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Santos reúne 250 fazedores de cultura no 8º Encontro de Culturas Populares e Tradicionais

Maracatu, jongo, capoeira, culturas indígenas, samba de roda, quadrilhas e outras manifestações ocupam o Centro Histórico da cidade em uma celebração da diversidade cultural paulista.

O Centro Histórico de Santos será tomado por maracatu, jongo, capoeira, cantos indígenas, samba de roda, quadrilhas juninas e outras manifestações da cultura popular no dia 29 de agosto, durante o 8º Encontro de Culturas Populares e Tradicionais. Gratuito e aberto ao público, o evento reunirá mais de 250 fazedores culturais, entre mestres, grupos, comunidades, artistas e representantes de diferentes tradições, em uma programação que se estende das 14h às 23h30.

Realizado pela Associação Zabelê, o encontro deverá reunir participantes de pelo menos 12 cidades do Estado de São Paulo, vindos da Baixada Santista, Vale do Ribeira, Vale do Paraíba, Grande ABC e da capital. A proposta é colocar em contato manifestações que muitas vezes atuam de forma dispersa pelo território paulista, criando um espaço de convivência, troca de experiências e valorização dos saberes transmitidos entre gerações.

A programação começa às 14h, em frente à Casa do Patrimônio, representação do IPHAN na Baixada Santista, com uma roda de conversa que antecede o grande cortejo cultural. A partir dali, os participantes seguem em direção ao Valongo, conduzidos pelo Maracatu de Baque Virado. O cortejo reúne os diferentes grupos presentes no encontro, transformando as ruas do Centro Histórico em espaço de celebração e encontro entre tradições.

Entre as atrações estão sete grupos de capoeira, dois corais indígenas, oito grupos de maracatu, oito comunidades de jongo, duas quadrilhas juninas, além de representantes do samba de roda e de escola de samba. A diversidade de manifestações evidencia a riqueza das culturas populares presentes em diferentes regiões do estado e suas múltiplas formas de expressão — na música, na dança, na oralidade, na religiosidade, nos rituais e nas práticas comunitárias.

A presença das culturas indígenas ganha destaque com os dois corais indígenas, que levam ao encontro repertórios vinculados às tradições e aos modos de expressão dos povos originários. Também estarão presentes manifestações de matriz africana, como o jongo, o maracatu, a capoeira e o samba de roda, além de expressões associadas às tradições nordestinas, como as quadrilhas juninas.

Mais do que uma sequência de apresentações, o encontro pretende criar condições para que os próprios grupos compartilhem conhecimentos e experiências. A convivência entre diferentes gerações e comunidades é parte fundamental da proposta: mestres e mestras encontram jovens praticantes, artistas populares dialogam entre si e o público pode conhecer manifestações que fazem parte do patrimônio cultural vivo de diferentes territórios.

Segundo a produtora cultural Juliana Clabunde, uma das principais metas é fortalecer os vínculos entre grupos e comunidades que preservam essas tradições.

A principal meta é a validação da diversidade do patrimônio imaterial e a união de grupos dispersos, na finalidade de promover a troca de saberes, a salvaguarda dos bens culturais e a boa utilização de espaços públicos, colocando mestres e grupos da cultura tradicional em contato com o público e com fazedores culturais e artistas populares.”

O encontro também terá uma feira solidária, com produtos ligados às culturas tradicionais, incluindo artesanato produzido por povos originários e vestimentas confeccionadas com tecidos africanos. A feira amplia a experiência para além dos palcos e permite ao público conhecer objetos, técnicas, materiais e modos de fazer associados às comunidades participantes.

Ao ocupar o espaço público do Centro Histórico, o evento também chama atenção para a relação entre patrimônio cultural e território. Santos, cidade marcada por diferentes camadas históricas e por intensas relações entre populações, culturas e fluxos migratórios, torna-se cenário para manifestações que chegam de outras regiões do estado e encontram no espaço urbano um lugar para se apresentar, circular e estabelecer novas conexões.

O 8º Encontro de Culturas Populares e Tradicionais reafirma, assim, a cultura popular como patrimônio vivo: não apenas algo a ser preservado, mas uma prática que se transforma, circula e se renova quando mestres, comunidades, artistas e público compartilham seus conhecimentos.

Serviço

8º Encontro de Culturas Populares e Tradicionais
Data: 29 de agosto de 2026
Horário: das 14h às 23h30
Local: Centro Histórico de Santos – SP
Programação: roda de conversa, cortejo cultural, maracatu, jongo, capoeira, corais indígenas, samba de roda, quadrilhas juninas, escola de samba e feira solidária
Entrada: gratuita
Realização: Associação Zabelê