FLIPES transforma São Bento do Sapucaí em território de literatura e cultura popular
Folia de Reis, maracatu, fandango caiçara, música, cinema, gastronomia e literatura ocupam a Serra da Mantiqueira na 14ª Festa Literária do Interior Paulista.
Durante uma semana, São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira, transforma-se em um grande território de encontros entre livros, música, memória e cultura popular. De 13 a 20 de setembro, a cidade recebe a 14ª FLIPES – Festa Literária do Interior Paulista Eugênia Sereno, que neste ano escolhe a sustentabilidade como tema e propõe uma programação gratuita que aproxima literatura, saberes tradicionais, manifestações populares e diferentes linguagens artísticas.
A festa começa a ganhar forma já no dia 12 de setembro, com a Pré-FLIPES, e se espalha por diferentes espaços e comunidades do município. Além dos encontros com escritores, a programação inclui Folia de Reis, maracatu, fandango caiçara, cortejos, música, cinema, gastronomia, saraus, contação de histórias e oficinas, fazendo da literatura um ponto de partida para uma experiência cultural muito mais ampla.
Homenageando a escritora sambentista Eugênia Sereno, a FLIPES mantém uma característica que acompanha sua trajetória: levar para o interior paulista não apenas autores e livros, mas também manifestações, histórias e conhecimentos que nascem dos próprios territórios.
Literatura em diálogo com os Brasis
Entre os convidados desta edição estão o escritor André Kondo, vencedor do Prêmio Jabuti 2025, e as escritoras Lilian Guerra e Jô Freitas, que vêm construindo trajetórias marcadas pela literatura produzida por mulheres negras.
Mesas, debates e encontros aproximam autores e leitores em conversas sobre criação literária, identidade, transformações sociais e os desafios do Brasil contemporâneo. Em vez de separar literatura e realidade, a programação aposta justamente no diálogo entre as duas.
Um dos lançamentos que integra a programação é “Entre a Farda e a Educação – Escola Não é Quartel”, de Célio Turino, historiador, gestor cultural e criador do Programa Cultura Viva. O livro propõe uma reflexão sobre educação, democracia, diversidade e formação cidadã.
A FLIPES também recebe encontros dedicados às políticas públicas do livro e da leitura, reunindo gestores, educadores, bibliotecários, autores, mediadores e representantes da sociedade civil para discutir os Planos Estaduais do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas e os caminhos para ampliar a formação de leitores e fortalecer bibliotecas e comunidades leitoras.

Quando a literatura encontra a música
A música ocupa outro espaço importante na programação.
A cantora, compositora e pesquisadora moçambicana Lenna Bahule leva à FLIPES sua pesquisa sobre tradições vocais africanas, em diálogo com a experimentação sonora contemporânea. Já Marcel Powell, filho do violonista Baden Powell, apresenta um repertório dedicado à riqueza da música instrumental brasileira.
A cantora e compositora paraibana Socorro Lira apresenta “Dá-me as Rosas – A Poesia de Carolina Maria de Jesus na Música”, espetáculo que transforma em canções textos de uma das mais importantes escritoras brasileiras. A obra de Carolina ganha, assim, novas camadas de escuta ao encontrar a música e a cena.
Em “Poesia Jazzida Arcaica”, literatura, teatro e improvisação sonora também se encontram. Inspirado no romance Goiás, de Marcus Groza, o espetáculo reúne o próprio autor, a atriz Thabata Ewara e os músicos Rogério Botter Maio, no baixo acústico, e Pax Bittar, com orquestra de aquários e experimentações sonoras.
A proposta é fazer da palavra uma experiência sensorial, explorando ritmo, silêncio, música e performance.
A cultura popular também ocupa a festa
É no encontro com as manifestações tradicionais que a proposta da FLIPES ganha ainda mais força.
Folia de Reis, maracatu e fandango caiçara, entre outras expressões da cultura popular, integram a programação e colocam em circulação conhecimentos transmitidos entre gerações.
Cortejos, música, dança e encontros comunitários fazem com que a festa literária ultrapasse o espaço convencional das mesas e dos livros. São manifestações que carregam histórias de comunidades, relações com o território, religiosidade, celebração e formas coletivas de preservar a memória.
A presença dessas expressões reforça também o próprio tema da edição. Falar em sustentabilidade, para a FLIPES, não significa apenas discutir questões ambientais, mas pensar como culturas, territórios, saberes e modos de vida podem permanecer vivos e se renovar sem perder suas raízes.

Cultura que circula pelo território
A programação não fica restrita ao centro da cidade. O projeto FLIPES Circula leva atividades literárias e culturais para bairros rurais e comunidades de São Bento do Sapucaí, ampliando o acesso à programação e aproximando o festival de diferentes públicos.
Já as FLIPES Formativas oferecem oficinas de canto, pandeiro, danças brasileiras, teatro literário e outras linguagens artísticas para crianças, jovens e adultos.
A proposta é fazer da festa não apenas um acontecimento anual, mas uma oportunidade de formação, troca e criação que permaneça no território.
Entre livros, música, manifestações populares e encontros, a FLIPES constrói uma programação em que a literatura não aparece isolada. Ela conversa com a memória, com a música, com a oralidade, com os saberes tradicionais e com as questões que atravessam a vida cotidiana.
Em uma cidade cercada pela Serra da Mantiqueira, a 14ª FLIPES propõe justamente esse encontro entre cultura e território: uma festa literária que olha para o futuro sem abrir mão das histórias e dos conhecimentos que ajudam a explicar quem somos.
Serviço
14ª FLIPES – Festa Literária do Interior Paulista Eugênia Sereno
Tema 2026: Sustentabilidade
Pré-FLIPES: 12 de setembro
Festival: 13 a 20 de setembro
Local: Casarão da Memória e outros espaços de São Bento do Sapucaí (SP)
Entrada: gratuita
Informações: (12) 99787-1187 | culturaintegrarte@gmail.com
Programação: flipes.art.br/programacao
Site: FLIPES


