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Políticas culturais ampliam acesso de artistas negros ao fomento e fortalecem a valorização da cultura afro-brasileira

Medidas incluem cotas, descentralização de recursos, reconhecimento de comunidades quilombolas e maior participação social.

Ações afirmativas incorporadas à Lei Paulo Gustavo, à Política Nacional Aldir Blanc e à Lei Rouanet ampliam oportunidades para pessoas negras no setor cultural.

O acesso aos recursos públicos de cultura e o reconhecimento das contribuições da população negra para a formação do Brasil estão entre os resultados de políticas afirmativas implementadas nos últimos anos. As medidas incluem reservas de vagas em editais, ampliação do alcance territorial dos investimentos, apoio às expressões culturais afro-brasileiras e iniciativas de preservação da memória e dos direitos das comunidades quilombolas.

Parte desses resultados foi apresentada no lançamento do Novembro Negro 2026, realizado em Brasília na terça-feira, 3 de novembro. Durante o encontro, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, apresentou publicações que sistematizam ações afirmativas desenvolvidas no setor e destacou a incorporação dessas medidas a diferentes mecanismos de financiamento cultural.

Cotas e ampliação do acesso aos recursos culturais

Um dos avanços está na adoção de ações afirmativas em escala nacional por meio da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), em articulação com estados e municípios. As políticas estabelecem cotas mínimas de 25% para pessoas negras, 10% para indígenas e 5% para pessoas com deficiência, além de outras modalidades de inclusão nos mecanismos de fomento.

A incorporação dessas medidas amplia as possibilidades de participação de artistas, produtores, coletivos e iniciativas culturais historicamente sub-representados nos processos de seleção e distribuição de recursos públicos.

As ações afirmativas também passaram a integrar a Lei Rouanet, com medidas destinadas a ampliar a participação de pessoas negras nos projetos incentivados. No âmbito do planejamento cultural, o Plano Nacional de Cultura contempla diretrizes relacionadas à garantia dos direitos culturais da população negra.

Outro resultado é a descentralização dos investimentos, com a ampliação das oportunidades de acesso ao fomento em diferentes regiões do país. A articulação entre políticas nacionais e administrações estaduais e municipais permite alcançar agentes culturais para além dos grandes centros de produção.

Cultura Negra Vive e memória afro-brasileira

Lançada em 2024, a campanha Cultura Negra Vive integra as ações de valorização das expressões culturais afro-brasileiras. A iniciativa reconhece o protagonismo de artistas, coletivos, territórios e comunidades negras na construção da identidade cultural brasileira e participa, pelo terceiro ano consecutivo, do Mapa do Brasil pela Igualdade Racial.

Entre os materiais apresentados no lançamento do Novembro Negro estão o caderno institucional Cultura Negra Vive – Ações Afirmativas para a Cultura Afro-Brasileira, um estudo sobre a implementação das ações afirmativas na PNAB e a primeira edição do Plano de Ação do Sistema MinC para o Programa Federal de Ações Afirmativas (PFAA). As publicações reúnem estratégias e resultados das medidas de inclusão adotadas no setor cultural.

A participação social também integra esse processo. A nova estrutura do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), instituída em maio de 2026, prevê mecanismos de paridade de gênero, ações afirmativas para pessoas negras, indígenas e com deficiência, além de critérios de representatividade territorial.

Reconhecimento quilombola e direitos territoriais

Os resultados alcançam também a preservação do patrimônio afro-brasileiro e o reconhecimento dos direitos das comunidades quilombolas. A Fundação Cultural Palmares, responsável por ações de valorização da cultura negra e certificação de comunidades quilombolas, registrou avanços nesse processo.

Durante o lançamento, o presidente da instituição, João Jorge Rodrigues, afirmou que, nos três anos e dez meses da atual gestão, o número de certidões entregues a comunidades quilombolas superou os registros de períodos anteriores ao longo dos 38 anos de existência da Fundação.

Na área territorial, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, anunciou a previsão de entrega de mais 18 títulos a comunidades quilombolas em novembro. Segundo ela, com essas medidas, o governo alcançaria a marca de 50% de todos os decretos de reconhecimento de territórios quilombolas já assinados na história do país.

A regularização territorial representa uma dimensão fundamental da garantia de direitos, ao contribuir para a segurança de famílias e para a continuidade de modos de vida, práticas culturais e formas tradicionais de organização comunitária.

Novembro Negro: cultura, memória e igualdade racial

Com o tema “Brasil pela Igualdade Racial: o Legado para o Futuro”, o Novembro Negro 2026 reúne atividades de mobilização, reflexão e valorização da história e das contribuições da população negra. A programação tem como referência o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.

Mais do que uma agenda comemorativa, o período coloca em debate os resultados e os desafios das políticas de igualdade racial em diferentes áreas. No campo da cultura, a ampliação do acesso ao financiamento, o reconhecimento de artistas e comunidades, a preservação da memória afro-brasileira e a participação nos espaços de decisão são medidas concretas para enfrentar desigualdades históricas e fortalecer a diversidade cultural do país.

Publicações e materiais de referência

Caderno Cultura Negra Vive – Ações Afirmativas para a Cultura Afro-Brasileira: acessar publicação
https://www.gov.br/cultura/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/caderno-institucional-cultura-negra-vive/digital-minc-caderno-institucional-cultura-negra-vive.pdf

Boletim SNIIC – Ações Afirmativas na Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura: consultar boletins
https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/sniic/boletins-sniic