Flup 2026 coloca trajetórias de mulheres negras no centro da programação
16ª Festa Literária das Periferias homenageia Ana Maria Gonçalves e reúne literatura, música, dança, cultura urbana e saberes ancestrais no Centro do Rio.
A Flup – Festa Literária das Periferias realiza sua 16ª edição entre 23 e 27 de setembro, ocupando o Centro do Rio de Janeiro com uma programação gratuita que aproxima literatura, música, dança, cultura urbana e saberes ancestrais. Entre os nomes convidados estão Ana Maria Gonçalves, Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Kimberlé Crenshaw, Gilberto Gil, Nei Lopes, Elisa Lucinda e Dionne Brand. As atividades acontecem no Teatro Carlos Gomes, no Salão Guarani e na Praça Tiradentes.
O conceito desta edição, “As filhas das filhas das filhas”, coloca as trajetórias de mulheres negras no centro da narrativa. A proposta estabelece uma relação entre personagens e gerações presentes nas obras de Djamila Ribeiro e Ana Maria Gonçalves e as conquistas de mulheres negras na ampliação de seus espaços de participação e representação. A escolha também orienta a homenagem a Ana Maria Gonçalves, eleita para a Academia Brasileira de Letras em julho de 2025.
A literatura atravessa temas como racismo, memória, identidade, gênero, diáspora e ancestralidade, enquanto a Praça Tiradentes recebe manifestações ligadas às culturas negras e periféricas. A programação inclui encontros de afoxés, rodas de samba, feira de acarajé, batalhas, slams e atividades relacionadas à cultura urbana. A curadoria internacional é de Mame-Fatou Niang, pesquisadora francesa dedicada a literatura, identidade, raça e questões pós-coloniais.
Literatura, memória e ancestralidade
A abertura, em 23 de setembro, reúne estudantes da rede pública na Batalha da Memória, atividade que parte da literatura e das memórias dos territórios. À noite, Ana Maria Gonçalves e Djamila Ribeiro participam da mesa que dá nome à edição, com mediação da pesquisadora e historiadora Angélica Ferrarez. A programação inclui ainda a bênção das mais velhas com a rezadeira Nicinha, a Feira das Baianas do Acarajé, apresentações musicais e a performance A Babá Quer Passear, de Ana Flávia Cavalcanti.
No dia 24, a programação aproxima diferentes perspectivas sobre literatura, cinema, direitos e relações raciais. Estão previstos encontros de Conceição Evaristo e Cidinha da Silva, de Yuderkys Espinosa Miñoso e Afua Hirsch, e de Cristina Sharpe e Dionne Brand, além da participação de Lívia Sant’Anna e Emilia Roig. O dia também marca a entrega do Prêmio João e Júlia do Rio: crônica.
Na Praça Tiradentes, a chamada Noite Queer reúne manifestações da cultura urbana e da presença LGBTQIAPN+. Entre as atividades estão a Gaymada, com jovens de favelas da Zona Norte, a Batalha da Dominação, com duelos de MCs, e uma Batalha de Voguing que aproxima a literatura periférica da cultura Ballroom.
25 de setembro concentra nomes ligados ao pensamento e à produção cultural negra, como Elisa Lucinda, Cida Bento, Kabengele Munanga, Denise Ferreira, Fred Moten, Taisa Machado e Rosana Paulino. A programação inclui ainda o podcast Angu de Grilo, encontros sobre questões raciais e a entrega do Prêmio João e Júlia do Rio: romance. Na Praça Tiradentes, a agenda se amplia com Encontro de Afoxés, apresentações musicais, circo e a Grande Festa Latina – Sons Latinos Periféricos, com artistas de diferentes países da América Latina.
No sábado, 26, a literatura e o pensamento negro ganham novos cruzamentos. Nei Lopes conversa com o jornalista Chico Regueira, enquanto Kimberlé Crenshaw, jurista norte-americana associada à formulação do conceito de interseccionalidade, participa de uma conversa com Ana Maria Gonçalves e Jurema Werneck. Mais tarde, Gilberto Gil e Duquesa dividem a programação. No Salão Guarani, teatro e performance aparecem em encontros com Jô Bilac, Ana Flávia Cavalcanti, Aldri Anunciação, Carmen Luz e Sabrina Fidalgo.
A Praça Tiradentes recebe ainda as rodas de samba selecionadas pelo concurso Na Palma da Mão, além de uma apresentação da Circo Trupe Irmãos Saúde.

Cultura periférica ocupa a Praça Tiradentes
O encerramento, em 27 de setembro, reúne Linn da Quebrada, Vita Pereira, Leda Maria Martins, Ken Bugul, Bianca Santana, Kehinde Andrews e Jeferson Tenório, entre outros convidados. A programação inclui conversas sobre literatura e culturas negras, performance e a entrega do Prêmio João e Júlia do Rio: ensaio.
Na Praça Tiradentes, a cultura periférica aparece em linguagens que vão da palavra falada à dança e ao esporte. A Batalha Teatral chega à final, enquanto o Encontro de Rima reúne jovens de diferentes territórios periféricos do Rio. A Batalha do Passinho coloca o funk no centro da programação, acompanhada pelo Campeonato de Altinha e pela Batalha dos Barbeiros. O Slam Colegial, resultado de um processo formativo iniciado em julho, encerra sua trajetória com poemas autorais apresentados por estudantes.
Para o público infantil, a ação Aqui é que você brinca propõe uma intervenção baseada em brinquedos e brincadeiras presentes nas memórias da infância brasileira, como corda, pião, bambolê e amarelinha.
Ao longo de cinco dias, a Flup articula escritores, pesquisadores, artistas, lideranças e representantes de diferentes tradições culturais. A programação também evidencia como a literatura periférica pode dialogar com o samba, o afoxé, o funk, a cultura Ballroom, o slam e outras formas de expressão que fazem parte da vida cultural do Rio de Janeiro.
Serviço
16ª Festa Literária das Periferias – Flup 2026
Data: 23 a 27 de setembro
Locais: Teatro Municipal Carlos Gomes, Salão Guarani e Praça Tiradentes, s/nº, Centro, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita
Site: vempraflup.com.br
Instagram: @vempraflup
Programação completa: vempraflup.com.br

