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Cinema brasileiro e a democracia no Museu do Amanhã

Segunda edição do projeto Brasil do Amanhã: Democracia reúne filmes de diferentes períodos do cinema nacional, debates e roda de samba do Terreiro de Mangueira em uma programação gratuita dedicada às relações entre cultura, memória e participação social.

O Museu do Amanhã realiza, entre os dias 27 e 31 de julho, a segunda edição do projeto Brasil do Amanhã: Democracia, iniciativa que transforma o auditório da instituição em um novo espaço dedicado ao cinema brasileiro. A programação reúne doze longas-metragens, uma roda de conversa e uma apresentação do Terreiro de Mangueira, propondo um percurso por diferentes momentos da produção audiovisual brasileira e suas formas de abordar temas como memória, direitos, diversidade, movimentos sociais e povos originários.

Mais do que uma mostra temática, o projeto evidencia o cinema como linguagem capaz de registrar experiências históricas, ampliar perspectivas sobre o país e estimular reflexões sobre os processos de construção da vida democrática. A iniciativa também marca a estreia do auditório do Museu como sala de exibição cinematográfica, equipada com uma nova tela de LED.

Cheiro de Diesel - Gisele Martins e Natasha Neri
Cheiro de Diesel – Gisele Martins e Natasha Neri

Cinema como espaço de memória e reflexão

Organizada em quatro eixos temáticos, a programação percorre diferentes momentos da história brasileira por meio de obras que articulam ficção, documentário e cinema híbrido.

A abertura, no dia 27 de julho, é dedicada ao tema “Memória e Exílio”, reunindo os filmes Deslembro, Canções do Exílio e Fico Te Devendo uma Carta sobre o Brasil. As três obras dialogam com lembranças familiares, deslocamentos provocados pela ditadura militar e os impactos desse período sobre diferentes gerações de brasileiros.

No dia 28, o eixo “Movimentos Sociais e Resistência” aproxima produções que abordam o universo do trabalho, da luta por direitos e das mobilizações populares. Clássicos e produções contemporâneas, como Eles Não Usam Black-Tie, Doutor Gama e Cheiro de Diesel, revelam diferentes formas de organização coletiva e enfrentamento das desigualdades sociais ao longo da história do país.

Já no dia 30, o foco recai sobre as relações entre ditadura e democracia, reunindo O Pastor e o Guerrilheiro, O Dia que Durou 21 Anos e Democracia em Vertigem. As obras investigam diferentes momentos da história política brasileira e seus desdobramentos, articulando documentos históricos, testemunhos e narrativas ficcionais.

Encerrando a mostra, no dia 31, o eixo “Diversidade e Povos Originários” apresenta Ex-Pajé, A Última Floresta e Lampião da Esquina, ampliando o debate sobre pluralidade cultural, direitos indígenas, diversidade sexual e modos de vida historicamente invisibilizados.

O pastor e o guerrilheiro - José Eduardo Belmonte
O pastor e o guerrilheiro – José Eduardo Belmonte

Debate amplia o diálogo entre cinema e sociedade

Além das sessões, o projeto promove, no dia 30 de julho, a mesa “Cinema e Democracia: memória, cultura e a política da imagem”, que reúne convidados para discutir o papel do audiovisual na construção das memórias coletivas, na preservação de arquivos e na produção de narrativas sobre a sociedade brasileira.

A atividade propõe refletir sobre como o cinema participa da elaboração da memória histórica e contribui para ampliar o repertório crítico do público diante das transformações sociais e políticas do país.

Para Camila Oliveira, curadora adjunta do Museu do Amanhã, o cinema ocupa um lugar central nesse processo de elaboração coletiva.

“O cinema nacional é um território onde um povo pode retomar a própria imagem e romper com as narrativas que historicamente o reduziram ao silêncio ou ao estereótipo. Ao exibirmos essas obras no museu, reconhecemos que poder acessar essas memórias coletivas também significa confrontar apagamentos históricos.”

Fico te devendo uma carta do Brasil - Carol Benjamin
Fico te devendo uma carta do Brasil – Carol Benjamin

Terreiro de Mangueira encerra a programação

Após a roda de conversa, o público acompanha uma apresentação do Terreiro de Mangueira, grupo dedicado à pesquisa e interpretação de sambas que marcaram a formação da tradição musical carioca.

Ao revisitar compositores, repertórios e narrativas fundamentais da história do samba, o grupo estabelece um diálogo entre música, memória e patrimônio cultural, encerrando a programação com uma manifestação artística profundamente vinculada à identidade cultural do Rio de Janeiro.

Museu amplia sua programação cultural

Com esta segunda edição do Brasil do Amanhã: Democracia, o Museu do Amanhã amplia sua atuação como espaço de circulação do audiovisual brasileiro, incorporando o cinema à programação cultural permanente da instituição.

A iniciativa aproxima diferentes linguagens artísticas — cinema, música e debate público — e reafirma o papel dos museus como espaços de encontro entre conhecimento, criação artística e reflexão sobre a sociedade contemporânea.

Toda a programação é gratuita e conta com acessibilidade em Libras, mediante inscrição prévia pelo site do Museu do Amanhã.

Prisioneiro da liberdade - Foto tirada em Paraty 22/02/2019
Prisioneiro da liberdade – Foto tirada em Paraty 22/02/2019

Serviço

Brasil do Amanhã: Democracia – 2ª edição

Quando: 27 a 31 de julho

Onde: Auditório do Museu do Amanhã – Rio de Janeiro

Programação

  • 27/7 – Memória e Exílio
  • 28/7 – Movimentos Sociais e Resistência
  • 30/7 – Ditadura e Democracia, roda de conversa e apresentação do Terreiro de Mangueira
  • 31/7 – Diversidade e Povos Originários

Entrada gratuita, mediante inscrição prévia.

Acessibilidade: intérprete de Libras durante toda a programação.

Memória e exílio - Flávia Castro
Memória e exílio – Flávia Castro