Museu das Amazônias reabre com exposições sobre a diversidade da região e os desafios ambientais
A partir de 4 de novembro, o público poderá visitar gratuitamente duas mostras: “Amazônias no Plural”, exposição permanente sobre os múltiplos territórios e modos de vida da região, e “Água, Pantanal, Fogo”, que reúne fotografias sobre a relação entre a vida e a crise climática.
Depois de alguns meses fechado para a montagem de novas exposições, o Museu das Amazônias (MAZ), localizado na área portuária de Belém, reabre ao público nesta quarta-feira, 4 de novembro. O novo ciclo tem como eixo a diversidade cultural, ambiental e histórica dos territórios amazônicos, além de propor conexões com outros biomas brasileiros e com os desafios ambientais contemporâneos.
A reabertura apresenta duas exposições. No térreo, “Amazônias no Plural” passa a integrar o percurso permanente do museu. No mezanino, “Água, Pantanal, Fogo” reúne fotografias de Lalo de Almeida e Luciano Candisani, aproximando o público das transformações ambientais do Pantanal e de sua relação com a Amazônia.
Muitas Amazônias, diferentes histórias
Com aproximadamente 950 m² e mais de seis ambientes, “Amazônias no Plural” parte de uma questão central: como contar a história da região sem reduzi-la a uma única paisagem ou narrativa? A exposição percorre a formação geológica, a biodiversidade, os modos de vida, os conhecimentos e as tecnologias desenvolvidas nos diferentes territórios amazônicos, no Brasil e em outros países.
O percurso expositivo acompanha o desenho de uma serpente, símbolo do museu, e articula imagens, sons, texturas e obras interativas. A proposta é estabelecer relações entre passado, presente e futuro, reconhecendo a diversidade de povos, culturas e conhecimentos que constituem as Amazônias.
A curadoria é assinada pela ecóloga Joice Ferreira, pela antropóloga indígena Francy Baniwa e pela arqueóloga Helena Lima. Segundo Helena, a construção da mostra foi orientada pelo diálogo com pessoas de diferentes localidades, incluindo Belém, municípios do interior do Pará e outros estados e países que integram a região amazônica.

A fotografia entre a água e o fogo
No mezanino, “Água, Pantanal, Fogo” apresenta, em cerca de 500 m², dois olhares fotográficos sobre o Pantanal. As imagens de Lalo de Almeida e Luciano Candisani contrapõem registros das cheias, que sustentam a vida no bioma, às cenas dos incêndios ocorridos em 2020 e 2024.
A exposição aproxima fenômenos aparentemente opostos — água e fogo — para abordar a fragilidade dos ecossistemas e a dimensão da crise climática. Ao estabelecer relações entre Pantanal e Amazônia, a mostra amplia o debate sobre a preservação ambiental e as transformações que afetam diferentes regiões do país.
Para a gerente técnica do MAZ, Camila Costa, as duas exposições oferecem caminhos complementares para compreender esses territórios: enquanto “Amazônias no Plural” articula ciência, biodiversidade, saberes e modos de vida, “Água, Pantanal, Fogo” utiliza a fotografia para evidenciar a força da natureza e os impactos das mudanças ambientais.
Música e cultura paraense na programação de abertura
A programação de reabertura continua na sexta-feira, 6 de novembro, com uma edição do MAZ Música, projeto dedicado à diversidade sonora das Amazônias. A noite será marcada pelo chamado Rock Doido paraense.
Às 18h, o dançarino Sacramento conduz uma atividade aberta ao público, ensinando os primeiros passos do caquiado. A partir das 19h, a área externa recebe Sandrinha Eletrizante e a aparelhagem Mega Príncipe Negro, referência da cultura musical popular do Pará.
Excepcionalmente nessa sexta-feira, o museu terá horário estendido, com visitação até as 19h e última entrada às 18h. A programação musical é gratuita.

Um museu construído em diálogo com a região
O Museu das Amazônias é um equipamento cultural do Governo do Pará, realizado com recursos do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Sua concepção e implementação contaram com a participação do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), responsável pela gestão de instituições como o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
A parceria com o Museu Goeldi aproxima o novo equipamento de uma trajetória de mais de 150 anos de pesquisa e divulgação científica sobre a região. Para Nilson Gabas Júnior, diretor da instituição, o MAZ amplia as possibilidades de acesso ao conhecimento, à conservação e ao protagonismo local por meio de experiências que dialogam com diferentes públicos.
O processo de implementação também envolveu parcerias com instituições públicas e privadas. Entre elas estão Vale, Finep, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina. Hydro e New Fortress Energy são patrocinadoras nacionais; Ipiranga e Grupo Carrefour, copatrocinadores. O projeto conta ainda com o apoio de Mercado Livre, Ultracargo e Grupo BID.
Mais do que apresentar paisagens e acervos, o MAZ propõe um espaço de encontro entre conhecimentos científicos, ancestrais e comunitários. Ao reconhecer a existência de muitas Amazônias, o museu coloca em evidência as pessoas, as culturas e os territórios que dão forma à região.
Serviço
Museu das Amazônias – Reabertura
Abertura: quarta-feira, 4 de novembro de 2026.
Av. Marechal Hermes, nº 14 – Armazém 4A (Galpão 4A), Complexo Porto Futuro II, Bairro do Reduto, Belém – PA, CEP 66115-390

Exposições em cartaz
Amazônias no Plural – exposição permanente.
Água, Pantanal, Fogo – fotografias de Lalo de Almeida e Luciano Candisani.
Visitação: de quinta a terça-feira, das 10h às 18h, com última entrada às 17h. Fechado às quartas-feiras para manutenção.
Entrada: gratuita, mediante retirada antecipada de ingressos pela plataforma Sympla.
Programação especial – MAZ Música: sexta-feira, 6 de novembro. Às 18h, atividade de caquiado com Sacramento; às 19h, apresentações de Sandrinha Eletrizante e da aparelhagem Mega Príncipe Negro. Entrada gratuita. Nesse dia, o museu funciona até as 19h, com última entrada às 18h.
Local: Museu das Amazônias (MAZ), área portuária de Belém (PA).

