CanaisCinemaLançamentos

Itaú Cultural Play celebra cinco anos com curtas de grandes festivais

Mostra Ecofalante e Olhar de Cinema chegam à plataforma com produções que revelam a diversidade temática, estética e territorial do audiovisual brasileiro contemporâneo.

No mês em que completa cinco anos de atividade, a plataforma gratuita de streaming Itaú Cultural Play reforça sua vocação como vitrine do cinema brasileiro ao receber uma programação especial com curtas-metragens de dois dos mais importantes festivais do país: a 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema e o 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Entre os dias 12 e 26 de junho, o público poderá assistir a oito produções selecionadas do Concurso Curta Ecofalante, iniciativa voltada ao incentivo de estudantes e realizadores em início de carreira. Já entre 14 e 28 de junho, entram em cartaz 11 curtas das mostras Competitiva Brasileira e Mirada Paranaense, que integram a programação do festival curitibano.

Mais do que uma seleção de filmes, as duas mostras oferecem um retrato amplo da produção audiovisual brasileira contemporânea. Documentários, animações, dramas, ficções experimentais e obras híbridas exploram temas como memória, identidade, ancestralidade, pertencimento, espiritualidade, diversidade de gênero, cultura popular e relações comunitárias.

Yvyra'ijá Há Jate'í Reheguá - foto divulgação - IC Play
Yvyra’ijá Há Jate’í Reheguá – foto divulgação – IC Play

Cinco anos conectando o público ao cinema brasileiro

A programação especial coincide com uma data simbólica para a plataforma. Em 19 de junho, Dia do Cinema Brasileiro, a Itaú Cultural Play completa cinco anos consolidada como uma das principais iniciativas de difusão gratuita do audiovisual nacional.

Desde sua criação, a plataforma já disponibilizou mais de 1.800 produções e mantém atualmente centenas de títulos em catálogo, além de parcerias com festivais de todas as regiões do país. O projeto tem contribuído para ampliar o acesso a filmes que muitas vezes circulam apenas em festivais ou mostras especializadas, aproximando realizadores e espectadores de diferentes territórios.

Mestrinhos - foto divulgação - IC Play
Mestrinhos – foto divulgação – IC Play

Mostra Ecofalante: histórias de afeto, identidade e transformação

A seleção da Mostra Ecofalante reúne produções realizadas por jovens cineastas e estudantes que exploram questões contemporâneas por meio de narrativas íntimas e potentes.

Entre os destaques está “Um gosto assim”, de Helena Versiani, que acompanha uma jovem lidando com o luto e descobrindo aspectos desconhecidos da vida do pai. Já “Desfem”, dirigido por Manoella Fernandes e Polyana Santos, discute os estigmas enfrentados por mulheres que desafiam padrões tradicionais de feminilidade.

A programação inclui ainda histórias sobre memória familiar, saúde mental, saberes da pesca artesanal, experiências indígenas no ensino superior, valorização da cultura popular sergipana e reflexões sobre a morte e o renascimento nas tradições afro-brasileiras.

O conjunto evidencia a força de uma nova geração de realizadores interessados em temas sociais, culturais e identitários, sem abrir mão da experimentação estética.

Mares de sabedoria - foto divulgação - IC Play
Mares de sabedoria – foto divulgação – IC Play

Olhar de Cinema apresenta múltiplos olhares sobre o Brasil contemporâneo

A seleção do Festival Internacional de Curitiba amplia ainda mais esse panorama ao reunir produções vindas de diferentes regiões do país.

Entre animações, dramas, ficções científicas e documentários, os filmes transitam por universos que vão da ancestralidade indígena e afro-brasileira a futuros imaginados por pessoas trans, passando por conflitos familiares, espiritualidade, memória e pertencimento.

A mostra reúne títulos como “Marimbã está acontecendo”, que imagina futuros possíveis para pessoas trans; “O segredo sagrado”, inspirado em narrativas mitológicas; e “Pinguim de doce de leite”, delicado retrato da construção das memórias da infância.

Na seção Mirada Paranaense, o público encontra obras que exploram desde narrativas indígenas e experimentações audiovisuais até ficções rurais, documentários futuristas e histórias que refletem sobre resistência, território e identidade.

