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Iphan aprova tombamento de dois importantes marcos da história brasileira

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, nesta terça-feira (9/6/26), o tombamento federal de dois importantes bens culturais brasileiros: o Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado, no Rio de Janeiro, e a histórica Casa da Ópera de Vila Rica, atual Teatro Municipal de Ouro Preto, em Minas Gerais.

A decisão, tomada durante a 113ª Reunião do Conselho Consultivo, reconhece o valor histórico, arquitetônico, artístico e simbólico de dois espaços que ajudam a contar diferentes capítulos da formação cultural do país.

Casa Firjan: um tesouro da arquitetura carioca

Localizado em Botafogo, o Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado — atualmente conhecido como Casa Firjan — é um dos mais notáveis exemplares da arquitetura eclética inspirada no estilo francês beaux-arts no Brasil.

Construída entre 1900 e 1906, a residência foi um presente de casamento oferecido por Candido Gaffrée a Celina Guinle, filha do empresário Eduardo Guinle, por ocasião de sua união com Linneo de Paula Machado, fundador do Jockey Club Brasileiro.

Hoje aberta ao público, a Casa Firjan abriga atividades culturais, educativas e eventos promovidos pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Cercado por jardins históricos, o imóvel mantém uma rara relação com a paisagem urbana carioca, preservando a vista para o Morro Dona Marta mesmo em meio à verticalização do bairro.

O reconhecimento federal reforça a importância de um pedido de tombamento apresentado ainda na década de 1990 pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa, que considerava o imóvel um dos mais refinados exemplos da arquitetura renascentista francesa no país.

Durante a reunião, os conselheiros também aprovaram a inclusão do nome de Celina Guinle na denominação oficial do bem, valorizando sua trajetória e contribuindo para dar visibilidade à presença feminina na história do patrimônio brasileiro.

Segundo a relatora do processo, Raquel Furtado Schenkman Contier, o tombamento protege não apenas a edificação, mas também sua relação com a paisagem e o uso público do espaço.

foto Paula Johas / Firjan - Iphan
foto Paula Johas / Firjan – Iphan

Casa da Ópera de Ouro Preto ganha proteção individual

O outro bem aprovado pelo Conselho é a Antiga Casa da Ópera de Vila Rica, atual Teatro Municipal de Ouro Preto, considerada o mais antigo teatro em funcionamento contínuo das Américas.

Inaugurado em 1770, o edifício é um raro exemplar da arquitetura teatral luso-brasileira do período colonial e um dos mais importantes monumentos culturais do país.

Embora já estivesse protegido como parte do Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto — tombado pelo Iphan desde 1938 e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial — o teatro passa agora a contar com proteção individualizada, reconhecendo seus valores próprios e sua relevância singular para a história cultural brasileira.

Ao longo de mais de dois séculos e meio de existência, a Casa da Ópera atravessou diferentes momentos da história nacional sem interromper suas atividades, consolidando-se como um dos símbolos mais importantes da vida artística do Brasil.

Para a conselheira Beatriz Bueno, relatora do parecer, o tombamento isolado fortalece a preservação integral do edifício e de sua ambiência urbana, garantindo o reconhecimento público de um espaço que permanece como referência da memória coletiva brasileira.

Teatro Municipal Casa da Ópera - foto Ane Souz
Teatro Municipal Casa da Ópera – foto Ane Souz – Iphan

Patrimônio que conecta passado e presente

As aprovações reforçam o papel do patrimônio cultural como instrumento de preservação da memória e da identidade nacional. Em contextos históricos distintos — o refinamento urbano da Belle Époque carioca e a efervescência cultural da Minas colonial — os dois bens representam momentos fundamentais da formação social, artística e arquitetônica do Brasil.

Com os novos tombamentos, o Iphan amplia a proteção de espaços que seguem vivos, acessíveis ao público e integrados à vida cultural contemporânea, garantindo que suas histórias continuem a dialogar com as futuras gerações.