Tarsila do Amaral ganha a maior exposição imersiva já dedicada à sua obra
“O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, em São Paulo, e convida o público a percorrer o imaginário da artista que ajudou a reinventar a identidade visual do país.
Poucos artistas traduziram o Brasil em imagens tão marcantes quanto Tarsila do Amaral. Ao transformar paisagens, personagens, cores e imaginários populares em uma linguagem moderna, a pintora tornou-se uma das principais referências da arte brasileira do século XX e uma das protagonistas do Modernismo. Às vésperas dos 140 anos de seu nascimento, sua produção ganha uma nova leitura na exposição imersiva O Brasil de Tarsila, que estreia em agosto, em São Paulo.
Mais do que celebrar uma das artistas mais importantes do país, a mostra propõe uma reflexão sobre a construção da identidade cultural brasileira. Ao revisitar obras que marcaram diferentes gerações, a exposição evidencia como o universo criado por Tarsila permanece vivo na memória coletiva e continua influenciando a produção artística contemporânea.
A exposição inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço dedicado a experiências imersivas instalado no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Concebido para integrar arte, tecnologia e narrativas audiovisuais em grande escala, o equipamento abre suas portas com uma homenagem à artista cuja obra redefiniu a maneira de representar o Brasil.

Um mergulho no imaginário modernista
Distribuída por mais de dez ambientes, a exposição conduz o visitante por uma experiência sensorial inspirada em cerca de quarenta trabalhos da artista, entre pinturas, desenhos, esboços e ilustrações. Projeções em 360 graus, cenografia, trilha sonora, instalações interativas, efeitos visuais e recursos olfativos transformam a visita em um percurso que amplia a percepção sobre o universo simbólico de Tarsila.
Em vez de apenas reproduzir suas pinturas, a mostra busca transportar o público para dentro das paisagens, personagens e atmosferas que caracterizam sua produção, revelando as referências culturais, afetivas e estéticas que moldaram sua trajetória.
Entre as obras revisitadas estão Abaporu, Antropofagia, A Cuca, Operários, O Sono, São Paulo, Religiões Brasileiras, Figura Só e o Autorretrato (Le Manteau Rouge), além de desenhos produzidos durante viagens que ajudaram a formar seu repertório visual.

Arte, memória e tecnologia
A proposta aproxima a tradição modernista das linguagens digitais sem substituir a obra original pela tecnologia. Todo o conteúdo audiovisual foi desenvolvido por artistas visuais, sem utilização de imagens geradas por inteligência artificial, preservando a integridade estética da produção de Tarsila e utilizando os recursos tecnológicos como ferramentas de mediação entre obra e público.
A curadoria é assinada por Paola do Amaral Montenegro, responsável pela gestão do legado da artista, e pela pesquisadora Juliana Miraldi, especialista em exposições imersivas. O percurso combina pesquisa histórica, documentação e recursos audiovisuais para apresentar uma leitura contemporânea da obra sem perder de vista seu contexto artístico e cultural.

A permanência de Tarsila
Mais de um século depois da Semana de Arte Moderna de 1922, Tarsila continua sendo uma referência para compreender a formação da arte brasileira moderna. Sua pintura incorporou elementos da cultura popular, da paisagem nacional, das transformações urbanas e das múltiplas matrizes culturais que compõem o país, produzindo imagens que atravessaram gerações e se tornaram parte do imaginário coletivo.
Ao transformar essas obras em uma experiência imersiva, O Brasil de Tarsila amplia o acesso a um patrimônio artístico que frequentemente permanece restrito aos museus e aproxima novos públicos da história das artes visuais brasileiras. A exposição dialoga especialmente com crianças, jovens e famílias, propondo uma vivência que desperta a curiosidade e incentiva futuras visitas a instituições culturais.
Mais do que uma mostra tecnológica, a experiência reafirma a atualidade da obra de Tarsila do Amaral e sua capacidade de provocar reflexões sobre identidade, pertencimento e a permanente reinvenção das imagens do Brasil.

Serviço
O Brasil de Tarsila
Abertura: 15 de agosto de 2026
Local: Nubank Arte Lab — Conjunto Nacional
Avenida Paulista, 2.073 — São Paulo (SP)
Horários: quarta a segunda-feira e feriados, das 10h às 22h
Ingressos
Segunda, quarta e quinta-feira
Inteira: R$ 80 | Meia-entrada: R$ 40
Sexta, sábado, domingo e feriados
Inteira: R$ 100 | Meia-entrada: R$ 50
Venda de ingressos:
https://feverup.com/m/662202
Mais informações:
@nubankartelab

