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MAM Rio inaugura exposição que percorre a arte brasileira moderna e contemporânea

Nova mostra reúne cerca de 170 artistas e apresenta um amplo panorama da produção artística brasileira dos séculos XX e XXI, articulando a história do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro com a formação de um dos mais importantes acervos de arte do país.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) inaugura, em 25 de julho, a exposição de longa duração Entre o moderno e o contemporâneo: arte nas coleções do MAM Rio, reunindo obras de aproximadamente 170 artistas pertencentes às três coleções da instituição. Viabilizada por meio da parceria entre o museu e a Petrobras, a mostra propõe um percurso que acompanha as transformações da arte brasileira ao longo dos séculos XX e XXI, evidenciando também o papel desempenhado pelo MAM Rio na constituição, preservação e difusão desse patrimônio artístico.

Mais do que apresentar um recorte cronológico da produção nacional, a exposição convida o público a observar como a própria trajetória do museu se entrelaça com momentos decisivos da história da arte brasileira. Fundado em 1948, o MAM Rio acompanhou a consolidação do projeto moderno, o surgimento das vanguardas experimentais, a expansão da arte contemporânea e a incorporação de novas linguagens, tornando-se um espaço de referência para artistas, pesquisadores e diferentes gerações de públicos.

A mostra parte das experiências modernistas que buscaram formular novas imagens para a cultura brasileira nas primeiras décadas do século XX e avança pelas transformações estéticas, conceituais e políticas que marcaram a produção artística até a contemporaneidade. Nesse percurso, evidencia como diferentes movimentos dialogaram com as mudanças sociais, culturais e institucionais do país.

Elisa Silveira - foto Rafael Adorján
Elisa Silveira – foto Rafael Adorján

Um acervo que atravessa a história da arte brasileira

A exposição reúne obras da Coleção MAM Rio, da Coleção Gilberto Chateaubriand e da Coleção Joaquim Paiva, formando um panorama que contempla diferentes gerações, linguagens e pesquisas visuais. Estão presentes artistas fundamentais para a compreensão da arte brasileira, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi, Ivan Serpa, Judith Lauand, Franz Weissmann, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Antonio Manuel, Cildo Meireles, Artur Barrio, Rubem Valentim, Anna Maria Maiolino, Beatriz Milhazes, Ernesto Neto, Fernanda Gomes, Arjan Martins, Lúcia Laguna, entre muitos outros.

Entre os destaques estão obras emblemáticas como A Japonesa (1924), de Anita Malfatti, e Urutu (1928), de Tarsila do Amaral, além de trabalhos que permitem acompanhar diferentes momentos da arte abstrata, do concretismo, do neoconcretismo, da nova figuração, da arte conceitual e das produções desenvolvidas a partir da década de 1990.

Ao reunir artistas consagrados e diferentes gerações da produção contemporânea, a mostra evidencia continuidades, rupturas e permanências que atravessam mais de um século da arte brasileira.

Djanira - foto Jaime Acioli
Djanira – foto Jaime Acioli

Oito núcleos para múltiplas leituras

Organizada em oito núcleos temáticos — Modernismos, Abstrações além da forma, O impulso geométrico, O retorno da figuração, Arte experimental, A nova pintura nos anos 1980, Elementos apropriados e A partir de 1990 —, a exposição utiliza a cronologia como ferramenta de orientação, sem propor uma narrativa única ou linear.

A montagem incentiva aproximações entre obras de diferentes períodos, permitindo que o visitante estabeleça relações entre procedimentos artísticos, questões estéticas e contextos históricos. O projeto expográfico dialoga com princípios do design moderno ao mesmo tempo em que favorece percursos livres, estimulando interpretações abertas do conjunto apresentado.

Essa perspectiva amplia a compreensão da arte como um campo em permanente transformação, onde diferentes temporalidades convivem e se cruzam.

Aurelino dos Santos - foto Jaime Acioli
Aurelino dos Santos – foto Jaime Acioli

O museu como protagonista da narrativa

Um dos aspectos centrais da exposição é a incorporação da própria história institucional do MAM Rio ao percurso expositivo. Ao longo da visita, QR Codes oferecem acesso a documentos, fotografias e textos que contextualizam episódios marcantes da trajetória do museu e de sua atuação no cenário artístico brasileiro.

Entre os temas abordados estão o Ateliê de Gravura, os cursos ministrados por Ivan Serpa, as históricas exposições Opinião 65 e Opinião 66, a criação do Bloco de Exposições, a Nova Vanguarda Brasileira e as relações entre arte, comunicação e ditadura militar.

Esses materiais ampliam a experiência da visita ao revelar como o MAM Rio participou ativamente da formação de artistas, da circulação de ideias e da consolidação de debates fundamentais para a arte brasileira.

Emiliano Di Cavalcanti - Foto Vicente de Mello
Emiliano Di Cavalcanti – Foto Vicente de Mello

Um patrimônio em permanente diálogo com o público

O MAM Rio abriga um dos mais importantes acervos de arte da América Latina. São mais de 16 mil obras de artes visuais, distribuídas entre suas três coleções, além de um vasto conjunto documental e cinematográfico que ultrapassa três milhões de itens.

Ao inaugurar uma exposição de longa duração dedicada ao próprio acervo, o museu reforça sua vocação como espaço de pesquisa, preservação, formação e acesso público à arte. Em vez de apresentar uma narrativa definitiva, Entre o moderno e o contemporâneo propõe diferentes possibilidades de leitura da produção artística brasileira, aproximando o público de obras que marcaram a história da arte no país e estimulando novas interpretações sobre esse patrimônio cultural.

Tarsila do Amaral - Foto Jaime Acioli
Tarsila do Amaral – Foto Jaime Acioli

Serviço

Entre o moderno e o contemporâneo: arte nas coleções do MAM Rio

Abertura: 25 de julho de 2026

Local: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio)
Av. Infante Dom Henrique, 85 – Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro (RJ)

Visitação: quarta a domingo e feriados, das 10h às 18h

Aos domingos: das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual

Entrada gratuita.

Foto Sebastião Salgado
Foto Sebastião Salgado