Museu Vassouras amplia programação cultural com atividades até março de 2027
Com mais de 5 mil visitantes desde setembro, exposições “Sertões” e “Vozes do Vale” permanecem em cartaz até abril e orientam uma agenda de oficinas, encontros, feiras, apresentações e ações educativas.
O Museu Vassouras, no Sul Fluminense, amplia sua programação cultural e educativa entre novembro de 2026 e março de 2027. A agenda reúne oficinas, visitas mediadas, encontros de leitura, palestras, feiras agroecológicas e manifestações tradicionais da região, em diálogo com as exposições “Sertões: diálogos da 36ª Bienal de São Paulo” e “Vozes do Vale”. Desde a abertura das mostras, em 26 de setembro, o museu recebeu mais de 5 mil visitantes, entre eles 799 estudantes de 14 escolas. As exposições têm entrada gratuita e ficam em cartaz até 4 de abril de 2027.
A programação permanente inclui duas oficinas educativas por mês, abertas a diferentes faixas etárias, visitas mediadas de quinta-feira a domingo, às 11h e às 16h, e atividades educativas nas exposições às quintas-feiras, às 17h. A agenda também contempla iniciativas voltadas à agroecologia, à infância, à literatura, à oralidade e às tradições culturais do Vale do Café.
Entre 13 e 15 de novembro, os Encontros de Agroecologia promovem feira de produtores locais, palestras, oficinas e atividades educativas. No dia 14, uma feira realizada em parceria com a Associação de Produtores Orgânicos e Agroecológicos do Vale do Café (APROVAC) reúne produtores, música no pátio e uma conversa sobre práticas agroecológicas, do campo à mesa. No encerramento, dia 15, o público infantil participa de uma oficina de plantio conduzida pelo Sertão Verde.
Em 5 de dezembro, o museu recebe o WOW – Festival Mulheres do Mundo, iniciativa internacional criada em Londres, em 2010, dedicada às conquistas das mulheres e meninas e à promoção da equidade de gênero. A programação inclui conversa sobre arte e território, oficina de criação coletiva e apresentação musical de Anelis Assumpção. No dia 12, acontece uma nova edição do Conecta Vale.
As tradições regionais ganham destaque em 3 de janeiro, com o Encontro de Folias de Reis. Em janeiro, o Programa de Férias, realizado de 21 a 24 e de 28 a 31, oferece oficinas e atividades para crianças e jovens. O projeto mensal Brincando no Museu também mantém ações voltadas ao público infantil, combinando brincadeiras, leituras e atividades livres.
Em março, a agenda prevê uma formação para professores, entre os dias 10 e 12, e o Encontro de Oralidades, no dia 13, dedicado à literatura, à poesia e às narrativas orais, com participação de autores e poetas.



Territórios, memórias e saberes em exposição
As atividades se relacionam com as duas exposições em cartaz. “Sertões: diálogos da 36ª Bienal de São Paulo” apresenta um desdobramento do projeto desenvolvido pelo Instituto Sertão Negro para a Bienal, em parceria com a Fundação Bienal de São Paulo e o Instituto Inhotim. Concebida como uma espécie de caderno de artista coletivo, a instalação reúne trabalhos de participantes e colaboradores do instituto, registros e objetos da comunidade quilombola Kalunga, em Goiás, reconhecida como o maior território quilombola em extensão do país.
Um dos elementos centrais da montagem é uma parede de taipa de mão, técnica tradicional de construção com barro, realizada coletivamente por integrantes do Quilombo Kalunga e do Quilombo São José da Serra, em Valença (RJ). A instalação também apresenta fotografias das décadas de 1980 e 1990 e depoimentos em áudio de lideranças e guardiões da memória Kalunga, entre eles Deuselina Maia, Sirilo dos Santos Rosa e Procópia dos Santos Rosa. O conjunto aborda relações entre ancestralidade, território, memória e práticas comunitárias. Integra ainda a mostra o vídeo Óta Layó, de Dalton Paula, comissionado pelo Instituto Inhotim e apresentado pela primeira vez fora da instituição.
Já “Vozes do Vale” é resultado de uma pesquisa documental realizada entre 2020 e 2021, em colaboração com 35 moradores de 12 municípios do Vale do Café. Agricultores, benzedeiras, artistas, pesquisadores, médicos, professores e mestres da cultura compartilharam histórias e experiências que deram origem a um acervo de imagens, registros sonoros e narrativas.
Esse material é apresentado em diálogo com obras de Luiz Zerbini, Minerva Cuevas, Rose Afefé, Alberto Guignard e Frans Post. A exposição está organizada em três núcleos — Terra, Movimento e Identidades —, que abordam práticas agrícolas, manifestações culturais, religiosidades, memórias e formas de transmissão de conhecimentos na região.
O percurso inclui uma sala imersiva concebida pelo escritório de arquitetura carioca Gru.A, inspirada na paisagem entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. A ambientação sonora, composta por Lourenço Parente e Bernardo Adeodato, incorpora sons de rios, trens e da Mata Atlântica.
As duas exposições estabelecem conexões entre diferentes territórios e comunidades, aproximando a produção artística contemporânea de saberes tradicionais e histórias locais. Para Catarina Duncan, diretora artística do Museu Vassouras, as mostras dialogam a partir da relação com o território e da valorização das pessoas e práticas culturais da região. Melissa Alves, curadora do Instituto Sertão Negro, destaca a importância de aproximar o público das tradições transmitidas entre gerações e reconhecer o museu como um espaço compartilhado pela população.



Sobre o Museu Vassouras
Inaugurado em dezembro de 2025, o Museu Vassouras é um espaço cultural dedicado à valorização das identidades e da história do Vale do Café, no Sul Fluminense. Sua proposta articula cultura, arte e educação, promovendo conexões entre territórios e comunidades. A instituição, privada, foi fundada por Ronaldo e Guilherme Cezar Coelho e é gerida por uma organização sem fins lucrativos criada em 2017, voltada à preservação e à valorização da memória e da cultura regional.
Sobre o Instituto Sertão Negro
Fundado em 2021 pelo artista Dalton Paula e por Ceiça Ferreira, o Instituto Sertão Negro articula arte, educação, meio ambiente e comunidade. Seu trabalho busca fortalecer a autonomia de fazeres e saberes, a dignidade e o bem-viver coletivo, por meio de práticas que aproximam criação artística, formação e conhecimentos tradicionais.

SERVIÇO
Museu Vassouras
Horário de funcionamento: de quinta a domingo, das 10h às 18h.
Visitas mediadas espontâneas: 11h e 16h.
R. Luís P. Werneck, 64
Praça Barão de Campo Belo
Centro – Vassouras – RJ
CEP 27700-000

