CCBB Rio reúne cultura popular, memória e diversidade na programação de novembro
Samba, gastronomia suburbana, cultura afro-brasileira, cinema e teatro estão entre os destaques do mês no Centro Cultural Banco do Brasil, que também recebe exposições, festivais, encontros literários e atividades educativas gratuitas.
Em novembro, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro reúne diferentes expressões artísticas e culturais em uma programação que percorre as tradições brasileiras, a memória, a diversidade e as linguagens contemporâneas. Entre exposições, espetáculos, sessões de cinema, música e atividades educativas, alguns dos destaques estão ligados diretamente à identidade cultural do país, com espaço para o samba, a ancestralidade afro-brasileira, a gastronomia popular e a produção artística nacional.
Um dos pontos altos do mês é a Feira das Yabás, que ocupa a área externa do CCBB no dia 28 de novembro. Idealizado por Marquinhos de Oswaldo Cruz, o encontro celebra a cultura afro-brasileira e as tradições suburbanas cariocas por meio da música, da convivência e da culinária. A roda de samba divide espaço com pratos que guardam a memória dos quintais e das cozinhas populares, como feijoada, angu à baiana, frango com quiabo e macarrão com carne assada. Mais do que uma feira gastronômica, a iniciativa valoriza saberes transmitidos entre gerações e a contribuição das comunidades suburbanas para a cultura do Rio.
A música brasileira também ganha espaço no dia 21, com o retorno do Samba do Sacramento, comandado pelo cantor Marcos Sacramento. A roda reúne tradição, repertório e participação coletiva, reafirmando a presença do samba como manifestação viva da cultura urbana carioca. Os dois eventos têm programação na área externa do centro cultural, com ingressos gratuitos ou retirada de entradas conforme as orientações do CCBB.

Ancestralidade, consciência negra e formação cultural
A programação do Mês da Consciência Negra inclui atividades que aproximam arte, história e reflexão sobre as relações raciais no Brasil. No dia 14, o CCBB Educativo apresenta “Nuang, caminhos da liberdade”, espetáculo musicado do coletivo Obalufônica baseado no livro homônimo de Janine Rodrigues. A narrativa acompanha uma menina nascida no Reino de Uthando e utiliza referências estéticas africanas e afro-brasileiras, máscaras, musicalidade e recursos sonoros para abordar a criação dos primeiros quilombos no país e o encontro com os povos indígenas. A apresentação conta com intérprete de Libras e tem entrada gratuita.
No dia 5, a Masterclass Orire de Letramento Racial propõe uma reflexão participativa sobre o racismo e seus efeitos na linguagem, nas oportunidades e nas relações sociais. Já em 11 de novembro, o Clube de Leitura CCBB recebe o filósofo, escritor e educador Renato Noguera para uma conversa sobre amor, mulheres e ancestralidade, aproximando literatura, mitologia, filosofia e perspectivas africanas e afro-brasileiras.
A formação de educadores também integra essa agenda. Entre os dias 4 e 30, a Escola de Arte Educadores oferece encontros gratuitos voltados a profissionais do ensino, artistas e contadores de histórias. A programação inclui a arte griot, tradição de transmissão oral de conhecimentos e narrativas, além de oficinas de teatro de sombras e gravura.

Memes brasileiros e imaginários de outras culturas
Entre as exposições, “MEME: no Br@sil da memeficação” abre em 7 de novembro e propõe uma leitura da cultura digital como expressão artística, social e política. Com cerca de 800 trabalhos de mais de 200 criadores brasileiros, a mostra investiga como os memes participam da comunicação cotidiana, influenciam debates públicos e ajudam a construir formas contemporâneas de representar o país. Experiências interativas e multimídia aproximam o público de uma linguagem nascida nas redes, mas que já faz parte do imaginário coletivo brasileiro.
No dia 13, estreia “Yokai Parade – Seres sobrenaturais do Japão”, exposição dedicada às criaturas fantásticas do folclore japonês. Por meio de ilustrações, gravuras, livros e objetos, a mostra acompanha a transformação dessas figuras, que atravessaram gerações e continuam presentes na cultura contemporânea. A programação expositiva inclui ainda “Amazônicas – Poéticas Femininas”, em cartaz até 16 de novembro.

