“Lagoinha é melhor que Hollywood”, mostra dedicada à produção audiovisual do território de BH, MG
Programação reúne filmes de realizadores nascidos e/ou residentes na região e destaca histórias, personagens e manifestações culturais da Lagoinha, em Belo Horizonte.
A produção audiovisual da Lagoinha ganha destaque no Cine Graciano com a mostra “Lagoinha é melhor que Hollywood”, que acontece entre 20 de agosto e 3 de setembro, em Belo Horizonte. A programação reúne documentários, curtas-metragens e um longa-metragem realizados por cineastas, artistas e produtores nascidos e/ou residentes na região, colocando em evidência diferentes formas de representar o território e suas histórias.
Mais do que uma seleção de filmes, a mostra revela uma produção cinematográfica diretamente relacionada à vida da Lagoinha. As obras partem de experiências locais, personagens, manifestações culturais, memórias e questões sociais que atravessam o bairro e a cidade, aproximando o cinema do cotidiano de quem vive e produz nesse território.
A programação começa em 20 de agosto, às 19h, com a exibição dos documentários “A Volta do Leão”, de Negon Davidson, sobre o Bloco Leão da Lagoinha, e “Encontro com Iemanjá: para além dos olhos”, dirigido por Pai Ricardo de Moura e Bruno Vasconcelos. Os filmes apresentam diferentes dimensões da cultura e da religiosidade presentes na região, registrando manifestações que integram a memória coletiva do território.
No dia 27 de agosto, também às 19h, a mostra reúne três curtas-metragens: “Ditadura Roxa”, de Matheus Moura; “Lombrado”, de Ítalo Almeida; e “Copyleft”, de Rodrigo Carneiro. O conjunto amplia o olhar sobre a produção cinematográfica local e evidencia diferentes linguagens e perspectivas de realizadores ligados à região.
O encerramento acontece em 3 de setembro, às 19h, com o longa-metragem “Quando meu pai foi à lua”, dirigido por Daniel Carneiro.
Cinema feito por quem vive o território
Ao reunir obras de realizadores ligados à Lagoinha, “Lagoinha é melhor que Hollywood” coloca em primeiro plano a capacidade do próprio território de produzir suas narrativas. A mostra evidencia um cinema que não apenas retrata a região, mas que nasce de experiências vividas, relações comunitárias e diferentes formas de pertencimento.
A programação também reforça a importância dos cinemas de rua e dos espaços culturais de proximidade como lugares de circulação de produções que muitas vezes não encontram espaço no circuito comercial. No Cine Graciano, filmes relacionados ao território encontram uma sala gratuita e um público próximo de suas histórias.
Desde a inauguração, em novembro de 2025, o Cine Graciano realizou mais de 90 sessões gratuitas, exibiu mais de 160 filmes e promoveu 41 rodas de conversa. Instalado em um imóvel construído em 1925 e tombado pelo patrimônio histórico municipal, o cinema integra a trajetória da Associação Filme de Rua, dedicada à produção colaborativa, à formação de público e à democratização do acesso ao audiovisual.
Mostra integra campanha pela continuidade do Cine Graciano
A realização da mostra também integra a programação especial criada pelo Cine Graciano para mobilizar o público em torno de sua campanha de financiamento coletivo. A iniciativa busca garantir a continuidade das atividades gratuitas da sala na Lagoinha.
A campanha tem como meta arrecadar R$ 60 mil, destinados ao pagamento do aluguel e das despesas fixas, à manutenção do espaço, à programação gratuita e às equipes de curadoria, produção, comunicação e administração. Até o momento, foram arrecadados R$ 9.584, correspondentes a 16% da meta, com 94 apoiadores.
A mobilização teve início em 13 de agosto, com o Aulão Público sobre Cinemas de Rua e Cineclubes de Belo Horizonte, seguido, no dia 14, pela exibição do documentário “Aqui não entra luz”, de Karol Maia, acompanhada de conversa com a diretora, o professor Daniel Menezes e Rosarinha, uma das protagonistas do filme.
Ao vincular a campanha a uma programação dedicada à produção local, o Cine Graciano reforça uma das características centrais de sua atuação: manter em funcionamento um espaço onde filmes, realizadores, espectadores e territórios possam se encontrar.
Serviço
Cine Graciano
Rua Itapecerica, 468 – Lagoinha – Belo Horizonte
Entrada gratuita, sem necessidade de retirada de ingressos.
Mostra “Lagoinha é melhor que Hollywood”
20 de agosto | 19h
- A Volta do Leão*, de Negon Davidson
- Encontro com Iemanjá: para além dos olhos*, de Pai Ricardo de Moura e Bruno Vasconcelos
27 de agosto | 19h
- Ditadura Roxa*, de Matheus Moura
- Lombrado*, de Ítalo Almeida
- Copyleft*, de Rodrigo Carneiro
3 de setembro | 19h
- Quando meu pai foi à lua*, de Daniel Carneiro
Campanha de financiamento coletivo
Meta: R$ 60 mil
Arrecadado: R$ 9.584
Apoiadores: 94
Percentual: 16%
Informações e apoio: plataforma Benfeitoria.

