha forma literária.

Para voltarmos a ser aquilo que almejamos ser, é necessário descolonizar culturalmente nossa mentalidade. E essa transformação passa, inevitavelmente, pela educação“, afirma o autor.

Educação, memória e pertencimento

Organizada pela cineasta e produtora cultural Tenille Bezerra, a publicação reúne textos, relatos, reflexões e fundamentos do projeto Afrobarroco, desenvolvido por Mateus desde os anos 2000 em palestras, encontros pedagógicos e ações de formação cultural.

Ao longo do livro, temas como oralidade, religiosidade, educação, convivência social e identidade brasileira são abordados não como conceitos abstratos, mas como experiências vividas. O resultado é uma obra que convida o leitor a refletir sobre o Brasil a partir de suas múltiplas heranças culturais.

Longe de discursos simplificadores ou de visões polarizadas da história, Afrobarroco propõe uma leitura baseada na convivência entre diferenças e na compreensão da diversidade como elemento constitutivo da sociedade brasileira.

Tomar posse de tudo o que somos nos ajuda a caminhar de forma mais integral, ampliando nossa compreensão do presente e do futuro“, observa Tenille Bezerra.

Mateus Aleluia - foto Tenille Bezerra - divulgação
Mateus Aleluia – foto Tenille Bezerra – divulgação

Uma ferramenta para pensar o país

A publicação também dialoga diretamente com os debates sobre educação e formação cidadã. Inspirado pelas Leis 10.639/03 e 11.645/08 — que determinam o ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena nas escolas —, o livro propõe caminhos para ampliar a compreensão da formação histórica e cultural do Brasil.

Nesse sentido, Afrobarroco funciona tanto como obra literária quanto como instrumento pedagógico, oferecendo referências para educadores, estudantes e leitores interessados em aprofundar o debate sobre memória, identidade e diversidade cultural.

Livro, plataforma digital e circulação cultural

A primeira tiragem terá distribuição prioritária para escolas, bibliotecas, projetos educativos, centros comunitários e espaços culturais. Ao todo, serão disponibilizados 500 exemplares por meio de cadastro destinado a instituições de ensino.

O projeto também contará com uma plataforma digital que reunirá conteúdos complementares, entrevistas, materiais pedagógicos e trechos do audiobook da obra, ampliando o alcance da publicação para além do formato impresso.

Visualmente, o livro reforça sua proposta de encontro entre referências culturais distintas. O projeto gráfico, assinado por Tiago Ribeiro, dialoga com elementos geométricos presentes em tradições afro-indígenas e europeias, criando uma identidade visual que traduz o próprio conceito de afrobarroco: a convivência criativa entre diferentes matrizes culturais.

Mais do que revisitar o passado, “Afrobarroco” convida o leitor a repensar o presente. E sugere que compreender a diversidade que nos constitui talvez seja um dos caminhos mais férteis para imaginar o Brasil que ainda está por vir.

Serviço

Informações https://mateusaleluia.com.br/
Instagram @mateusaleluia

Ficha técnica

Título Afrobarroco
Autor Mateus Aleluia
Organização Tenille Bezerra
Projeto gráfico Tiago Ribeiro
Ilustrações Eris Beatriz
Editora Senzala Cultural
Extensão 60 páginas