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Nei Lopes revisita oito décadas de vida, samba e ancestralidade em nova autobiografia

Em “O Robusto Menino de Irajá”, artista, pesquisador e um dos maiores intelectuais da cultura afro-brasileira compartilha memórias pessoais, reflexões e imagens de uma trajetória extraordinária.

Aos 84 anos, o cantor, compositor, escritor e pesquisador Nei Lopes lança uma obra que é, ao mesmo tempo, memória afetiva, documento histórico e testemunho de uma vida dedicada à cultura brasileira. Em O Robusto Menino de Irajá: Doces Lembranças, Eternas Saudades, publicado em 2026, o autor revisita sua infância no subúrbio carioca, sua formação profissional, os caminhos percorridos no samba e a intensa pesquisa que o transformou em uma das maiores referências dos estudos afro-brasileiros no país.

Mais do que uma autobiografia, o livro oferece um amplo panorama da vida e da obra de um artista multifacetado que, ao longo de mais de cinco décadas, construiu uma produção singular como compositor, cantor, escritor, pesquisador, ilustrador e lexicógrafo.

A narrativa acompanha o percurso de Nei desde os tempos de Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde nasceu em 1942, até sua consagração como uma das vozes mais respeitadas da cultura negra brasileira. Filho e neto de descendentes de pessoas escravizadas, ele cresceu cercado por histórias, saberes populares e referências que mais tarde se tornariam a base de sua produção intelectual e artística.

Do Direito ao samba

Formado em Direito pela antiga Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nei Lopes construiu uma trajetória que ultrapassou os limites da carreira jurídica para se tornar um dos grandes nomes da música brasileira. Autor de centenas de composições gravadas por intérpretes como Alcione, Beth Carvalho e Clara Nunes, estabeleceu parcerias históricas, especialmente com Wilson Moreira, e deixou sua marca em importantes escolas de samba cariocas.

Sua contribuição, no entanto, vai muito além da música. Ao longo dos anos, Nei se tornou uma referência incontornável nos estudos das matrizes africanas presentes na formação cultural brasileira.

A dor transformada em conhecimento

Entre os episódios mais marcantes narrados no livro está a perda de seu filho, aos quatro anos de idade, uma tragédia que marcou profundamente sua vida. O autor relata como encontrou nos estudos, na espiritualidade e na tradição de Ifá caminhos para reconstruir sua existência e aprofundar sua pesquisa sobre as culturas africanas e afro-brasileiras.

Essa busca resultou em uma produção intelectual de enorme relevância. Com mais de cinquenta livros publicados, Nei Lopes é autor de obras fundamentais para a compreensão da presença africana no Brasil, entre elas o Dicionário Banto do Brasil e o Dicionário da Antiguidade Africana, referências indispensáveis para pesquisadores, estudantes e leitores interessados no tema.

Um griô da cultura brasileira

A autobiografia é dividida em duas partes complementares. Na primeira, o autor apresenta um relato detalhado de sua trajetória pessoal, artística e intelectual, cobrindo mais de oito décadas de história. Na segunda, reúne fotografias, documentos e imagens comentadas que ajudam a reconstruir momentos importantes de sua vida e do cenário cultural brasileiro.

Os organizadores da publicação, Luiz Ricardo Leitão e Marcelo Braz, definem a obra como um retrato abrangente de um dos maiores griôs da cultura afro-brasileira. O livro percorre desde as lembranças da infância em Irajá até a consolidação de uma carreira marcada pela produção de mais de quatrocentas canções e dezenas de obras literárias.

O “robusto” menino de Irajá - extrato da capa
O “robusto” menino de Irajá – extrato da capa

Um intelectual múltiplo

Para o sociólogo e pesquisador Muniz Sodré, Nei Lopes pode ser definido como um verdadeiro polímata — alguém capaz de transitar por diferentes áreas do conhecimento sem perder profundidade em nenhuma delas. Compositor, romancista, poeta, pesquisador, cronista e estudioso das culturas africanas, ele construiu uma obra que articula arte, história, memória e identidade nacional.

Já a escritora e pesquisadora Elisa Larkin Nascimento destaca o tom afetivo e acolhedor da narrativa, que aproxima o leitor das experiências pessoais do autor e dos ambientes culturais que ajudaram a moldar sua visão de mundo.

Um legado para as próximas gerações

Mais do que recordar o passado, O Robusto Menino de Irajá reafirma a importância de preservar memórias, valorizar saberes ancestrais e reconhecer o papel decisivo da população negra na construção da cultura brasileira.

Ao reunir histórias pessoais, reflexões, imagens e depoimentos de amigos, pesquisadores e artistas, a autobiografia oferece um retrato sensível de um homem que transformou sua trajetória em instrumento de conhecimento e afirmação cultural.

Para leitores interessados em samba, literatura, história do Brasil e cultura afro-brasileira, a obra se apresenta como uma leitura fundamental para compreender não apenas a vida de Nei Lopes, mas também parte importante da formação cultural do país.

O “robusto” menino de Irajá - extrato da capa
O “robusto” menino de Irajá – extrato da capa

Serviço

O Robusto Menino de Irajá: Doces Lembranças, Eternas Saudades
Autor: Nei Lopes

  • 392 páginas
  • Capa dura
  • Caderno iconográfico colorido
  • Formato: 16 x 23 cm
  • Supervisão editorial: Luiz Ricardo Leitão
  • Produção editorial: Marilia Pereira e Vitor Castro
  • Ilustrações: Antonio Vieira

ISBN: 978-65-6128-171-3 (Mórula Editorial)
ISBN: 978-65-5891-196-8 (Expressão Popular)

Preço sugerido: R$ 95,00