CanaisIdentidadesLançamentosPolíticas Públicas

CONPRESP aprova tombamento de três terreiros de religiões de matriz africana em São Paulo

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo da Prefeitura de São Paulo, aprovou, durante a 844ª Reunião Ordinária realizada em 25 de maio de 2026, o tombamento de três importantes terreiros de religiões de matriz africana da capital paulista.

A decisão reconhece o valor histórico, cultural, religioso e social do Ilê Dara Asè Òsún Eyin, em Sapopemba; do Ilê Asé Omo Igbo Omi, em Ermelino Matarazzo; e do Terreiro de Candomblé Abassá Oxum Oxóssi, no Cangaíba.

Os processos de tombamento foram elaborados pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) e consideram os terreiros como referências culturais fundamentais para a preservação das tradições afro-brasileiras na cidade de São Paulo. Entre os critérios adotados estão a continuidade das práticas religiosas, a preservação da estrutura simbólica e religiosa do terreiro e arquitetura sagradas, a atuação comunitária e o papel histórico dessas casas no enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa.

O CONPRESP destacou, nas resoluções aprovadas, a contribuição das religiões de matriz africana para a formação cultural brasileira e o papel dos terreiros enquanto espaços de acolhimento, construção identitária, preservação da memória e resistência das culturas afro-brasileiras nas dinâmicas urbanas da cidade.

Entre os espaços reconhecidos está o Ilê Dara Asè Òsún Eyin, fundado pelo Babalorixá Pai Cido de Oxum, referência do candomblé queto em Sapopemba desde os anos 1980.

O terreiro também se destaca pela atuação de Pai Cido na difusão da cultura afro-brasileira por meio de rádios, jornais, livros e registros sonoros dos cânticos dos orixás.

O Ilê Asé Omo Igbo Omi, liderado por Mãe Izis de Logunedé, foi reconhecido pela preservação de elementos da tradição iorubá, pela configuração arquitetônica inspirada nos compounds tradicionais africanos e pela integração entre práticas do candomblé e da umbanda.

Já o Terreiro de Candomblé Abassá Oxum Oxóssi, fundado por Mãe Caçulinha e atualmente conduzido por Mãe Kátia, representa a preservação da tradição angola na cidade de São Paulo e a trajetória histórica de mulheres negras na consolidação do candomblé paulista.

As resoluções aprovadas pelo CONPRESP garantem a preservação dos espaços sagrados utilizados para culto e reconhecem os terreiros como patrimônios vivos, respeitando as transformações necessárias para a continuidade das práticas religiosas e comunitárias.

Sobre a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa

A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (SMC) de São Paulo, fundada em 1935 como Departamento de Cultura e Recreação, promove a cultura e impulsiona a economia criativa da cidade. Com mais de 90 anos de atuação, valoriza a diversidade cultural, preserva patrimônios e forma profissionais para a indústria criativa. Com uma rede abrangente, a SMC administra 13 Centros Culturais, 7 Teatros Municipais, 20 Casas de Cultura, além da Casa de Cultura Cidade Ademar, que será inaugurada em 2025, 2 museus (sendo o Museu da Cidade de São Paulo – composto de 13 unidades – e o Museu das Culturas Brasileiras em fase de obras), 54 Bibliotecas de Bairro, 15 Pontos de Leitura e 15 Bosques de Leitura, 6 EMIAs (Escolas Municipais de Iniciação Artística) e 3 unidades da Rede Daora – Estúdios Criativos das Juventudes. A SMC ainda atende 104 equipamentos de cultura e CEUs por meio do PIAPI (Programa de Iniciação Artística para a Primeira Infância), PIÁ (Programa de Iniciação Artística) e Programa Vocacional.