POADOC leva documentários, formação e debate para Porto Alegre
Segunda edição do festival reúne mostra de curtas, laboratório de projetos, oficinas e debates sobre a produção documental; programação gratuita acontece de 31 de agosto a 5 de setembro.
Durante uma semana, Porto Alegre se transforma em espaço de exibição, reflexão e criação em torno do cinema documental. De 31 de agosto a 5 de setembro de 2026, a segunda edição do POADOC – Festival de Documentários de Porto Alegre reúne filmes, debates, oficinas e atividades de formação com entrada gratuita.
A programação ocupa dois espaços da cidade: a Cinemateca Capitólio, que recebe as mostras de filmes, e o Goethe-Institut Porto Alegre, onde acontecem as atividades de formação e os debates. A proposta é aproximar realizadores, estudantes, pesquisadores e público em torno de diferentes formas de pensar e produzir o documentário.
Entre os destaques está a Mostra de Curtas, que apresenta 12 produções nacionais recentes entre os dias 2 e 4 de setembro, sempre às 19h, na Cinemateca Capitólio. O festival também promove o Laboratório de Curtas, voltado ao desenvolvimento de seis projetos selecionados entre propostas de realizadores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
Mais do que uma programação de filmes, o POADOC aposta no encontro entre cinema e formação. Duas mesas de debate discutem os caminhos da produção documental e sua relação com os processos educativos. A primeira, “Por que fazer um festival de documentários?”, acontece na terça-feira, 1º de setembro, às 10h, no Goethe-Institut, e marca a apresentação da segunda edição do evento e o lançamento de uma cartilha produzida pelo festival.
Na quinta-feira, 3 de setembro, também às 10h, a mesa “Documentário e Formação” reúne representantes de espaços gaúchos de ensino para discutir as possibilidades do audiovisual como ferramenta de formação, criação e reflexão.

Cinema que parte da realidade
A abertura do festival acontece no dia 1º de setembro, às 19h, na Cinemateca Capitólio, com a exibição de Para os Guardados (2025), longa experimental dirigido por Rafael Rocha e Desali.
Ambientado na periferia de Contagem, em Minas Gerais, o filme acompanha Rafael em uma tarefa aparentemente simples: levar a familiares de pessoas encarceradas pacotes com produtos pessoais que serão entregues aos presos da região. O deslocamento, porém, transforma-se em uma experiência de reencontro com vozes, memórias, dores e estratégias de sobrevivência diante do sistema prisional.
A dupla de realizadores também participa da programação de formação do POADOC. Rafael Rocha e Desali ministram a oficina “Do Noise ao Lixo”, realizada no Morro da Cruz, na zona leste de Porto Alegre, ampliando a discussão sobre linguagem e experimentação para além da sala de cinema.
A programação de encerramento também aposta no diálogo entre diferentes formas de criação documental. No sábado, 5 de setembro, às 15h, o Goethe-Institut recebe o encontro “É filme ou é ficção?”, com a cineasta convidada Karen Akerman e mediação de Giba Assis Brasil. A atividade propõe aproximar experiências práticas e reflexões sobre linguagem, representação e criação no cinema documental.
À noite, às 19h, a Cinemateca Capitólio recebe a sessão de encerramento, com os curtas inéditos Tragédia, de Bernardo Zanotta, e Confidente, de Karen Akerman. Após a exibição, os realizadores participam de um debate com o público.

Laboratório aposta na formação de novos projetos
Além de colocar documentários recentes em circulação, o POADOC dedica parte de sua programação ao desenvolvimento de novas obras. O Laboratório de Curtas selecionou seis projetos de realizadores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul para uma semana de atividades voltadas ao aprimoramento das propostas.
A seleção foi realizada por Henrique Lahude, Thais Fernandes, Victor Pinheiro e Natasha Ferla. Nesta edição, o laboratório conta com a tutoria da cineasta Coraci Ruiz, diretora de Limiar, e do crítico e curador Cleber Eduardo, do CineBH.
A iniciativa reforça uma das características centrais do festival: compreender o documentário não apenas como produto final, mas como processo que envolve pesquisa, escuta, elaboração de linguagem e relação com o outro.
Essa perspectiva também está presente na concepção geral do POADOC. Para a coordenadora geral do evento, Thais Fernandes, a realização de documentários está diretamente ligada à capacidade de dialogar e perceber diferentes realidades.
“Fazer documentários é, em essência, dialogar. O POADOC nasceu da vontade de criar esses espaços de diálogo”, afirma. Segundo ela, a aproximação com a educação é parte da identidade do festival desde a primeira edição. “Queremos criar um espaço não para a certeza, mas para a curiosidade sobre os outros. Para aprender e para fazer documentários é preciso treinar a percepção.”