Teatro celebra a música e a literatura brasileiras
A relação entre teatro, música e memória aparece em “Duas Vezes Ponto de Partida”, projeto que celebra os 45 anos do grupo mineiro Ponto de Partida e sua trajetória ligada ao CCBB Rio. A programação reúne duas montagens inspiradas em compositores fundamentais da música brasileira.
De 26 a 29 de novembro, “Na Corda Bamba de Sombrinha” parte de letras e crônicas de Aldir Blanc para revisitar, com humor, poesia e dramaticidade, aspectos de uma época marcada pela ditadura e estabelecer relações com o presente. A partir de 3 de dezembro, “Fernando Brant e Tudo Que a Gente Sonhou” homenageia o compositor mineiro em um espetáculo musical construído a partir de sua obra, sem pretensão biográfica ou antológica. As montagens destacam a força da canção brasileira como forma de expressão, memória e interpretação do país.
A programação teatral inclui ainda “Entre o Sim e o Nunca”, sobre uma mulher que investiga a própria origem familiar, e “Sudi – O Elogio da Surdez”, que reúne artistas surdos e neurodivergentes em uma criação que combina teatro, música, dança e recursos visuais para questionar padrões de comunicação.
Cinema, memória e protagonismo feminino
As salas de cinema recebem diferentes perspectivas sobre a produção audiovisual. De 15 a 30 de novembro, a Cinemateca do MAM no CCBB apresenta duas mostras. “Bravo, Maria! 100 anos de Maria Della Costa” celebra a trajetória da atriz, nome importante do teatro moderno brasileiro, com documentários e filmes que registram sua atuação. Já “Uma trajetória para o cinema feminino brasileiro” revisita a produção de mulheres no audiovisual, com destaque para as décadas de 1970 e 1980 e obras de realizadoras como Helena Solberg, Ana Carolina, Tizuka Yamazaki, Suzana Amaral, Norma Bengell, Raquel Gerber e Tata Amaral.
Outro destaque é a 11ª edição do Festival Arquivo em Cartaz, de 20 a 22 de novembro. A seleção reúne seis filmes premiados em edições anteriores e dialoga com o tema “Arquivos para Justiça: filmes e memórias”. Ao trabalhar com documentos, registros históricos e lembranças, as obras abordam direitos humanos, desigualdades, reparação social e preservação do patrimônio audiovisual.
O cinema independente também está presente no Lumen Film Festival, de 6 a 14 de novembro, com produções nacionais e internacionais que encontram pouca circulação no circuito comercial. Já o 21º Festival de Cinema Italiano no Brasil, de 5 a 30 de novembro, combina clássicos como A Doce Vida e Arroz Amargo com filmes contemporâneos.
Música, literatura e acesso à cultura
A programação musical inclui a 16ª edição do RioWindsFestival, realizada no âmbito do projeto Música no Museu, com oito apresentações gratuitas entre 4 e 25 de novembro. O repertório reúne artistas brasileiros e internacionais e inclui obras de compositores como Camargo Guarnieri, Villa-Lobos e Hermeto Pascoal, além de música latino-americana.
O Clube de Leitura recebe ainda o escritor e roteirista Raphael Montes, no dia 25, para uma conversa sobre suspense, literatura policial e processo criativo. A atividade complementa a programação literária do mês, que busca aproximar leitores de diferentes gêneros e formas de criação.
Com atrações distribuídas entre salas de exposição, teatros, cinema, biblioteca e área externa, o CCBB Rio articula manifestações populares, produção contemporânea e ações de formação. Samba, culinária suburbana, tradições afro-brasileiras e memória audiovisual ocupam lugar de destaque em uma agenda que evidencia a cultura como espaço de convivência, transmissão de saberes e construção de identidades.
Serviço
Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro (RJ).
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 20h; fechado às terças-feiras.
Entrada gratuita para exposições e diversas atividades, com retirada de ingressos pela bilheteria ou pelo site. Algumas apresentações teatrais são pagas.
Programação completa, horários, classificação indicativa e ingressos: bb.com.br/cultura.