Enluarada - foto divulgação - IC Play
Enluarada – foto divulgação – IC Play

Um retrato da diversidade do cinema nacional

Ao reunir produções de diferentes estados brasileiros, a programação reafirma a pluralidade do audiovisual produzido hoje no país. São filmes que dialogam com questões urgentes da sociedade contemporânea sem perder de vista a riqueza cultural, histórica e territorial que caracteriza o Brasil.

Mais do que celebrar seu aniversário, a Itaú Cultural Play aproveita a data para reafirmar seu papel como espaço de circulação, preservação e valorização do cinema nacional, oferecendo ao público acesso gratuito a obras que ajudam a compreender a complexidade e a diversidade das narrativas brasileiras.

Serviço

15ª Mostra Ecofalante de Cinema
12 a 26 de junho

15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
14 a 28 de junho

Onde assistir:
Itaú Cultural Play

Acesso gratuito para computadores, dispositivos móveis, smart TVs e plataformas parceiras.

Da aldeia à universidade - foto divulgação - IC Play
Da aldeia à universidade – foto divulgação – IC Play

FICHA E TÉCNICA SINOPSES DOS FILMES

Um gosto assim
de Helena Versiani (drama, 20 min, Distrito Federal, 2026) 
Sinopse: Meses após a morte de seu pai e entre noitadas com diferentes mulheres, Laura se dedica a organizar as coisas que ele deixou. Num blog mantido em segredo, ela descobre que, no fim da vida, Inácio teve uma relação com outro homem. Laura busca então se reconciliar com a figura do pai.

Desfem
de Manoella Fernandes e Polyana Santos (documentário, 15 min, São Paulo, 2025) 
Sinopse: O documentário questiona a feminilidade a partir do olhar de duas mulheres desfem que compartilham suas vivências e os estigmas enfrentados em sociedade pelo modo de se vestirem.

Trago seu amor de volta
de Raíssa Santos (drama, 19 min, São Paulo, 2026) 
Sinopse: Após a morte da mãe, Raimunda encontra cartas de amor escritas por ela que nunca foram enviadas. Ela parte em busca do destinatário desconhecido junto da amiga Cora, que também vive um processo de luto — só que com o pai.

Ambivalência
de Natacha Maria Oliveira (drama, 11 min, Rio de Janeiro, 2025) 
Sinopse: Enquanto aguarda ser chamada para sua consulta em uma sala de espera, Lia, uma paciente psiquiátrica, quer ir embora e desistir de seu tratamento. Mas Maria, sua acompanhante, está disposta a fazer de tudo para que ela continue.

Mares de sabedoria
de Ainoã Oliveira, Ana, Danilo, Dudoca Suricato, Felipe Araújo e Gleibison Santos (documentário, 13 min, Pernambuco, 2025) 
Sinopse: Em Porto de Galinhas (PE), estudantes oriundos de famílias da pesca artesanal participam de um processo de realização audiovisual no qual passam a narrar suas tradições familiares. A partir do cotidiano, do território e dos saberes ligados às águas, o documentário acompanha como esses conhecimentos são transmitidos de geração a geração.

Da aldeia à universidade
de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo (documentário, 16 min, Tocantins, 2025) 
Sinopse: As experiências e conflitos culturais dos indígenas Srowasde Xerente e Krtadi Xerente ao saírem da aldeia em busca de formação universitária.

Mestrinhos
de Luwdge de Oliveira (documentário, 14 min, Sergipe, 2025) 
Sinopse: O documentário explora o encontro entre o saber acadêmico e a cultura popular no estado de Sergipe. A obra acompanha a trajetória de diversos mestres e mestras agraciados pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) com o título de mérito universitário em “Saberes e Fazeres”, um reconhecimento formal de seus conhecimentos ancestrais e práticas tradicionais.

Mukondo, da vida após a morte, Maria de Silú
de Fernanda Souza (documentário, 19 min, Bahia, 2025) 
Sinopse: O documentário registra a importância dos rituais fúnebres no Candomblé e a forma como essa tradição compreende a morte como continuidade da vida. Inspirado na memória de Maria de Silú, Mameto do Nzazi Kavuungo, o filme mostra como a morte representa uma ideia de renascimento para as comunidades praticantes das religiões afro-brasileiras.

Marimbã está acontecendo
de Maryn Marynho (animação, 15 min, Ceará, 2026) 
Sinopse: O pensamento de Marimbã percorre diversos sonhos através das águas tecendo relações de afeto para corpos dissidentes em um vislumbre de futuro possível. Trans parentalidade, rede de apoio, infância, envelhecimento e espiritualidade. Como nós, pessoas trans, imaginamos estar daqui a 20, 40 e 60 anos?

