No MIS, curtas de todo o mundo mostram que as cidades podem ser diferentes
Na mostra serão premiados os melhores documentários sobre meio ambiente e cidades, entre eles “Impacta Oceano: Mangue é Vida” — produção sobre o maior manguezal urbano do Brasil, em Vitória (ES).
Na noite do próximo sábado, 30 de maio, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo recebe a 11ª edição do Festival MegaCities ShortDocs, mostra internacional dedicada a curtas-metragens que propõem soluções — reais, em curso, inventadas por gente comum — para os desafios das grandes metrópoles. Entrada gratuita, filmes de até quatro minutos e um convite à esperança sobre o futuro das cidades.
Criado pela organização francesa Métropole du Grand Paris e presente no Brasil desde 2022 por meio da plataforma multimídia São Paulo São — idealizada pelo jornalista e documentarista Mauricio Machado —, o festival reúne produções audiovisuais sobre mudanças climáticas, urbanismo, reciclagem, rios urbanos e iniciativas comunitárias em cidades com mais de um milhão de habitantes. A programação inclui a exibição dos finalistas, debates e a premiação das produções selecionadas.
Mangue, marisqueiras e Economia Azul
Um dos destaques desta edição vem do Espírito Santo. “Impacta Oceano: Mangue é Vida” foi gravado em Vitória, onde está localizado o maior manguezal urbano do Brasil, e apresenta iniciativas de preservação dos manguezais capixabas articuladas ao conceito de Economia Azul — o uso sustentável dos recursos marinhos e costeiros como caminho para geração de renda e justiça ambiental.
O documentário acompanha pesquisadores, marisqueiras e comunidades tradicionais do litoral capixaba, incluindo projetos de reaproveitamento de resíduos de mariscos para produção de insumos agrícolas. Um retrato preciso de como ecossistemas considerados periféricos podem ser, na verdade, o centro de tudo.
“As histórias presentes no documentário revelam como os manguezais estão ligados não apenas à preservação ambiental, mas também à vida econômica e cultural das comunidades costeiras. Participar de um festival que discute o futuro das grandes cidades ajuda a ampliar o olhar sobre a importância desses ecossistemas para o equilíbrio climático”, afirma Amanda Albano Alves, sócia-fundadora da Bloom Ocean, responsável pela produção do filme.

Rios, memória e árvores plantadas à mão
A seleção desta edição inclui ainda outros títulos que merecem atenção. “Rios Invisíveis”, de Tadeu Jungle, e “Onde Eu Nasci Passa um Rio”, de Sofia Byington, exploram a relação entre a cidade e seus cursos d’água esquecidos. Já “Águas de Memória” apresenta o projeto Meninos da Billings, iniciativa comunitária às margens de um dos maiores reservatórios urbanos do país.
O festival também presta homenagem a filmes que marcaram edições anteriores: “The Planter”, vencedor de 2017, conta a história do morador da zona leste de São Paulo que plantou mais de 20 mil árvores no Parque Tiquatira; “Bidon Vil”, do Congo, retrata um artista que transforma resíduos plásticos em brinquedos para crianças.

Cidade de 15 minutos e outras ideias
A programação vai além das telas. O evento inclui o pré-lançamento do livro “Direito à Cidade”, do urbanista franco-colombiano Carlos Moreno — criador do conceito de “Cidade de 15 Minutos”, que defende a organização urbana em torno da proximidade e do acesso —, além do lançamento de uma campanha de combate à violência contra a mulher, idealizada pela ONG Turma do Bem em parceria com o projeto 1000 Palavras.
Uma noite que começa com curtas e termina com perguntas que ficam: que cidade queremos? Que cidade já estamos construindo, sem que ninguém perceba?
SERVIÇO
11º Festival MegaCities ShortDocs
30 de maio de 2026 (sábado)
Recepção às 19h | Cerimônia às 20h
MIS-SP — Av. Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo
Entrada franca — ingressos retirados na bilheteria do MIS com 1h de antecedência