Uma semana dedicada ao cinema documental
Com a combinação de sessões, debates, oficinas e desenvolvimento de projetos, o segundo POADOC amplia a presença do documentário na programação cultural de Porto Alegre e cria oportunidades de encontro entre quem realiza, pesquisa, ensina e assiste ao cinema.
A Mostra de Curtas tem curadoria de Henrique Lahude, Jonatas Rubert, Juliana Costa, Thais Fernandes e Victor Pinheiro. Já o Laboratório de Curtas reúne projetos selecionados a partir de diferentes propostas de realização audiovisual no estado.
O festival é financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e conta com apoio da Cinemateca Capitólio, Goethe-Institut Porto Alegre, edt. – Associação de Profissionais de Edição Audiovisual e Programa de Alfabetização Audiovisual. A realização é da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, Prefeitura de Porto Alegre, Ministério da Cultura e Governo do Brasil.
Serviço
2º POADOC – Festival de Documentários de Porto Alegre
Data: 31 de agosto a 5 de setembro de 2026
Entrada: gratuita
Locais: Cinemateca Capitólio e Goethe-Institut Porto Alegre
Site: poadoc.com.br
Instagram: @poadocfestival
Mostra de Curtas
2 a 4 de setembro, às 19h – Cinemateca Capitólio
Abertura
1º de setembro, às 19h – Para os Guardados, de Rafael Rocha e Desali
Encerramento
5 de setembro, às 19h – Tragédia, de Bernardo Zanotta, e Confidente, de Karen Akerman, seguidos de debate com os realizadores.
A programação completa está disponível no site e nas redes sociais do festival.

Mostra de Curtas
- “Badlands: Um Parque Fictício” (2025), de Cristyelen Ambrozio
- “Caminho Sinuoso” (2026), de Adalberto Oliveira
- “Diálogo Bulbul” (2025), de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos
- “Grão” (2026), de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa
- “Homem” (2025), de Fábio Zilberman Iuchno
- “Já Não Temos Nem Vontade de Brigar” (2025), de Brunno Bimbati
- “Maira Porongyta – O Aviso do Céu” (2025), de Kujãesage Kaiabi
- “Memórias Despejadas (ou A Enchente Levou Tudo e Encontraram a Luta)” (2024), de Juliana Koetz
- “Pretérito” (2025), de Pedro Coelho Xavier
- “Pupá” (2024), de Osani
- “Rosa dos Ventos” (2025), de Laura Paro
- “Testemunho” (2025), de Leonardo Amaral e Roberto Cotta
Especiais
- “Confidente” (2026), de Karen Akerman (curta)
- “Para os Guardados” (2025), de Rafael Rocha e Desali (longa)
- “Tragédia” (2026), de Bernardo Zanotta (curta)
- Laboratório de Curtas (Projetos)
- “Desejo, Lampejo, Liberdade”, de Juliana Koetz
- “Minustah”, de Luísy Pacheco Correia
- “Morocha”, de Duda Feistauer
- “Pavilhão Negro”, de Yago Mayer Forte
- “Raízes”, de Victoria Mateus
- “Sherazade”, de Leonardo da Rosa
Créditos
Coordenação geral e curadoria: Thais Fernandes
Coordenação pedagógica e curadoria: Juliana Costa
Produção Executiva e curadoria: Natasha Ferla
Coordenação de produção e curadoria: Victor Pinheiro
Coordenação técnica e curadoria: Jonatas Rubert
Coordenação técnica e curadoria: Henrique Lahude
Colaboração: Vítor Queiroz
Controller: Priscila Severo
Assistência de Produção: Ana Luíza Souza
Editora Gráfica: Eduarda Silveira
Assessoria de Imprensa: Isidoro B. Guggina
Sobre o POADOC
O POADOC teve sua primeira edição em 2020, em plena pandemia, no formato online. A curadoria teve como foco mostrar a diversidade de olhares do RS. Em 2025 o coletivo retomou as atividades de maneira voluntária, realizando sessões especiais e eventos em parceria com instituições públicas e entidades visando aproximar o público de Porto Alegre das narrativas documentais. Em 2026, o evento retorna em novo formato, com mostra de filmes, exibições itinerantes, laboratório de projetos, ações educativas para escolas e atividades formativas. O evento é gratuito.