O segredo sagrado
de Everlane Moraes (animação, 12 min, Minas Gerais, 2026) 
Sinopse: Duas tribos inimigas esperam há séculos pela grande revelação do segredo sagrado. Mas a escolhida pelo Deus Supremo para receber o segredo foi a princesa Sikán. Ao ser injustiçada pelos homens de ambas as tribos, o dia se transformou em noite eterna.

Pinguim de doce de leite
de Ana Vitória Miotto Tahan (drama, 22 min, Goiás, 2026) 
Sinopse: Futuras lembranças sendo formadas em uma noite goiana qualquer. Nos fundos da casa de sua avó, Caju, uma criança de 10 anos, viverá sua primeira madrugada em claro com os amigos de seu tio, Tiago, um jovem rebelde.

Duwid Tuminkiz – Makunaima é Duwid?
de Gustavo Caboco Wapixana (animação, 14 min, Paraná, 2025) 
Sinopse: Duwid é como Makunaima é chamado no povo Wapixana, irmão de Tuminkery, seres criadores do mundo. A história dessa figura raramente foi vista ou acessada por pessoas indígenas, tampouco pensada para elas. Bete, uma universitária de origem Wapixana, dialoga com sua avó sobre as histórias de Duwid.

Enluarada
de Pedro Nascimento (drama, 10 min, Paraná, 2026) 
Sinopse: Lucília busca por paz sob a luz do luar, mas é acometida por manifestações intensas de seu subconsciente, que a obrigam a buscar, em sua individualidade, uma forma de enxergar um mundo melhor dentro de sua vida caótica.

Estrelas terrestres
de Rafael Neri M. Ferreira (drama, 15 min, Paraná, 2025) 
Sinopse: Miguel, um jovem morador de uma pequena cidade do interior do Brasil, sonha em se tornar ator. Ao passar em um teste em uma grande cidade, ele se vê diante do dilema de abandonar sua casa e seu melhor amigo, João.

Imunidade
de Cândida Monte, Milla Jung (experimental, 26 min, Paraná, 2025) 
Sinopse: Uma narrativa audiovisual experimental tecida por mulheres-artistas. Por meio de performances vocais e coreografias de palavras, um território vibrátil de resistência desafia um silenciamento histórico para projetar outros modos de existir.

Las Vegas, Cuba
de Felipe Lovo (documentário, 11 min, Paraná, 2026) 
Sinopse: No futuro, uma androide viajante desembarca em uma Havana deserta em busca de Las Vegas, um cabaré mítico fundado por um guerrilheiro.

O caçador
de Lucas Mancini (drama, 20 min, Paraná, 2025) 
Sinopse: No interior rural do Paraná, um trabalhador idoso atormentado pela fome segue o rastro de um misterioso cachorro preto que caça para sobreviver.

Reza para Baobabs – Um ebó de palavras para Ayomi e Zola
de Bea gerolin (experimental, 4 min, Paraná, 2026) 
 Sinopse: Os ibejis recém nascidos Ayomi e Zola, recebem seu primeiro ebó de palavras: uma oferenda de proteção, fé e ancestralidade.

Tornar-se ciborgue no interior 
de Louisa Savignon (ficção científica, 20 min, Paraná, 2026) 
Sinopse: Leo e Julia, proprietários de um sítio, querem filhos, mas estão com problemas de fertilidade. O casal Ava e Mia acaba de se mudar para o sítio vizinho. A vinda das duas mulheres cria uma tensão inesperada entre os vizinhos.

Yvyra’ijá Há Jate’í Reheguá – Os quatro guerreiros e o Jatei
de Arlene Benites, Géssica Martins, Jece Benites, Josias Kelvin, Josimar Benites, Jucieli Benites, Miqueias Cardoso e Talison Benites (drama, 9 min, Paraná , 2025) 
Sinopse: Quando era um jovem xondaro, Libóriom, guerreiro do povo Guarani, desbravava fazendas e enfrentava fazendeiros em busca da abelha Jateí. Já ancião, ele ensina seus netos a criar as abelhas na própria aldeia, território remanescente onde os Ava Guarani têm acesso, em meio à luta pelo direito de suas terras.