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20 anos de história do Museu da Língua Portuguesa em exposição

“Luz da Língua” revisita duas décadas do Museu por meio de vídeos, documentos, fotografias e uma sala inteiramente dedicada à participação dos visitantes.

Há palavras que contam histórias. Outras guardam memórias, revelam identidades, atravessam fronteiras e até inventam novos mundos. É justamente essa ideia de uma língua portuguesa viva, múltipla e em permanente transformação que orienta Luz da Língua, exposição temporária que celebra os 20 anos do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Aberta ao público desde 22 de agosto, a mostra revisita a trajetória da instituição instalada na Estação da Luz e recupera momentos marcantes de sua história por meio de vídeos, fotografias, documentos originais, desenhos e materiais do acervo. Mas a exposição não se limita a olhar para o passado: uma de suas salas transforma o visitante em protagonista, com jogos, oficinas, contações de histórias e outras atividades que exploram a criatividade da língua.

Com curadoria de Isa Grinspum Ferraz e assistência curatorial de Marcelo Macca, a exposição reúne conteúdos que ajudam a entender como o Museu se tornou uma referência internacional ao tratar a língua não apenas como objeto de estudo, mas como patrimônio imaterial construído e reinventado cotidianamente por seus falantes. A identidade visual e a expografia são assinadas pelo Estúdio Bijari.

Uma língua feita de muitas vozes

A experiência começa com uma instalação audiovisual criada pelo artista Leandro Lima a partir de imagens do acervo do Museu. Durante cerca de 26 minutos, artistas, escritores, pesquisadores e outras personalidades aparecem declamando poemas, cantando versos ou refletindo sobre suas relações com a língua portuguesa.

Entre os registros estão a atriz e cantora Zahy Tentehar, interpretando Língua, de Caetano Veloso; o xamã e escritor indígena Davi Kopenawa, falando em yanomami sobre sua relação com o português; e o escritor português Valter Hugo Mãe, que revela sua palavra preferida no português brasileiro: borogodó.

A escolha dos depoimentos ajuda a mostrar que não existe uma única maneira de falar, ouvir ou experimentar o português. A língua se transforma de acordo com os territórios, as culturas, as gerações e as experiências de seus falantes.

foto Nilton Fukuda - reprodução
foto Nilton Fukuda – reprodução

Vinte anos de história

Uma linha do tempo percorre a trajetória do Museu desde os primeiros projetos para sua criação, no início dos anos 2000, até os dias atuais.

Fotografias, desenhos, documentos, reportagens e outros materiais reconstituem a inauguração, em março de 2006, as primeiras exposições temporárias dedicadas a escritores e escritoras, o incêndio que atingiu o edifício em 2015 e o longo processo de reconstrução que culminou na reabertura do Museu, em julho de 2021.

O percurso também revela a dimensão alcançada pela instituição ao longo dessas duas décadas. Desde a inauguração, mais de 5,6 milhões de pessoas já visitaram o Museu da Língua Portuguesa, vindas de diferentes regiões do Brasil e de outros países.

No final da linha do tempo, um vídeo produzido pelo Centro de Referência do Museu reúne depoimentos de pessoas de diferentes idades, origens e profissões sobre suas experiências na instituição. São memórias que ajudam a construir uma outra história do Museu: aquela contada por quem passou por suas salas.

“Queremos mostrar que a língua é o melhor retrato de um povo e é também o seu mais poderoso instrumento de transformação”, afirma Isa Grinspum Ferraz.

Agora é a vez do visitante

Se as primeiras salas convidam o público a conhecer a história do Museu, a terceira propõe uma inversão: é o visitante quem passa a produzir a exposição.

O espaço reúne atividades desenvolvidas pelos Núcleos Educativo e de Articulação Social e pelo Centro de Referência. Jogos, oficinas, contações de histórias e outras propostas convidam crianças, jovens e adultos a experimentar palavras, sons, histórias e diferentes formas de expressão.

Os materiais produzidos durante as atividades podem ser levados para casa ou incorporados à própria exposição, em um grande varal instalado na sala.

A ideia reforça um dos princípios centrais da mostra: a língua não é algo acabado, guardado em livros ou dicionários. Ela está nas conversas, nas músicas, nas histórias de família, nas gírias, nos sotaques, nas palavras inventadas e nas maneiras diferentes de nomear o mundo.

Outro convite à participação aparece nos cartões-postais disponibilizados gratuitamente ao público. São dez modelos com imagens de espaços e da fachada do Museu, que podem ser usados para escrever mensagens a amigos e familiares. O próprio Museu se encarrega do envio.

foto Nilton Fukuda - divulgação
foto Nilton Fukuda – divulgação

Um Museu em permanente transformação

Ao completar duas décadas, o Museu da Língua Portuguesa aproveita a própria história para reafirmar uma ideia que está na origem de sua criação: uma língua não pertence a uma única pessoa, região ou país.

O português falado no Brasil é resultado de encontros, conflitos, deslocamentos e misturas. Carrega marcas indígenas, africanas, europeias e de inúmeras outras culturas que participaram da formação da sociedade brasileira. Está presente tanto na literatura quanto na oralidade, na música, na conversa cotidiana e nas novas formas de comunicação.

É essa dimensão plural que Luz da Língua procura colocar em evidência. Ao combinar memória institucional e participação do público, a mostra transforma os 20 anos do Museu não apenas em uma celebração do passado, mas em uma oportunidade de pensar o futuro de uma língua que continua mudando a cada geração.

Luz da Língua está em cartaz no Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, em São Paulo.

Serviço

Luz da Língua — 20 anos do Museu da Língua Portuguesa

Local: Museu da Língua Portuguesa – Estação da Luz, São Paulo
Abertura: 22 de agosto de 2026
Curadoria: Isa Grinspum Ferraz
Assistência curatorial: Marcelo Macca
Identidade visual e expografia: Estúdio Bijari

A exposição conta com patrocínio máster da Petrobras e da Motiva; patrocínio do Instituto Votorantim e da Vale; e apoio do Instituto Ultra, Itaú Unibanco e CAIXA. Realização do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.

foto Nilton Fukuda - reprodução
foto Nilton Fukuda – reprodução